POR UM MUNDO MELHOR

POR UM MUNDO MELHOR

A pandemia fez muitas famílias despertarem para a urgência de adotar maneiras mais sustentáveis para viver. Ouvimos especialistas e quem já é adepto de boas práticas nesse sentido, e reunimos algumas dicas que podem ajudar você nessa empreitada também.

Não há indícios de que o planeta Terra vai deixar de existir tão cedo, mas vivemos um momento crucial para nossa existência como espécie. O ritmo e a forma como exploramos o planeta criou condições que colocam em risco nossa sobrevivência – a pandemia do novo coronavírus está aí como prova. Temos pouco tempo (até 2030, segundo critérios das Nações Unidas), mas ainda é possível controlar o impacto que causamos e reverter os processos de destruição: o aquecimento global é o mais grave deles.

“Nunca é tarde para despertar”, disse à CRESCER o ambientalista brasileiro Ailton Krenak, autor de A vida não útil (Companhia das Letras). “Mas precisamos entender que não existe “lá fora” em nosso maravilhoso planeta, que deveria ser percebido como um jardim. Se você está num jardim e joga uma tampinha de garrafa ali, ela vai ficar dentro do planeta e não vai para fora. Como mães e pais da futura geração, nosso papel é ainda maior: permitir que floresça nas crianças o senso de comunidade, a ideia de que faremos parte de um coletivo formado não só por pessoas, mas por outras espécies de animais e vegetais. “Cabe a nós incutir em nossos filhos e filhas, desde cedo, hábitos ambientalmente responsáveis”, diz Flavio Bassi, vice-presidente para a América Latina da Ashoka, uma organização civil global  bque fomenta o empreendedorismo social. A entidade promove ações de sustentabilidade em 300 escolas privadas e públicas espalhadas pelo mundo, sendo 21 delas no Brasil.

 

CADA PASSO IMPORTA

Se a covid-19 mostrou o quanto estamos vulneráveis em relação à saúde – física e mental -, à economia e aos afetos, por outro lado, fez brotar em muita gente a vontade e a necessidade de agir de maneira mais ambientalmente consciente. Mostrou, também, que mudanças no ritmo de consumo têm efeito, sim. Em 2020, com a desaceleração da economia e a diminuição no deslocamento devido às medidas de isolamento, as emissões de gases de efeito estufa caíram cerca de 20% no mundo, segundo levantamento feito pela Nasa. E podem diminuir ainda mais, sem que, para isso, seja preciso vivermos confinados. O inevitável, porém, é rever alguns hábitos.

Talvez você se pergunte como a sua pequena família pode fazer a diferença em um mundo com 7 bilhões de pessoas. Bill Gates, em seu recém-lançado livro Como evitar um desastre climático – as soluções que temos e as inovações necessárias (Companhia das Letras), dá a resposta: “É fácil nos sentirmos impotentes diante de um problema tão grande quanto as mudanças climáticas. Mas algumas coisas estão ao nosso alcance. E não é necessário ser político ou filantropo para fazer a diferença. Você tem influência como cidadão, consumidor e trabalhador”.

Ele nos lembra de que, quando paramos de consumir algo, adotamos atitudes mais responsáveis e influenciamos mais pessoas a fazer isso, logo esse recado chega aos fabricantes ou ao poder público. E nem precisa virar youtuber ou instagrammer. “Dá para começar organizando a coleta de lixo do seu condomínio, por exemplo”, diz a empresária Luanda Oliveira, 39 anos, mãe do Leonar, 3 anos, de Belo Horizonte (MG). “Além disso, pais e mães são os principais influenciadores da próxima geração. E sabemos que o contrário também é verdadeiro, pois estudos internacionais, como um relatório publicado pela Universidade do Oregon (EUA), apontam que as crianças, uma vez conscientizadas na escola, levam as informações para a família. Essa pesquisa mostrou que, quando os pequenos aprendem a importância de economizar energia elétrica, começam a mudar os hábitos em casa e são seguidos pelos pais. Claro que você não vai frear o aquecimento global deixando de usar determinado produto, mas, se o consumo desse item cair, a indústria rapidamente perceberá e tentará encontrar uma solução para reconquistar seus consumidores. Uma alternativa mais sustentável e acessível, talvez.

UMA NOVA LÓGICA

Agir de uma forma menos agressiva ao meio ambiente fica mais fácil se olharmos para nosso comportamento de maneira diferente e desconstruirmos algumas crenças. Os principais bens de consumo-eletrônicos, eletrodomésticos, carros, roupas, móveis e até imóveis – não quebram ou ficam obsoletos rapidamente por uma questão técnica. A culpa é da “obsolescência programada”.
O nome é difícil, mas a ideia é fácil de compreender. “Sabe aquele liquidificador que você comprou há seis meses, mas o copo quebrou e, agora, não dá para arrumar porque não tem peça para trocar ou um novo custa quase a mesma coisa? É isso”, explica a designer e pesquisadora Lia Assumpção, 43 anos, de São Paulo, que é autora de uma dissertação de mestrado sobre o tema.
Segundo ela, nem sempre foi assim. O liquidificador, a máquina de costura ou o rádio a pilha da sua avó duravam anos. Talvez você até tenha herdado um deles. “Construir objetos para que durem pouco é uma estratégia de mercado que surgiu nos Estados Unidos nos anos 1920”, diz. Nessa época, havia um grande potencial produtivo, mas pouca demanda, porque as coisas não quebravam e os consumidores viam valor nisso. “A indústria, então, passou a desenvolver produtos mais frágeis e a lançar modelos novos com frequência.” 
Como consequência, as pessoas começaram a comprar não só porque precisam, mas porque aquele produto tem um design diferente, mais moderno. Criou-se, assim, outra lógica de consumo. E ela foi sendo reforçada ao longo do tempo até chegarmos à situação atual, em que coleções de moda se renovam completamente a cada trimestre, e pessoas passam horas em filas só para comprar um celular de cor diferente ou com uma câmera discretamente mais evoluída.

“Além de adotar práticas sustentáveis na alimentação, higiene e outros hábitos da família, é importante olharmos para a formação das crianças para que elas percebam, desde cedo, que fazem parte de um todo. E isso pode começar na escolha dos brinquedos e brincadeiras. Dou para minha filha tanto massinhas industrializadas quanto argila. Ela mesma já percebeu que a natural recupera a consistência quando volta a ser umedecida, que faz parte da natureza. Também costumamos usar objetos da casa como brinquedos. Em vez de comprar um escorregador de plástico ou mesmo de madeira, usamos um colchão. Além de econômica, a prática é muito lúdica e mostra a versatilidade dos objetos. Ah, e damos muita importância para a contação de histórias. A literatura, afinal, é fundamental para o desenvolvimento da empatia.”

FLAVIO BASSI, 38 anos vice-presidente da Ashoka, pai da Stella, 3 anos, São Paulo (SP)

Diante de uma provocação para que, ao saber de tudo isso, repense seus hábitos, você pode até se apegar ao argumento de que tem o direito de gostar de algo novo. Ou ainda que a vida está corrida demais para gastar tempo procurando uma assistência para o seu fogão quebrado. Mas talvez o preço a pagar por essas escolhas seja alto demais. “Se o futuro da humanidade for decidido na sua ausência porque você está ocupado demais alimentando os seus filhos – você e eles não estarão eximidos das consequências. Isso é muito injusto, mas quem disse que a história é justa?”, afirma o historiador israelense Yuval Noah Harari e um dos maiores pensadores do nosso tempo em seu livro 21 lições para o século 21 (Companhia das Letras).

A BASE DO ESTRAGO

E sabe por que o foco das mudanças está no consumo? Porque, por trás de tudo aquilo que usamos para sobreviver, há uma cadeia que depende de água e energia (entre elas, as de maior impacto, como a elétrica e a queima de combustíveis fósseis), lança toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera e gera montanhas de resíduos para o ambiente.
A água merece atenção especial. Sem ela, afinal, não há forma de vida possível. E tendemos à sensação de que, por ser um recurso natural e renovável, sempre estará disponível. Só que não é bem assim. Ela não é inesgotável, por isso, vivemos a maior crise hídrica da história do planeta. “Um quarto da população mundial vive níveis de estresse hídrico”, alerta a escritora americana Melanie Mannarino, autora do livro recém-lançado nos Estados Unidos The (almost) zero waste guide (“O guia do desperdício (quase) zero”, em tradução livre para o português), em que dá 100 dicas para reduzir o desperdício de maneira leve.
É verdade que já criamos tecnologia para irrigar desertos ou aproveitar volumes poluídos. Em Portugal, por exemplo, é possível beber água de esgoto reciclada – e foi lançada até uma cerveja para divulgar o feito. Mas ainda são caros. Dessa forma, algumas regiões, sobretudo as mais pobres, não têm o que beber, muito menos irrigar plantações. Grandes cidades também correm o risco da seca, como já aconteceu em São Paulo, em 2015. Daí a importância de controlar tanto o tempo de banho (seu e da sua família) quanto a vontade de comprar uma nova calça jeans para o seu filho, já que a produção de uma peça consome mais de 5 mil litros de água, segundo levantamento do Movimento Ecoera.

Também é fundamental rever pequenas atitudes – e incluir a família nesse processo, inclusive as crianças. Hábitos como desligar lâmpadas e aparelhos elétricos quando não estão sendo usados, escolher ir a pé ou usar bicicleta sempre que possível, preferir as janelas abertas às luzes acesas, e cuidar do próprio lixo, para que o mínimo possível cheguem aos aterros, deve fazer parte da agenda de todos da casa.

Importante: “Você não precisa adotar um estilo de vida tudo ou nada para viver de forma mais sustentável e amigável o meio ambiente”, diz Melanie. Cada atitude ajuda a diminuir o impacto total sobre o planeta. Ao longo desta reportagem, reunimos diversas dicas para levar a sua família a uma vida com mais consciência. Elas são conselhos de influenciadores que tratam do tema, incluindo Melanie Mannarino e Bill Gates, além de orientações de ONGs e órgãos públicos. Inspire-se e, na medida do possível, parta para a ação. Lembre-se que as crianças aprendem pelas nossas atitudes e não apenas pelas palavras. Um passo de cada vez, mas sempre firme!

Em casa

CONFIRA CONTAS DE ENERGIA E ÁGUA MENSALMENTE

Saber o quanto você consome normalmente ajuda a identificar gastos fora da média que podem ser indício de vazamentos.

SAIBA ONDE FICA O REGISTRO DE ÁGUA

Já pensou ter de procurar o local durante o rompimento de um cano? Quanto mais rápido chegar até ele, menos água será desperdiçada.

REPARE TODO E QUALQUER VAZAMENTO

Torneira pingando em…
Ritmo lento - 10 litros/dia
Ritmo médio - 20 litros/dia
Ritmo rápido - 32 litros/dia
Filete - até 442 litros/dia

TOME BANHOS DE ATÉ 5 MINUTOS

Para a Organização Mundial de Saúde, uma pessoa precisa de 110 litros de água por dia para higiene e consumo. Uma ducha ligada por 15 minutos gasta 135 litros de água. Seu filho ama brincar no chuveiro? Coloque os brinquedos numa bacia com água e feche a torneira.

REGUE AS PLANTAS PELA MANHÃ

Quando o sol está muito quente a água de rega evapora rápido e nem sempre atende a necessidade da planta. À noite, ocorre o contrário a água pode ficar parada prejudicando o vegetal.

PREFIRA A LAVA-LOUÇAS

Uma máquina para 44 peças utiliza cerca de 40 litros por ciclo. Já uma torneira aberta durante 15 minutos consome por volta de 117 litros. Para o aproveitamento máximo, porém, o eletrodoméstico deve estar completamente cheio.

INSTALE DESCARGAS "DUPLO FLUXO”

Um equipamento antigo ou defeituoso pode gastar até 30 litros de água a cada vez que for acionado. As versões mais modernas com duas opções de fluxo, consomem 3 ou 6 litros de acordo com a necessidade.

PREFIRA LUZ NATURAL

Nos ambientes onde você e sua família circulam durante o dia, como a cozinha, a sala e o tão falado home office, deixe as cortinas abertas ou prefira aquelas mais translúcidas, para aproveitar ao máximo a luz do sol que é de graça e não causa impacto.

MORE ONDE JÁ MOROU ALGUÉM

Demolir e construir casas e prédios consome toneladas de materiais e também gera grandes volumes de resíduos, como restos de telhas, tijolos, azulejos, canos, fios e por aí vai... Se você precisa se mudar, uma saída mais sustentável é escolher um imóvel usado e fazer nele apenas os reparos necessários para o conforto e a segurança da sua família.

Compras

SUBSTITUA O DESCARTÁVEL PELO REUTILIZÁVEL

Diante de uma gôndola de supermercado dê sempre prioridade a embalagens reutilizáveis, como as de vidro, principalmente daquelas marcas que se responsabilizam pela coleta.

DIGA TCHAU PARA A SACOLINHA (MAS NÃO COMPRE MUITAS ECOBAGS)

Uma das saídas para reduzir o impacto é substituir as sacolas por ecobags de pano e material reciclado. Mas isso significa comprar o necessário, já que a produção também causa impacto. Em vez disso, reaproveite sacolas, construa novas com restos de tecido e outros materiais, como papelão.

TROQUE ROUPAS COM AMIGOS E PARENTES

O mercado da moda é altamente impactante. Além dos químicos e corantes utilizados na produção, há o problema da exploração da mão de obra, sobretudo nas linhas de fast-fashion. A ordem, portanto, é comprar o mínimo possível. Em vez disso, experimente usar peças de segunda mão ou alugadas. 

aLIMENTAÇÃO

LAVE ALIMENTOS EM UMA VASILHA ASSIM:

1. Por 15 minutos, mergulhe frutas, legumes e folhas de verduras em solução composta de uma colher de sopa de cloro ou água sanitária para um litro de água.
2. Em seguida, passe os alimentos para uma outra mistura (duas colheres de sopa de vinagre para cada litro de água) por mais 10 minutos. Não precisa enxaguar.

OPTE PELAS VERDURAS HIDROPÔNICAS

Embora varie de espécie para espécie, o consumo de água para o cultivo dessas verduras é inferior ao do plantio convencional.

REDUZA O CONSUMO DE CARNE BOVINA (UM DIA JÁ FAZ DIFERENÇA)

A pecuária é uma das atividades que mais emitem gases de efeito estufa, os responsáveis pelo aquecimento global. Não é preciso ser vegetariano para isso (a não ser que seja uma escolha da sua família). Mas que tal tirar a carne do cardápio um ou dois dias por semana?

1 kg carne = rodar mais de 10 km de carro a gasolina.

 

ATENÇÃO À PANELA CERTA

Se você escolher uma panela muito baixa e larga para cozinhar uma batata, por exemplo, vai precisar de muito mais água para cobri-la do que se utilizar um tipo mais alto e estreito.

CONSUMA ALIMENTOS PRODUZIDOS LOCALMENTE OU A POUCA DISTÂNCIA

Para que a comida chegue à sua mesa, ela percorre diversos processos, entre eles, o transporte, que consome energia e libera gases de efeito estufa na atmosfera. Quanto menor a distância entre a produção e o prato, menor o impacto ambiental.

USE GUARDANAPOS DE PANO

Mesmo que consiga utilizar só um de papel por refeição, ao longo de um ano, serão 1.095 guardanapos ou 82.125 se você viver até 75 anos.

COMPRE A GRANEL

Desta maneira, você leva para casa a quantidade que vai precisar, evitando desperdícios e ainda dispensa o impacto da produção da embalagem. Melhor ainda se levar seus próprios recipientes.

PREFIRA ALIMENTOS DA ESTAÇÃO

Cultivar alimentos fora da época exige esforços, como sistema de irrigação e uso de fertilizantes. Além disso, quando a produção vem das regiões muito distantes, o impacto do transporte é mais alto.

APROVEITE TUDO

Calcula-se que um terço dos alimentos produzidos no mundo seja desperdiçado. Além de perdas no transporte e na produção, jogamos no lixo cascas, talos e outras porções que podem ser aproveitadas em caldos, refogados, geleias e outras receitas.

FAÇA SEU PRÓPRIO PRATO E TREINE O PEQUENO PARA ISSO TAMBÉM...

Coloque só o que você vai comer, mesmo que seja necessário se servir novamente.

Tecnologia e eletrônicos

SEMPRE QUE POSSÍVEL TROQUE O AR-CONDICIONADO POR VENTILAÇÃO NATURAL

Ele não só consome muito e energia como para resfriar o ambiente fechado, joga ar quente para a área externa, e com isso, colabora para o aumento da temperatura ao ar livre.

PREFIRA LÂMPADAS DE LED

Elas são mais econômicas (chegam a reduzir o consumo de uma casa em 85%) e têm vida útil maior. Para se ter ideia, uma lâmpada incandescente dura cerca de mil horas e a de LED, 30 mil.

DEIXE A GELADEIRA E O FREEZER LONGE DO FOGÃO E DA JANELA

Focos de calor fazem com que a geladeira ou o freezer tenha de consumir mais energia para resfriar os alimentos.

MANTENHA APARELHOS FORA DA TOMADA

Mesmo quando desligados se estiverem conectados à tomada, os equipamentos elétricos continuam consumindo energia. Isso pode chegar a 10% do consumo total da casa em um mês.

RESISTA À TROCA DE CELULAR E ELETRÔNICOS, COMO VIDEOGAMES

Você não precisa ter o modelo mais moderno, só porque é novo. Use o aparelho até que ele seja capaz de atender às suas necessidades Quando estiver obsoleto de verdade, procure o fabricante para o descarte correto.

Lixo

SEPARE

Estima-se que cada morador da casa produza, em média, 1kg de lixo por dia. É muito! Mas só cerca de 20% é, de fato, dispensável. O resto é matéria orgânica ou reciclável. Separar cada uma dessas porções é fundamental para diminuir o impacto gerado.

FAÇA COMPOSTAGEM

Cerca de 40% do lixo que produzimos pode voltar à natureza como adubo. É o lixo orgânico, sobretudo restos de vegetais e de alimentos. Há sistemas simples de compostagem que podem ser instalados até em apartamentos.

REUTILIZE O QUE FOR POSSÍVEL

Uma outra forma de diminuir a quantidade do que mandamos para os aterros é reaproveitar embalagens, pedaços de tecido e outros materiais. Um vidro de geleia pode virar recipiente para temperos ou vasinhos.

RECICLE

Se não for possível reutilizar os materiais, é imprescindível garantir que eles cheguem aos postos de reciclagem.

Locomoção e viagens

VÁ A PÉ OU DE BIKE

Diminuir o consumo de combustíveis fósseis e controlar as emissões de gases de efeito estufa é um desafio. Sempre que possível, faça trajetos a pé de bike ou de transporte público, inclusive com as crianças (fora da pandemia, claro).

ESQUEÇA OS SOUVENIRS

Lembrancinhas de viagem em geral vão parar no lixo ou em uma caixa empoeirada no fundo do armário. Registre os bons momentos em fotos e no coração.

FAÇA MALAS PEQUENAS

Quanto mais pesado o veículo, mais combustível ele consome. Por isso, reduza ao mínimo o peso da bagagem da família.

PEÇA NOTAS POR E-MAIL OU WHATSAPP

O papel térmico usado nas notas fiscais e comprovantes de compra, além de poluentes, contém substâncias tóxicas que podem causar problemas de saúde.

Higiene e limpeza

PREFIRA REUTILIZÁVEIS

Fraldas de pano podem ser menos práticas do que as descartáveis, mas não geram lixo e isso é valioso. Se não quiser fazer a transição completa, tente pelo menos substituir em uma das trocas. Ao longo de um ano, você terá jogado 365 fraldas a menos no lixo.

USE TAMPAS DE CERA DE ABELHA

Uma opções filmes de PVC para vedar potes e embalar alimentos são os panos que levam cera de abelha na composição. Eles são maleáveis, laváveis, permitem vedar potes, por exemplo - e duram bastante.

TROQUE AS ESPONJAS POR BUCHAS VEGETAIS

Uma das alternativas às esponjas convencionais, feitas de plástico, são as buchas vegetais, um material natural que é compostado facilmente. Elas podem ser usadas no banho, na louça e na limpeza em geral.

OPTE SEMPRE POR PRODUTOS COM REFIL

Há opções para sabonete, xampu e produtos de limpeza. Versões desses produtos em barra também evitam embalagens plásticas.

Brinquedos e brincadeiras

USE TINTAS NATURAIS

Seu filho pode pintar com borra de café ou suco de beterraba. Igredientes naturais são bons substitutos das tintas industrializadas e proporcionam uma experiência diferente.

TROQUE A MASSINHA POR ARGILA OU MASSA CASEIRA

Brinque com argila natural ou faça a versão caseira, misturando: 
4 xícaras (chá) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de óleo de cozinha
1 xícara (chá) e meia de água
1 xícara (chá) de sal

DEIXE SEU FILHO BRINCAR COM O QUE TEM EM CASA

 Uma tampa de panela pode ser a direção de um carro. Uma caixa de papelão pode ser um esconderijo. Dê asas à imaginação.

MANIFESTE-SE, MOVIMENTE-SE!

Tem muita gente querendo fazer algo. Você certamente não estará só se decidir resolver algum problema da sua comunidade a favor do meio ambiente. Junte-se aos vizinhos do prédio, do bairro, aos grupos das redes sociais. Discutam, tenham ideias e partam para implementá-las juntos. E sim, escutem e envolvam as crianças, sempre que possível. Lembre-se de que no zero a zero todo mundo perde. Ao dar um passo, organizando a coleta de lixo reciclável, por exemplo, vocês saem da inércia e o planeta e a vida ganham. Que tal começar agora?

 

Matéria original da Revista Crescer.

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1 ano de pandemia

1 ano de pandemia

Parece inacreditável, mas já estamos há doze meses em quarentena devido ao novo coronavírus. É certo que haverá um legado - positivo e negativo - desse período para filhos e pais. Ouvimos especialistas e famílias para refletir sobre esse panorama e saber como agir diante dos desafios.

Matéria original da Revista Crescer.

Onde você estava em março de 2020, quando soube que iria começar a quarentena no Brasil? Com certeza nem nos seus maiores sonhos – ou pesadelos – imaginaria tudo o que viria pela frente. Mas cá estamos nós, um ano depois. Muita coisa já melhora, temos um processo de vacinação em curso e novas perspectivas, ainda que a passos lentos.

Fato é que essa vida diferente a que fomos expostos de uma hora para a outra teve efeitos positivos e negativos para adultos e crianças. “Para elas, o impacto de estarem isoladas, com os pais tensos e ansiosos, é grande e profundo, porém, é fundamental que possamos olhar para esse momento e aprender. Aprender a valorizar quando pudermos nos abraçar; valorizar a simples rotina de ir para a escola; de conviver mais intensamente em família”, reflete a psicóloga Camila Cury, fundadora do Programa de Educação Socioemocional da Escola da Inteligência (SP). É importante enxergar o momento também como uma oportunidade que gerou possibilidades de filhos e pais estarem mais próximos, por exemplo. Quem aí teve a chance de acompanhar de perto os primeiros passinhos do bebe?

É certo que não somos os mesmos de um ano atrás – muito menos nossos pequenos. E isso traz consequências, algumas boas e outras, nem tanto. “Um ano na vida de uma criança é muito diferente de um ano na vida de um adulto. O cérebro dela tem janelas de oportunidade, está ávido por adquirir novas habilidades. O desenvolvimento infantil é altamente dependente do meio externo. Se ela fica limitada ao ambiente da casa, interagindo apenas com poucos adultos que, muitas vezes, precisam trabalhar e não consegue se dedicar integralmente a ela. Será privada de estímulos.  E essa privação pode levar, em casos extremos, claro, a um atraso no desenvolvimento”, afirma a neuropediatra Luciane Baratelli, da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro.

MUDANÇAS REAIS

Vimos isso na prática. Um estudo das Faculdades Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR), feito com mais de 1,9 mil famílias, com crianças entre 2 e 12 anos (de todos os estados do Brasil), mostrou que 100% delas tiveram ao menos uma mudança de comportamento durante o isolamento social seja referente alimentação, a interação social, ao comportamento, seja ligada ao sono. “As crianças ainda sentirão por algum tempo o impacto da pandemia, do afastamento escolar e da falta de convivência. Pais e educadores devem estar atentos a alterações de comportamento. Precisamos acreditar que a saúde mental delas pode estar em sofrimento e precisando de ajuda, para intervir o mais precocemente possível”, diz a pediatra Loyola Presa, uma das pesquisadoras a frente do estudo.

Então, como estar atento a essas mudanças? Um estudo do hospital pediátrico da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, com mais de 2 mil famílias, de crianças e jovens de 0 a 18 anos, revelou os principais medos dos pais em relação aos filhos na pandemia: o excesso de tempo na frente das telas e das redes sociais, o aumento de hábitos não saudáveis de alimentação,еfalta de atividades físicas, estresse, ansiedade e risco de depressão.

Isso mostra que diversos pontos merecem atenção e variam de família para família. Cada um deve buscar formas criativas de aliviar a tensão emocional o máximo possível. “Comece desligando os noticiários e sintonizando as ideias com algo mais positivo. Diminua o estimulo eletrônico em casa, pois a exposição as telas intensificam o estresse e a falta de concentração da criança. O movimento livre é uma excelente forma de fazer com que pensamentos negativos se reorganizem. Então, que tal todos fazerem uma aula de dança em casa? Desenhar uma amarelinha com fita adesiva no chão para o pequeno gastar a energia quando precisar? ” Sugere a educadora parental Aline De Rosa, criadora do programa Acolhedora de Mães (SP).

A pandemia tem, sim, consequências ruins, infelizmente. A própria covid-19 é terrível em muitos casos. Mas, quando falamos de educação e vida em família, percebemos tantas questões valiosas…. Precisamos decidir qual é a lente que usamos para enxergar a vida, o quanto de energia colocamos nos pontos positivos e nos negativos. Então, a proposta aqui é fazer um balanço das lições dessa pandemia e enfrentar o saldo disso. A seguir, um material para nos provocar reflexões e planejar nossas próximas ações.

"Em 2020, minha filha fez 4 anos e foi para escola pela primeira vez. Nem um mês de aula o mundo parou. A rotina voltou a ser o que era para mim, com a diferença que meu trabalho e do marido pararam também. Então, vimos os três em casa. Doze anos de casamento nunca passamos mais do que 30 dias inteiros juntos. Mudamos nossos hábitos, nos aproximamos mais e percebemos nossas falhas como pais, questões que não víamos. Estamos mais próximos como casal, como família."
Priscila Fontoura, 32 anos, fotógrafa.
Mãe de Alice, 5 anos.

MAIORES LEGADOS

Para as crianças

Ter autonomia e independência.

Ser mais participativa e casa

Ganhar mais presença dos pais

Aprender novas regras

Entender a importância de coletivo

Para os pais

Perceber que vinculo e mais do que morar juntos

Estar mais presente na rotina das crianças

Entender melhor a metodologia da escola do filho

Ter a consciência clara de que são o maior exemplo para os pequenos

Compreender que não podemos controlar tudo, mas controlamos nossas próprias escolhas

Os impactos e os próximos passos

DESENVOLVIMENTO

Os impactos

Sabemos de cor que é importante para um bom desenvolvimento da criança ambiente acolhedor e estimulante, adultos cuidadores atenciosos, livre brincar, convivência com seus parentes, contato com a natureza, alimentação equilibrada, sono restaurador. Se muitos desses aspectos foram tirados dos pequenos nesse período, é natural que se vejam resultados aquém do esperado. Ao mesmo tempo, a possibilidade de passar mais tempo com os pais em casa trouxe até alguns avanços.
Segundo o pediatra Daniel Becket Rio de Janeiro (RJ), algumas crianças que estavam em casa em harmonia, com pais que conseguiram se organizar na quarentena para dedicar tempo a elas, mantendo a tranquilidade, o afeto e convívio saudável entre o casal e os filhos, tiveram desenvolvi mento espetacular. “Aquelas que não falavam, por exemplo, passaram a fazer isso. Mas a maioria, mesmo tendo conquistas sofreu com sintomas psíquicos, alterações de comportamento, desde distúrbios de apetite, seletividade excessiva, recusa ou compulsão alimentar, agressividade, irritação, birras e ficaram grudadas nos pais”, afirma.

O especialista ainda alerta para casos de regressão de comportamento, como crianças que estavam já sem fralda e voltaram a usá-la, além de tiques, gagueira e dificuldades escolares. “São sintomas que vão se agravando ao caminhar para a introspecção excessiva, recusa de vivenciar as atividades em família, de sair, de participar da aula online, de ver os avós, de encontrar amigos… até chegar na depressão, que vimos um bocado também”, afirma.

Próximos passos

Uma vez que seja observado um atraso (lembre-se, você não está sozinho nessa!), a criança deve ser estimulada. É importante ter um profissional acompanhando, ou seja, converse sempre sobre isso com o pediatra. Quanto aos estímulos, vão variar de acordo com a idade e a finalidade, mas englobam as vivências no dia a dia o olho no olho, as brincadeiras ao ar livre e o contato com a natureza, tomando sempre cuidado com aglomerações (a pandemia segue seu curso ainda). Se sentir dificuldade, não hesite em procurar o apoio de profissionais especializados, como fonoaudiólogos fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Saúde mental e emoções

Os impactos

Uma pesquisa do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra mostrou que uma em cada seis crianças apresentou problemas emocionais na pandemia. Parte disso é reflexo do clima que os pequenos vivem em casa. “Nas famílias em que os pais estão muito ansiosos ou ambiente anda estressante demais, eles, por consequência, ficam ansiosos e isso compromete o emocional”, diz a pediatra Ana Escobar, colunista da CRESCER.
Porém, outros fatores, como o fechamento das escolas, privação do convívio social e morte de familiares também elevaram o nível de estresse nos pequenos. Alguns estão inclusive, com dificuldades de se relacionar com outras crianças e até de confiar em adultos – reflexo da ideia que o outro representa perigo (pela contaminação). Tiques nervosos, como roer a unha, cutucar a pele, morder a bochecha e ranger os dentes entram na lista de sintomas.
Segundo a neuropediatra, Luciane Baratelli de Niterói (RJ), esse cenário pode gerar um estresse tóxico, com aumento persistente do cortisol (hormônio ligado ao estresse). “Sabe-se que o principal protetor da saúde mental das crianças em situações de estresse é o apoio familiar. 

Quando a criança recebe cuidados e afeto de adultos que passam a ela sensação de segurança, o organismo consegue se reorganizar e voltar a ter um funcionamento normal. Já nos casos em que esse suporte é ausente ou inadequado, ela passa a ter um aumento prolongado do cortisol que lesa circuitos neurais em desenvolvimento e aumenta o risco de apresentar atraso no desenvolvimento de pressão e transtornos de conduta no futuro”, afirma.


Próximos passos

Claro que não temos de esconder nossos sentimentos dos filhos. Todos tivemos de enfrentar perdas e mudanças, o que pode gerar ansiedade, medo e tristeza. Mas é preciso ter um olhar cuidadoso na maneira como traduzimos isso às crianças. “É fundamental a comunicação adequada com os filhos, explicando a situação pela qual estamos passando de forma objetiva e clara, de acordo com cada faixa etária. Nesse momento, eles necessitam de rotina, segurança, estabilidade e compreensão. Vale criar junto com a criança estratégias para ela lidar com os sentimentos, e ensiná-la de fato reconhecer nomear as emoções”, orienta a psicóloga Mariana Bonsaver do Hospital e Maternidade Pro Matre em São Paulo (SP). 

Além do diálogo constante, livros infantis e brincadeiras de faz de conta são bons aliados para ajudar os pequenos a entender o que sentem.
Com Acolhimento e orientação dos pais, tudo pode se transformar em resiliência e adaptação. Um exemplo está nas datas comemorativas, como a ausência da tão esperada festa de aniversário. “Em vez de diminuir ou ignorar o sentimento dela, dizendo que é só uma comemoração, diga que entende a tristeza dela. Ou seja, o importante é menos a festa em sie mais o sentimento dos pais”, diz a educadora parental Aline De Rosa, São Paulo (SP). Ofereça alternativas para seu filho, como uma festa do pijama só de vocês, com direito a um acampamento na sala!

"Pude acompanhar o desenvolvimento da minha filha de maneira que jamais seria possível. A primeira vez que pediu para ficar sem fralda, que fez xixi no banheiro... na vida corrida de antes, eu não teria presenciado nada disso. Ela se desenvolveu”
Hellen Monteiro, 39 anos, Reflexoterapeuta.
Mãe de Manuela, 3 anos..

O BRINCAR E A NATUREZA

Os impactos

Como nunca antes, colocamos um holofote no papel do brincar. Que bom! Afinal, ele é a linguagem criança, é como ela compreende o mundo à sua volta. Mais do que isso, nesta pandemia, a brincadeira salvou o emocional de muitas famílias. Em dois aspectos: enquanto a criança brinca, os pais podem trabalhar ou se dedicar as tarefas da casa com mais tranquilidade. Além disso, a diversão promove conexão entre filhos e pais.
E a falta que fez estar ao ar livre? A natureza é o lugar em que o ser humano se sente melhor, seja criança, seja adulto. Sentimos na pele a ausência desse espaço – tanto na deficiência de vitamina D quanto na energia acumulada dos pequenos.

Próximos passos

Os pais perceberam a importância de encher o pote de atenção do filho – e do quanto a brincadeira é um dos principais ingredientes para isso. Quando está suprido de carinho, o pequeno faz menos birras e fica mais tranquilo. Mas isso não significa ter de virar um recreador de buffet infantil e entreter seu filho o tempo todo. O tedio é importante também. E no ócio criativo que a criatividade acontece. Equilíbrio e tudo!
Quanto ao contato com natureza, o que fica é a valorização ainda maior do cuidado com o meio ambiente e sua potência na nossa vida. “Ficou claro para todo mundo a importância das experiências ao ar livre para a criança, e como ela melhorou depois de sair um pouco de casa. Pessoas que conseguiram viajar, passar um fim de semana numa casa alugada, num sitio, relatam como é impressionante a resposta dos pequenos. Cem por cento deles voltavam muito melhores. O mesmo ocorreu com crianças levadas a praça ou ao clube para fazer uma atividade ao ar livre. A resposta foi muito impressionante, relata o pediatra Daniel Becker.
Moral da história: sempre que possível proporcione atividades ao ar livre para o seu filho – com todos os cuidados, claro. E ainda que você não tenha como levar a praia, ao parque ou ao sitio, lembre-se que a natureza está sempre perto, nos detalhes, como fazer e cuidar de uma horta, pisar na grama, pegar na terra, sentir as texturas diferentes das folhas, escalar árvores, tomar sol ou sentir a brisa de um fim de tarde.

"O começo foi difícil, e achei que não daria conta. Mas fazendo um balanço, me sinto privilegiada de poder estar com a minha filha 24 horas por dia. E sei que mais tarde ela lembrar desse período, e sentir o cheirinho de bolo de cenoura, dos filmes à tarde, das broncas e de tudo que aprendemos juntas. Estamos mais fortes e unidas. O isolamento me trouxe valores e me fez enxergar coisas que estavam guardadas”.
Grasielly Vailati, 40 anos, consultora de viagens.
Mãe de Julia, 7 anos.

ROTINA DA CASA

Os impactos

Pandemia sem rede de apoio, tendo de cuidar de casa, criança e trabalho. É natural que você não dê conta de tudo. E quer saber? Está tudo bem! É preciso priorizar aquilo que gera bem-estar para a família, muitas vezes, só acontece quando há envolvimento de todos. Uma das grandes lições da quarentena foi a importância da divisão de tarefas domesticas não só entre o casal, mas inserindo as crianças também.
Antes do isolamento a maioria delas ajudava pouco ou quase nada. Os pequenos mal sabiam o que precisava ser feito para manter a casa limpa, organizada e funcionando.

Próximos passos

As crianças aprenderam que as coisas em casa não acontecem sozinhas. Na nossa cultura, elas não ajudam tanto, diferente do que vemos fora do país, onde nem todo mundo pode pagar um funcionário doméstico. “Houve uma mudança de postura que seria bom manter. Crianças devem ser mais participativas em casa E os pais precisam entender como isso e importante para elas”, diz a pediatra Ana Escobar, colunista da CRESCER. Por isso, continue inserindo o pequeno nas atividades domésticas, de acordo com a idade e a maturidade de dele. Dá até para ser divertido! Nos dias de mais bagunça, combine um mutirão em família antes do jantar (quase uma gincana) para irem dormir com tudo organizado. E estabeleça prioridades. “Se tiver de escolher entre lavar a louça ou sentar para brincar com seu filho, avalie: pote de amor dele está vazio? Sente para brincar. Está tudo bem? Convide-o para ajudar na tarefa. São pequenas escolhas diárias que cada pai e mãe deve fazer para equilibrar as demandas e prioridades da rotina familiar”, afirma Aline De Rosa

SAÚDE E HIGIENE

Os impactos

Nunca se olhou tanto para a saúde, para o papel da ciência, das vacinas, do se cuidar em prol do outro como hoje. E isso os pequenos vão levar para a vida toda. Aliás, no que diz respeito aos hábitos de higiene, muitos deles mostraram saber lidar bem melhor do que nós. Você vê as crianças usando máscara tranquilamente na maior parte das vezes São poucas as que a arrancam – diferentemente dos adultos” diz o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Cientifico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Próximos passos

Higiene nunca é demais, e manter os bons hábitos adquiridos é fundamental. Não deixe que o seu filho perca esse olhar. Se Ele o está aprendendo agora (afinal, quantos bebês do começo da pandemia estão completando 1ano?), oriente sobre a lavagem correta das mãos, invente músicas ou cante os parabéns inteirinho com ele nessa hora. Continue mantendo uma caixa para deixar os sapatos na entrada de casa, assim fica fácil a criança saber onde colocá-los quando voltam da rua. Procure máscaras confortáveis e apropriadas ao tamanho do seu filho, assim ele não precisa ficar colocando a mão para arrumar “É o que chamamos de alfabetização sanitária, e esse é um legado interessante que deve ficar da pandemia, tanto para crianças como para adultos, diz o infectologista Kfouri.

LIMITES E TELAS

Os impactos

Lidar com choro, birra, agressividade, medos, vídeo game, hora para dormir… Muitos dos nossos conceitos de limites e de controle das emoções tiveram de ser revistos “Adultos, crianças, adolescentes. Todos precisaram se reinventar rever rotinas, acordos e atitudes”, afirma a consultora em educação Beto Rodrigues, treinadora de Disciplina Positiva da Positive Discipline Association dos Estados Unidos.
Afrouxamos regras, permitimos em alguns momentos que as crianças dormissem mais tarde, almoçassem em frente à TV ou comessem aquela guloseima. Afinal, temos mesmo de escolher as batalhas diárias. Mas o campeão de limite ultrapassado provavelmente tenha sido, em muitas famílias o volume de telas. Tanto que, segundo pesquisa realizada do Hospital JK Lone, em Jaipur, na índia, 65% das crianças estilo viciadas em eletrônicos e sio incapazes de manter distância deles mesmo que por 30 minutos.

Próximos passos

O uso da tecnologia está aí, foi o que permitiu manter nosso trabalho, rever parentes e amigos, comemorar aniversários, fazer consultas medicas e as aulas on-line das crianças. Estamos aprendendo cada vez mais que travar uma disputa com os gadgets na rotina dos pequenos não é o caminho. O desafio que continua e ensina-los de maneira saudável (e observar como nós mesmos lidamos com eles), mostrando a importância de outras atividades essenciais, como brincar, se exercitar, ler um livro impresso e ter momentos ao ar livre. Já sobre nossos parâmetros de limites revistos, não adianta ser radical, afinal não sabemos quando poderemos ter uma rotina perto de como era antes, então, novamente, busque o meio-termo. Flexibilizar pelo bem da nossa saúde mental, mas ainda com combinações claras para as crianças. Assim, chame seu filho para uma conversa, diga que você quer ouvi-lo para então, pensarem juntos em soluções. Quando a criança é valorizada, se sente parte daquilo e tende a colaborar muito. Estabeleçam os combinados e os cumpra.

EDUCAÇÃO

Os impactos

Talvez seja um dos campos mais afetados na pandemia e o que mais influenciou na rotina e na sanidade mental de todos. Ter os pequenos arrancados do ambiente escolar, do aprendizado presencial, do convívio naquele local que é deles, por natureza, mexeu com a cabeça de filhos e pais. Muitas crianças perderam o interesse pelos conteúdos, estão com dificuldades no aprendizado, sem motivação.
Por outro lado, há famílias mais atuantes no aprendizado do filho e na relação de parceria com a escola, ser contar a valorização muito maior (por parte dos pais) do papel do professor e de todos os desafios que é educar uma criança.

Próximos passos

O tema divide opiniões. Algumas famílias se adaptaram às aulas online e acreditam que ser o caminho a seguir, outras não querem nem ouvir falar nesse modelo. O mesmo acontece com profissionais da educação. “Para mim, fica de lição que o presencial tem de ser algo além dos conteúdos e cobrança por resultados. Isso o online pode fazer, até sem professor. Também permanecem as possibilidades que se abrem com o digital, a versatilidade, a agilidade e o espaço para a diversidade das formas de expressão”, diz Ligia Mori, diretora pedagógica da Escola Nossa Senhora da Graças, o Gracinha, em São Paulo (SP).
Já para o educador Marcelo Cunha Bueno, diretor da escola Estilo de Aprender (SP) e colunista da Crescer, não há saldo positivo no aprendizado à distância. “A experiência da aula online veio colada à anulação do convívio social, à pandemia, ao medo. Antigamente, se pensava que o ensino online substituiria o presencial, agora vimos que isso nunca vai acontecer. Será um complemento para quem quiser. Hoje não vejo nada de favorável disso. Talvez daqui a alguns anos, afastado desse clima de pandemia, eu consiga fazer uma análise mais crítica e encontrar pontos positivos”, reflete.
Para a psicopedagoga Quézia Bombonato, conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia, é possível tirar proveito da situação: “O formato digital tem características, como foco, persistência e determinação, relevantes para a aprendizagem. Se os educadores se apropriarem desses conceitos e os aplicarem em suas atividades, os alunos poderão desenvolver competências socioemocionais e comportamentais para dar conta das transformações que estão ocorrendo na nossa sociedade”.

SOBRECARGA DAS MULHERES

Os impactos

Mesmo antes da pandemia, elas já dedicavam o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e/ou aos cuidados com outras pessoas, se comparadas aos homens, segundo dados do IBGE. A pandemia foi vivida e sentida de maneira diferente por pais e mães. Segundo pesquisa realizada pela Filhos no Currículo, em parceria com o Movimento Mulher 360, sobre a experiência do home office na pandemia, metade dos pais achou “fácil” ou “muito fácil” conciliar filhos e carreira, enquanto apenas 33% das mães tiveram a mesma percepção. Ou seja, a divisão de tarefas injusta ou inexistente e a sobrecarga delas ficou mais evidente. Por outro lado, muitos homens viram, na prática, como é a realidade e passaram a desempenhar de forma mais ativa seu papel de pai. “Os casais tiveram momentos de discussões profundas, que os fez crescer no relacionamento ou repensar a situação conjunta. Essa experiencia trouxe aprendizados em todos os aspectos e precisamos consolidá-los para um futuro melhor”, diz a pediatra e neonatologista Clery Gallacci do Hospital e Maternidade Santa Joana em Sao Paulo (SP). Outro ponto de destaque com escolas fechadas e falta de rede de apoio, as mulheres estão considerando tirar uma licença ou sair do trabalho. Segundo o IBGE, a participação feminina no mercado de trabalho e a menor de 30 anos.

Próximos passos

Se, mesmo com essa luz que a pandemia jogo na carga mental das mulheres, você ainda sente que o peso maior continua nos seus ombros, abra espaço para um diálogo franco com quem divide a casa e a vida, sobre tarefas domésticas, cuidados com as crianças e jornada de trabalho. O que não dá para viver esgotada, tentando dar conta de tudo, se frustrando porque não consegue se dedicar ao trabalho e nem as crianças. Marque, na agenda, se for preciso um horário para essa conversa depois que as crianças dormirem, façam ajustes de maneira que fique bom para ambos. Toda a família ganha com um ambiente harmônico. E se você está no time de quem anda pensando em abrir mão do trabalho, saiba que não precisa ser assim a não ser que deseje. Busque modelos que conciliem sua necessidade à do mercado, como o staff loan (novo conceito de trabalho temporário em que a empresa faz um empréstimo de funcionários de outras corporações) por exemplo. Se a opção for continuar no emprego em que esta converse com seus supervisores sobre possibilidades de mais flexibilidade e sugira soluções.

“A pandemia me fez valorizar ainda mais a minha mulher. Só passando na prática pelas mesmas dificuldades do dia a dia com as crianças, tarefas domésticas e trabalho extra é que a gente vê como não é fácil.”
Paulo Junior, 36 anos, engenheiro.
Pai de Miguel, 6 anos e Clarice, 3.

SOCIALIZAÇÃO

Os impactos

Avida social das crianças antes da pandemia era farta de possibilidades: escola, cursos extracurriculares, parquinho, programas culturais, casa da avó, dos amigos. De repente, nenhum outro contato além dos pais. Muitas até se acomodaram nas aulas on-line com câmera fechada. “Na volta a socialização, os pequenos mais introvertidos poderão ter um desafio ainda maior. Vejo muitos que estão adorando ficar em casa. Mas com o tempo, vão se readaptar”. diz pediatra Ana Escobar.

Próximos passos

Família e escola devem estar preparadas para lidar com a ressocialização, agora, com máscara e álcool em gel e algum distanciamento. E estar atentas aos pequenos que demonstrarem medo e angústia. Assim como a readaptação as aulas presenciais ainda que em esquema híbrido, a volta ao convívio com amigos e familiares quando a pandemia passar vai exigir esforços das crianças e dos adultos. Não subestime qualquer dificuldade do seu filho nesse sentido, converse, pergunte o que ele está sentindo e pensem juntos em soluções. É importante respeitar as particularidades de cada criança. As que sofreram maior impacto psicológico ou social diante dessas mudanças devem ser acompanhadas por profissionais. “As crianças tem grande capacidade de adaptação. Esperamos que com a volta da escola presencial, recuperem a socialização facilmente”, diz Ana Escobar. Mesmo as bem pequenas que não conviveram com ninguém além dos pais, podem até estranhar no início, mas com paciência, vão acostumar com outros rostos e colos. Tudo questão de tempo.
Agora nos conte: e para você, o que vem pensando mais depois de ler sobre esses impactos que a pandemia nos impôs? Uma coisa é certa: reconhecer as mudanças e seus efeitos na nossa vida facilita traçar estratégias para enfrentar os desafios que ainda temos pela frente. Com clareza, força e esperança. Vamos nessa?

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Exemplo é tudo

Exemplo é tudo...

…e o seu filho tem muito a aprender com ele. Novos estudos mostram que a forma como os pais convivem entre si impacta o presente e o futuro das crianças. A seguir, especialistas contam como o seu relacionamento pode transmitir uma mensagem positiva e ensinar lições preciosas sobre respeito, cuidado e parceria.

Como criar filhos felizes? O que, de fato, precisamos fazer para que as crianças se sintam bem? São perguntas frequentes entre mães e pais. Foram questionamentos como esses, aliás, que levaram a psicóloga portuguesa Paula Cristina Serrano a começar seu trabalho de pesquisa na Universidade do Algarve (Portugal). Ela queria entender o que influencia, afinal, o bem-estar dos pequenos. Para isso, entrevistou 169 famílias com filhos de 2 a 13 anos. Perguntou sobre acesso à educação, faixa de renda, tipo de moradia… Spoiler: a resposta não estava em (quase) nenhum desses tópicos.

A pesquisa mostrou que, na prática, pouco importa salário, formação acadêmica ou estado civil. Para criar filhos felizes é preciso que, antes de tudo, os pais tenham um relacionamento feliz. “As variáveis demográficas não explicam por si só, de forma significativa, o bem-estar infantil. A satisfação conjugal é a única variável que pode fazer isso”, escreveu.

Em outras palavras, a felicidade do seu filho começa por você – e pela forma como os parceiros se relacionam. Pode parecer exagero, mas a pediatra e educadora parental Loretta Campos (GO) garante que existem boas explicações para isso. “Independentemente da estrutura familiar, o que traz a sensação de equilíbrio para a criança é o estreitamento da conexão. Ela se sente amada e conectada quando os pais demonstram interesse nela e entre si.”

Nesse ponto, os especialistas são categóricos: um relacionamento saudável ensina muita coisa aos pequenos. que eles observam dentro de casa serve como base para as outras relações que terão ao longo da vida. “A criança presta atenção em tudo desde bem pequena, e começa um processo de imitação. Quando os pais têm uma relação genuína, o filho leva esses estímulos por muito mais tempo”, diz a psicóloga Rita Calegari (SP).

Se surgiu a pergunta “será que estou no caminho certo?”, basta olhar para si. Se você e seu companheiro se respeitam, são carinhosos um com o outro e resolvem as diferenças na base da conversa, a resposta provavelmente é sim. Caso contrário, calma, ainda dá tempo de resolver. O primeiro passo é entender que um relacionamento saudável é um dos melhores exemplos positivos que pode deixar para o seu filho. O segundo… bem, esse você descobre colocando em prática as dicas que vêm a seguir.

Amor e parceria

Não tem jeito: quando um filho chega a relação com o parceiro se transforma. Mas isso não precisa (e nem deve) ser justificativa para deixar de lado o companheirismo que vocês tinham até então. Com uma criança em casa, mais do que nunca, é importante dividir as responsabilidades, as alegrias e as angústias. Pequenos gestos, como bater papo na hora das refeições, ver um juntos filme ou cozinhar, valem ouro. E todo mundo ganha com eles. Para as crianças, é fundamental ver que os pais se dão bem e que rem compartilhar experiências entre si.

E essa mensagem que o engenheiro de software Luiz Durăes, 40, e a administradora Thais Costa, 35, buscam transmitir ao filho Mateo, 2. “Ensinamos as crianças com pequenas atitudes. Aqui em casa, nosso filho vê que estamos o tempo todo juntos e dividimos as tarefas domésticas. Tenho certeza de que isso vai ser importante quando ele morar sozinho, tiver um relacionamento”, diz Thais. Mas eles também admitem: nem sempre essa é uma missão fácil. “A maior lição que tentamos deixar é a da nossa união. Por mais que a gente discorde em algumas coisas, nunca vou invalidar um posicionamento da mãe na frente dele. Se for preciso, conversamos depois, num outro momento”, conta Luiz. Ponto para eles!

Aceitação e amor próprio

Você provavelmente já ouviu aquela analogia sobre as máscaras de oxigénio no avião. Antes de decolar, os comissários avisam que, em caso de emergência, os adultos sempre precisam garantir a própria integridade antes de começar a proteger as crianças. Essa mesma lógica vale para os relacionamentos em família. Antes de ensinar sobre aceitação e autoestima, os pais devem trabalhar para, juntos, construírem esse ambiente de acolhimento. “A segurança emocional da criança vem daquilo que os pais transmitem. Se o relacionamento carrega violências e críticas, isso pode gerar inseguranças e baixa autoestima”, diz Loretta. Foi exatamente isso que um estudo da Universidade de Cambridge (Reino Unido) mostrou. Mais de 430 famílias foram acompanhadas do último trimestre da gestação até o 24° mês do bebê. Os pesquisadores observaram que a maneira como os pais se relacionavam afetava diretamente o comportamento das crianças. Quanto mais atritos, mais inseguros eram os filhos.

A boa notícia é que também existe um lado positivo nessa história. Se relações ruins influenciam negativamente as crianças, o oposto também é válido. E, de novo, voltamos à importância do exemplo. Quando veem que os adultos lidam bem com as diferenças e aceitam as individualidades um do outro, os pequenos ficam mais seguros para se expressar e ser quem eles são, sem medo de julgamentos. “Os filhos nascem, mas a gente continua sendo um casal, tendo sonhos e vontades próprias. Ao perceber que os pais se respeitam e também pensam em si, a criança vai entender na prática o que é aceitação e amor próprio”, diz Erica Mantelli.

Carinho e gratidão

Acredite: um beijo de despedida ou um abraço depois de um dia difícil fazem a diferença. Vários estudos já comprovaram que o toque e o afeto são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Mas não é só isso. Ter como referência pais que são carinhosos um com o outro também é muito positivo – tanto para os pequenos quanto para os adultos. “O sentido de casal não pode sumir, ele é a estrutura da família. Nem sempre é simples, mas é preciso achar estratégias para manter esse carinho e desfrutar da própria companhia”, diz a sexóloga Carolina Ambrogini, colunista da CRESCER.

Na casa da servidora pública Josie Pretto, 42, e do médico anestesio Giorgio, 40, essa dica é seguida à risca. Todos os dias, depois de jantarem e colocarem o filho Gabriel, 5, para dormir, eles tiram um tempo para ficar a sós, conversar, tomar um vinho… “A gente começou a perceber que isso contribui também para a harmonia da casa e esse clima mais leve contagia o Gabriel”, diz Josie. Ela lembra de um episódio em que o filho ficou na porta da sala com uma flor, esperando a avó voltar de viagem. “Quando contei a cena para a nossa funcionária, ela falou ‘É óbvio que ele agiria assim, ele vê o jeito carinhoso como você e o Giorgio se tratam. Ouvir isso foi muito especial”, conta.

E aqui vale um lembrete: ser carinhoso não tem a ver só com demonstrações físicas de afeto. Mesmo casais que já não vivem mais juntos podem, sim, mostrar para as crianças que a relação de proximidade, preocupação e respeito permanece. Perguntar se está tudo bem, agradecer por compartilhar as tarefas com as crianças, dizer “por favor” e “obrigado” já é um ótimo começo.

Diálogo e solução de conflitos

Para a psicóloga Rita Calegari, existe uma confusão sobre o que entendemos por relacionamento saudável. No fim das contas, tentar manter a fachada de “casal perfeito mais atrapalha do que ajuda. A lógica de que “meu filho não pode saber que estamos passando por uma fase difícil” precisa ser deixada para trás.

Quando as coisas não vão bem, ser aberto e franco – usando o bom senso e respeitando o nível de discernimento das crianças, é claro – faz com que elas se sintam mais seguras e entendam que nenhuma situação é difícil a ponto de não ser resolvida. “A gente tem uma ideia errada de que só as relações perfeitas ensinam e trazem coisas positivas. Às vezes, o medo e a fragilidade ensinam muito mais”, diz.

É na hora da dificuldade, aliás, que os pequenos começam a aprender que os fracassos e conflitos fazem parte do processo (e que não há nada de errado nisso). “Os pais precisam resolver suas diferenças de forma equilibrada e respeitosa, sempre mostrando que estão trabalhando para melhorar. Esse é mais um jeito de ensinar sobre resiliência e adaptação”, explica Loretta Campos. Um bom exercício para colocar em prática, não?

Para colocar em prática

A PSICÓLOGA RITA CALEGARI DÁ DICAS DE ATITUDES CORRIQUEIRAS QUE PODEM MUDAR (PARA MELHORI) O RELACIONAMENTO DO CASAL E DA FAMILIA:

SIM

Conversar olhando nos olhos.
Dar beijos de bom-dia e de boa-noite.
Avisar sempre que chegar ou sair de casa.
Agradecer quando receber ajuda.

NÃO

Gritar ou alterar o tom de voz durante as discussões.
Usar palavras de baixo calão.
Mexer no celular durante as refeições em família.
Criticar o parceiro na frente das crianças.

Matéria original da Revista Crescer.

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Chatos para comer

Chatos para comer

É comum que nos primeiros anos de vida, as crianças façam careta e rejeitem certos tipos de alimentos. Com o tempo, esse comportamento costuma passar. Mas e se não passar? 

Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Michigan (EUA) sugeriu que essa seletividade na hora das refeições talvez não seja “só uma fase”. Os pesquisadores acompanharam os hábitos alimentares de 317 famílias por quase cinco anos. Eles perceberam que 14% das crianças continuavam altamente seletivas para comer mesmo depois dos 3 anos. Para Megan Pesch, autora do estudo, os resultados só confirmam a importância de oferecer um cardápio variado e nutritivo desde a introdução alimentar. Mesmo assim, ela alerta que é preciso ter cautela: nada de pressionar o pequeno a comer o que não quiser.

A pesquisa mostrou ainda que, quanto mais os pais tentam controlar e restringir a dieta dos filhos, mais exigentes eles podem ficar. Isso não significa que, para fazê-los comer de tudo, devemos liberar doces e ultraprocessados. “Ainda queremos que os pais incentivem dietas variadas e saudáveis desde cedo, mas nosso estudo sugere que eles podem ter uma abordagem menos controladora”, diz a pesquisadora.

E o que fazer?

SEM BARGANHAS

Não faça chantagens ou ofereça recompensas para incentivar seu filho a raspar o prato. Pode até funcionar num primeiro momento, mas a longo prazo a tendência é que isso só reforce a recusa alimentar.

ROTINA DEFINIDA

Tenha horários fixos para lanchar, almoçar e jantar. Defina um tempo suficiente te para cada refeição e, se nesse período seu filho não aceitar a comida, não force a barra: retire o prato da mesa e só ofereça outro alimento na próxima refeição.

TRABALHO EM EQUIPE

Convide as crianças a participarem das compras e do preparo das receitas. Ao se sentirem parte do processo, elas tendem a se abrir mais para novas possibilidades.

VARIEDADE NO PRATO

Sempre que possível, adicione os formatos e texturas ao cardápio das crianças. A cenoura que sempre é servida picadinha, por exemplo, pode ser ralada, transformada em purê.

Conteúdo original da Revista Crescer. 

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Educação fora da escola: 6 maneiras de reforçar o aprendizado do seu filho

Educação fora da escola: 6 maneiras de reforçar o aprendizado do seu filho

Livros, jogos, aplicativos, brinquedos e as atividades do dia a dia são jeitos gostosos de acompanhar em casa a relação das crianças com esse aprendizado.

J  a…bu…ti…ca…a…b… ba! “Jabuticaba!” Você consegue se lembrar qual é a sensação de decodificar uma palavra? E a de acertar uma conta? Lidar com letras e números traz descobertas incríveis. Por isso mesmo, merece ter continuidade também fora da escola.

Na leveza do aprender em casa, a família ganha uma chance de deixar a ansiedade de lado e entrar no tempo da criança. “É uma delícia ver as

 hipóteses equivocadas e seu percurso de pensamento”, diz a pedagoga e especialista em alfabetização Denise Pinhas.  Ou seja, esse assunto é bem mais do que aprender a contar de 1 a 10 ou decorar o alfabeto. Trata-se de um processo de aquisição de cultura, de entendimento da sociedade em que vive e de como se comunicar e compreender questões emocionais e práticas da vida. Veja o que você e o seu filho podem fazer no dia a dia para criar mais intimidade com as palavras e os números. 

NA PRÁTICA

O cotidiano vai dar várias ideias para o seu filho ter mais contato com letras e números: como fazer pequenas somas de itens encontrados em casa, numerar partes do corpo, até chegar ao raciocínio de compras e trocos. “Ler a instrução do brinquedo, escrever junto bilhetes na agenda para a professora, ler o cardápio e escolher o prato no restaurante, ter o convite de um aniversário pregado na geladeira para consultar quando e onde será, tudo isso colabora”, diz a educadora Marina Poladian. São oportunidades de entender os vários contextos do uso da escrita e dos cálculos.

JOGOS E BRINQUEDOS

Há as tradicionais palavras cruzadas, mas também vários kits com alfabetos e números (de madeira, plástico, de ímãs para geladeira). E do que e com o que você brincava? “Busque referências da sua própria infância: de que jogos gostava? Stop? Memória com letras? Lince? Compartilhe com o pequeno. Para os menores: escrever com canetinha, lousas de giz, lousas mágicas, caça ao tesouro com pistas, blocos com letras e números, peças de encaixe. Para os maiores, alguns jogos mais estruturados, como o Detetive, Cara a Cara, Master”, indica Marina. Mais dicas: se o kit de brincar de médico vem com um receituário, pronto, é hora de escrever (com as cobrinhas mesmo!) do que o “paciente” precisa. Se o faz de conta é de restaurante, além de anotar os pedidos, também dá para contar o estoque: quantas laranjas, uvas ou talheres tem na caixa?

Curly-haired boy in striped t-shirt with hands behind head lying on grass smiling and sticking out tongue.

POESIA, ADIVINHAS, CHARADAS

A poesia e as brincadeiras frasais, como adivinhas, trava-línguas ou perguntas “inúteis” como as charadas, quebram essa relação de “verdades e significados” com a palavra. A vida toda brincamos com as palavras, trocamos sentidos, podemos inventar maneiras de dizer o que sentimos. Por isso, o som da palavra e os seus significados podem dar sentido musical aos modos de escrita, do mesmo modo que as cantigas tradicionais.

historias-antes-dormir

LIVROS 1, 2 E 3!

A qualidade dos livros para a infância, com conteúdos de não ficção como ciências ou biografias, aumenta e melhora (ufa!) cada vez mais. Abecedários e obras que ensinam números entram nessa seção. Para todas as idades, abra, divirta-se e apresente à criança o que for mais interessante. Como referência para mostrar o de 1 a 10, Uma Lagarta Muito Comilona (Eric Carle, Ed. Callis) e Dez Patinhos (Graça Lima, Ed. Companhia das Letrinhas).

SIGA OS CLÁSSICOS

Como a oferta de “programas educativos” é grande, tanto na TV quanto em canais no YouTube, a dica é seguir mestres do ramo, como o norte-americano Jim Henson, o criador de Vila Sésamo, que há 50 anos nos mostra que ao lado do “educativo” tem de vir sempre o “criativo”. Pela emoção, pelo humor, pelo estranhamento, seja o que for, os pais devem ser surpreendidos e sensibilizados. Além das dezenas de esquetes de Garibaldo, Elmo e sua turma, há o adorável Alfabita, do Mundo Bita, e o mais recente Frankie e Frank, curtas exibidos no NickJr.

ABC NO DIGITAL

Existe uma porção de jogos para celular e tablet para distrair as crianças. No entanto, Marcelo Jucá, escritor, educador e pesquisador do mundo digital, alerta: “No universo de apps encontramos muita coisa mal feita, sem cuidado, ruim. Mas há os que se destacam por conseguir unir, de formas diferentes, o pedagógico e o lúdico ao mesmo tempo. A escolha das cores, da programação e a forma de transmitir os conteúdos faz muita diferença”, diz Marcelo. Entre as dicas do especialista, para brincar com as letras estão o LetterSchool – Escreva Letras!, o Jardim das Letras e o Icruzadinha. No “superapp” Bini Bambini, já há vários tipos de jogos. Todos disponíveis para Android e iOS.

 

Conteúdo original da Revista Crescer. 

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Estudar em casa

estudar em casa

O isolamento social levou muitos colégios a aderirem o ensino a distância. Com o Educar não foi diferente, estamos utilizando a tecnologia a nosso favor, mas compreendemos as dificuldades de conciliar os filhos em casa com a rotina home office. Por isso, separamos 6 dicas para ajudar você e seus filhos a criarem o hábito do estudo em casa!

Entendemos que na situação que vivemos agora é um pouco difícil de aceitar e muito distante da realidade que estávamos inseridos a duas semana atrás. O medo e a ansiedade com os problemas atuais estão presentes a todo tempo, mas precisamos controlar isso para permanecermos bem e para conseguir cuidar das crianças, afinal, elas também não estão acostumadas com toda essa rotina. Portanto, comece o dia respirando e ciente de que é uma fase que exige novos hábitos e atitudes. Por isso, separamos algumas dicas para você e os pequenos conseguirem lidar melhor com esse novo cotidiano.

CRIE UMA ROTINA

A organização é essencial para que o trabalho e os estudos em casa funcionem. Por isso, estipule horários, essa medida ajuda a organizar o tempo do estudante, o que contribui para que ele consiga administrar melhor as demais atividades do dia a dia. Mantenha os hábitos de acordar e dormir nos mesmos horários. A rotina definida garante previsibilidade e segurança para as crianças.

ESTABELEÇA UM LOCAL ADEQUADO

Quando o despertador tocar, é a hora de se levantar e "ir" para a escola, como se fosse sair de casa. Então, acorde no horário, tire o pijama e o mais importante, coloque o aluno em um espaço apropriado para estudar. Assim, poderá guardar de forma organizada os materiais que necessita para realizar as atividades, como cola, tesoura, livros, revistas, jornais, entre outros. Para ajudar, faça um cronograma do dia, mostrando qual é o horário de começar e terminar as atividades.

FAÇA INTERVALOS PARA SE CONECTAR COM AS CRIANÇAS


Se possível, faça intervalos no trabalho para interagir com as crianças. Não precisam ser tempos longos, 10 minutos podem ser o bastante para eles se sentirem mais acolhidos e criar um vínculo maior. Outra estratégia interessante é fazer atividades junto com as crianças. Cozinhem juntos, almocem juntos, tomem banho juntos, conversem ao final do dia, dividam suas experiências, avaliem o que deu certo, o que deu errado e o que pode melhorar. Construam vínculos fortes não só para o dia seguinte, mas para toda vida.

NÃO ASSUMA A ATIVIDADE DO FILHO

É imprescindível que os pais auxiliem seu filho e esclareçam possíveis dúvidas na hora da execução da tarefa, mas nunca assumam a atividade para si. Essa atitude ajuda o professor a medir o grau de dificuldade e o nível de conhecimento da criança ou adolescente.

ESTIMULE O INTERESSE PELO ESTUDO

Na maioria das vezes o estudo não é visto com bons olhos, pois ocupa um tempo em que a criança poderia brincar, assistir à TV, jogar no computador, etc. Então, é recomendável que os pais estimulem seu filho a desempenhar a tarefa diariamente destacando os ganhos em aprendizagem que seu filho pode ter com essa atividade. Outro aspecto fundamental é a família também demonstrar interesse e entusiasmo pela produção da criança. Incentivar o filho a interpretar, avaliar e sintetizar a tarefa e assim trocarem ideias sobre o aprendizado.

Fontes: Revista Crescer e Revista Direcional Escolas. 

MANTENHA A CALMA

É preciso cuidar das próprias emoções para não afetar as crianças. A agitação dos pais pela ansiedade e medo é percebida pelos filhos e isso afeta a forma como todos se comportam. Assim, é necessário ser honestos com os pequenos. Contar o que está acontecendo, explicar sobre os cuidados que precisamos ter em casa. É importante destacar que não precisamos transmitir medo ou preocupação excessiva, mas deixar as crianças saberem o que está acontecendo com o mundo de forma clara. Este momento é um convite para que os filhos se sintam parte da família e possam, inclusive, propor soluções para os dilemas de casa. As crianças querem se sentir pertencentes e, quando se sentem melhor envolvidas nas questões de casa, tendem a colaborar mais.

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Limites

Sobre limites e liberdade

Pais que cresceram muito livres acabaram perdendo referências e hoje se veem confusos entre o diálogo e a imposição de regras. Se você se enxerga nesse impasse, vamos ajudar a encontrar caminhos para enfrentar a jornada desafiadora de educar os filhos.

Crianças desafiadoras, críticas e contestadoras. Pais perdidos entre a conversa e o castigo, inseguros na forma de agir e impacientes na sua busca pela solução de conflitos. Com a atenção dividida entre
o acesso a todo tipo de informação e a procura interna por experiências e vivências pessoais. No horizonte de tudo isso, a tentativa de estabelecer os limites. Os da criança, os dos pais, os da sociedade.
Por que essa relação anda tão conflituosa? Sempre foi difícil estabelecer essas fronteiras e conquistar a autoridade? Sendo essa geração tão diferente da de seus pais, faz sentido educá-la da mesma forma? A resposta para tudo isso é “sim” Mas para cada pergunta há uma explicação, e para os questionamentos há reflexões possíveis. Vamos tentar entender…
Segundo especialistas que estudam a educação de crianças ao longo de gerações, estamos vivendo um momento peculiar em relação aos limites. Quem está criando filho hoje é diferente de quem criou no passado e vive em uma sociedade também bastante distinta. Essas mudanças implicam na educação das crianças.
Um estudo publicado no final de 2018, nos Estados Unidos, pelo pesquisador Patrick Ishizuka, da Cornell University, mostrou que a maioria dos pais de hoje está dedicando mais tempo e dinheiro para os filhos do que faziam na década de 60. Ele aponta que 75% dos 3.600 pais pesquisados no país consideram que uma abordagem centrada na criança e que exige muito tempo para cuidar delas é a melhor maneira de cria-las. O pesquisador chama esse fenômeno no de “paternidade intensiva”.

No entanto, o diferencial dessa dedicação – comparada aquela quase exclusiva que, sobretudo a mãe, dava aos filhos na década de 60- é que hoje ela é focada mais nas expectativas dos pais em relação ao sucesso das crianças do que na sua formação como indivíduo.
Os resultados da pesquisa sugerem que os pais estão passando por uma pressão para gastar tempo e grandes quantias de dinheiro com a preocupação de que os filhos sejam bem-sucedidos.

PARA ENTENDER OS PAIS

A escritora e filósofa Tania Zagury, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem 34 livros dedicados a compreender as relações entre filhos e pais desde a década de 60. Ela explica que foi exatamente naquele momento que a percepção sobre a educação mudou radicalmente. Até então, havia uma hierarquia forte na família, que dava limites de forma rígida. O pai estava no topo da organização, ocupava papel de juiz e provedor financeiro e era chama do em momentos mais decisivos. A mãe estava no meio e os filhos, na base. “Naquela época, bater era considerada uma medida educativa lícita e efetiva”, explica. Medida que, sabemos, não educa, só gera medo, não faz nenhum sentido.

“A revolução estudantil na França, em 1968, repercutiu em todos os países do Ocidente, como um movimento de liberdade de uma maneira geral, e isso refletiu-se na educação das famílias”, diz Tania. “Os jovens que participaram desses movimentos, já sob a influência da psicanálise de Freud, começaram a difundir isso na política e na educação dos filhos.”
O que se segue é uma geração de pais que radicalizam para o outro lado. Da repressão à liberdade total – mas eram leigos e não conseguiram prever as consequências disso. Os pais que criam filhos hoje são os filhos dessa geração.
Embora parte queira dar limites e entenda essa necessidade, eles não sabem bem como fazer e têm dificuldade de abrir mão de seus próprios quereres. 

“Quem não recebeu limite também não gosta muito deter o trabalho de impor. Dar limite é chato, dificil, cansativo, são anos de trabalho diário e ininterrupto”, afirma Tania.
O que se tem observado é uma corrida a especialistas em busca de soluções rápidas e que sejam eficazes como aplicativos. “Vejo pais que pedem remédio para fazer o filho de 2 anos dormir, mas o problema está na rotina deles próprios”, diz a pesquisadora. “Para ensinar respeito ao outro têm uma babá, para resolver um problema na escola chamam um professor. Eles terceirizam a questão dos limites porque não sabem lidar com ela.

PARA ENTENDER OS FILHOS

O psicanalista Christian Dunker, da Universidade de São Paulo (USP), autor do livro O Palhaço e o Psicanalista (Ed. Planeta), explica que as relações interpessoais estão cada vez mais funcionais, e que a pressão por resultados rápidos tem impedido que pais dediquem tempo para escutar seus filhos. “A consequência são crianças que crescem individualistas, pouco aptas ao compartilhamento, muitas vezes egoístas, sem capacidade de empatia. Todas as outras habilidades socioemocionais advêm da escuta.”

Os limites crescem e se tornam mais eficazes quando são transgredidos, se fundo Dunker. “A criança precisa deles para poder infringi-los e recompô-los. E quebrando regras que se aprende a pedir desculpas, a consertar relações, reparar e curar nosso laço com o outro. E normal e saudável que ela não aceite o primeiro não e desobedeça de novo e de novo.”
Para os pesquisadores, os pais têm uma força enorme junto aos filhos na primeira infância, daí a importância da presença de normas bem definidas desde cedo.

A educadora parental Lua Barros diz que essas questões são comuns entre os pais que a procuram em busca de melhorar o relacionamento com os filhos. “E duro remar contra a maré, porque é difícil fazer a criança perceber que nós a estamos preservando. Ela é regida pela vontade de pertencer, de estar em um grupo e pode, mesmo, ficar excluída”, explica. “A partir das escolhas dos pais sobre o que irão ou não permitir, é preciso fortalecer emocionalmente o pequeno para que ele consiga lidar com os amigos.”
Sonegar o acesso, principalmente dos eletrônicos, segundo Lua, cria uma barreira entre os pais e os filhos. Mas, se a decisão for negar, preciso ajudar a criança a construir um repertório para entender por que não vai ter e indicar a ela quando vai poder ter.
Invariavelmente, os pais vão ter de lidar com a persistência, as frustrações e o mau humor, sobretudo dos que estão entrando na pré-adolescência. E entender que a criança vai sempre querer ultrapassar os limites e não vai parar no primeiro “não”.

PARA ENTENDER OS LIMITES

Mas o que significa impor limitações a uma criança? Fazer com que ela aceite um “não” sem explicação e sem contestar? E possível deixar o pequeno falar e argumentar sem perder o controle sobre ele? Qual é o efeito das regras na sua formação como indivíduo?
Para adquirir as competências de regulação nos aspectos emocional, ético moral, social, ela precisa encontrar um ambiente que tenha regras. Se não há, essas capacidades não se de desenvolvem de forma adequada.
Segundo Ramos, conforme a criança cresce, vai se apropriando da habilidade de ela própria introjetar essas normas, até que passam a fazer parte de sua constituição psíquica. “Ela assimila
as regras e vai se estruturando a partir delas quando são boas e o ambiente é coerente, ou seja, quando a cobrança vem acompanhada do afeto.”
Impor limite a uma criança não significa limitá-la nem afastá-la. Muitos se preocupam em perder o afeto dos filhos por desagradá-los. “Em algum momento to você vai descontentar, porque ninguém gosta de ouvir ‘não’. Mas quando a relação afetiva é de boa qualidade o efeito é contrário”, explica Ramos.

Mais uma vez, Christian Dunker reitera que a chave do relacionamento está na escuta. Se ela for bem executada, a criança também vai aprender a ouvir: “Devemos dar atenção a ela, considerando que é uma pessoa que tem o seu próprio ponto de vista. Procure se abaixar para ficar no nível do seu filho, não use argumentos de opressão e estará ensinando como ele pode ouvir e ser ouvido.”

PARA, ENFIM, EDUCAR

De acordo com Fernando Ramos, na medida em que houve uma evolução muito rápida de costumes, com forte influência do desenvolvimento da tecnologia, as gerações mais novas ficaram inseguras. “Esses pais não têm mais um exemplo em que se basear porque as gerações anteriores são criticadas em muitos aspectos. E não sabem o que oferecer no lugar.”
A dificuldade de estabelecer limites e saber lidar com as birras e manhas tirou de Lua Barros o prazer de ser mãe. E foi esse sentimento e da busca pelos motivos que a levaram ao novo ofício de educadora parental. “De repente eu me vi gritando e impondo castigos. Lua tem 37 anos e é mãe de João, 11, Irene, 7, Teresa, 5, e Joaquim, 2. Quando engravidou do último, percebeu que a maternidade estava longe da idealiza da. Hoje, dá cursos para ajudar outras mães e conta que há pais que a procuram quando a criança tem a partir de 1 ano e meio porque não entendem o que está acontecendo com ela. As situações que chegam são as mais diversas, como “meu filho está batendo no amiguinho”, “minha filha está mentindo” comportamentos que são típicos das fases da criança. E aquela família está em pé de guerra, numa disputa de poder exaustiva, que traz desarmonia e acaba rotulando as crianças de “difíceis”.
A educadora parental lembra que a saída para essa situação deve ser sempre entender a criança e procurar, na rotina e no relacionamento com ela, possíveis causas para esse comportamento: “Os pais precisam se conectar com o filho e se desconectar da sua performance. Entender que os problemas estão neles próprios e que as soluções devem partir do afeto. Que a autoridade não se impõe, se constrói”, diz Lua.

Nem sempre é fácil. Porque, para educar, é preciso equilibrar a balança, ter autoridade sem ser autoritário, ponderar entre agressividade e permissividade. O caminho é árduo, mas tem de ser trilha do. Dúvidas costumam surgir nessa jornada: ao mesmo tempo em que os pais não deixam que a criança se frustre por que não querem ter de lidar com choro e birra – que vêm a reboque da imposição do limite -, quando estão fora de casa, segundo Lua, eles se veem pressionados a responder com mais agressividade, porque se sentem cobrados e têm medo do julgamento. “A criança fica sem saber em qual margem segurar, qual o papel do pai e da mãe, afinal. Como reflexo, está sempre testando. O pequeno simplesmente não reconhece os comandos porque eles não são colocados de forma clara”, explica Lua.
Na avaliação da educadora, ao hesitar, esses pais não conseguem exercer sua autoridade sem ser autoritários. “A criança de hoje já se percebe como um ser social desde muito nova e entende que não tem de abaixar a cabeça. Antigamente os filhos entendiam o pai pelo olhar, hoje você pode lançar aquela vi são de raio X e a criança nem se abala.”
“O mais importante é que os pais entendam que, se eles forem coerentes, tiverem regras sensatas e forem consistentes não vão prejudicar os filhos. Pelo contrário, vão ajudá-los”, conclui Fernando Ramos. “Os pais podem até ser criativos e passar isso para os filhos da sua maneira, mas de uma forma equilibrada. E assim que as relações se constroem e se fortalecem.”

 

Conteúdo original da Revista Crescer. 

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A bagunça pode ser boa para o desenvolvimento do seu filho

A bagunça pode ser boa para o desenvolvimento do seu filho

Você sente um calafrio quando chega o fim do dia e percebe que uma infinidade de brinquedos tomou conta do chão da sua casa? Calma, ter um pequeno bagunceiro pode ser um ótimo sinal. Saiba como uma certa dose de caos contribui para o desenvolvimento do seu filho

Quem nunca entrou no quarto do filho e deu aquele pisão em uma peça do bloco de montar que estava ali espalhado pelo chão junto com milhares de bonecos, lápis e canetas pelos cantos, sem contar nas roupas jogadas e tudo junto e misturado no guarda-roupa? Bem aquela cena digna de pesadelo para a maioria dos pais. Se isso já aconteceu com você, provavelmente respirou fundo e tratou de arregaçar as mangas e já começar a colocar “tudo em seu devido lugar”. Mas será que é preciso mesmo uma intervenção tão brusca? É verdade que a organização trouxe imensos avanços para a sociedade. Desde as coisas mais simples, como a divisão de alimentos nas prateleiras de supermercados, até as mais complexas, como os números de registro, facilitam nossas vidas e otimizam nosso tempo. Porém, na busca por catalogar e manter as coisas sob controle, talvez tenhamos ido longe demais. Ambientes ultralimpos e perfeitamente ordenados acabam se tornando estéreis, e não permitem que as oportunidades de desenvolvimento trazidas por um pouco de caos apareçam. Difícil de acreditar? Pois a ciência comprova.

BAGUNCEIROS OU CRIATIVOS?
 

Uma pesquisa da Universidade de Iowa (EUA) com 72 bebês de 16 meses descobriu que os mais bagunceiros têm mais facilidade para aprender e reter novas palavras. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores apresentavam a eles objetos não sólidos, como geleia de morango, e lhes davam um nome inventado com palavras mais simples e desconhecidas pelos pequenos (“kiv”, “dax”, etc…). Minutos depois, mostraram o objeto em um formato diferente, por exemplo, dentro de um pote, e pediam aos bebês para dizer o nome do mesmo. Cerca de 70% dos bagunceiros (que amassaram a geleia, colocaram na boca ou jogaram no chão) conseguiam acertar a resposta, enquanto entre os que usavam “táticas mais contidas”, como tocar na pasta apenas com a ponta dos dedos, a taxa de acerto foi de 50%.

Ou seja, quando der vontade de dar uma bronca no seu filho porque ele revirou tudo, olhe a situação por outro prisma: na verdade, ele está à vontade para coletar informações sobre o ambiente que o cerca e isso é fundamental para o aprendizado.

“A bagunça está relacionada à criatividade e à exploração”, diz a psicopedagoga Teresa Andion, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia. É o que acontece na casa da fotógrafa Débora Franco, 27 anos, mãe de Giovana, 1. Como a filha tem paixão por mexer nas gavetas de roupas e armários da cozinha, ela já não liga mais. “Vejo como a Giovana fica feliz nessas atividades e não consigo resistir”, confessa. A única preocupação da mãe é em relação à segurança. Por isso, alguns itens, como eletrodomésticos, são proibidos. “O resto está liberado!”, diz.

Mas nem sempre é fácil virar a chave e refletir. Em um estudo com 2 mil pais e crianças de 11 países, financiado por uma marca britânica de produtos de limpeza, mais da metade dos adultos entrevistados (57%) admitiram que prefeririam ver os filhos brincando com um iPad do que com uma caixa de tintas “para não haver sujeira” e “por ser mais prático”. A psicóloga Patrícia Bader, do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim (SP), ressalta que esse tipo de atitude tem efeitos negativos para o desenvolvimento. “Para a criança, a casa é um grande laboratório de experimentação. Se o ambiente se mostra restrito e limitado, esse universo de descobertas sofre”, diz.
Preocupada em promover experiências que consigam competir com o apelo da tecnologia, a representante comercial Daiane Trindade, 34, mãe de Ana Paula, 7, e Maria Luiza, 2, permite e incentiva brincadeiras que podem acabar na maior sujeira, como massinha e canetinhas. 

“Tenho duas bagunceiras e amo isso. Elas são a vida da nossa casa. Fizemos um quarto especial de brincadeiras. Às vezes, a bagunça se estende um pouco para fora, mas elas já entenderam que, quando isso acontece, tem que organizar depois”, conta.
E quem não tem em casa um espaço exclusivo às atividades mais desordeiras? A dica é determinar horários para esse tipo de brincadeira em um dos cômodos. Por exemplo, a sala de estar fica liberada para a bagunça da hora que a criança acorda até o momento de ir para a escola. Mas, antes de sair, o ideal é que ela colabore para deixar o ambiente em ordem. E, de noite, o cômodo pode ser usado para atividades mais calmas, como ler e ouvir música.

ORDEM NA CONFUSÃO

Mas é claro que tudo tem limite. Para saber a diferença entre uma situação de bagunça organizada e de caos total, o primeiro sinal – antes de começar a brigar e a arrumar o quarto pela criança – é observar se ela está conseguindo encontrar os próprios brinquedos ou se está perdendo com frequência suas coisas. Pois, nesse caso, vale a pena intervir (confira dicas ao lado) de modo que ela aprenda a interagir com espaços e objetos de uma maneira saudável, digamos assim.
O quarto é o campeão das reclamações – e pode se tornar um verdadeiro campo de batalhas familiar – quando se trata de organização. Muitas vezes, porém, as aparências enganam. Nas situações de bagunça organizada, a cena pode parecer caótica, mesmo assim a criança sabe exatamente onde está cada coisa e demonstra cuidado em conservá-las. Repreendê-la, nesse caso, não surte o efeito desejado e ainda pode gerar ressentimentos. Para a psicóloga Natália Campos Bernardo, do Hospital Sepaco (SP), “o melhor a fazer é conversar e encontrar um meio-termo, estabelecendo regras coletivas e, principalmente, respeitando as individualidades de cada um”.

De modo geral, nos cômodos de uso de toda a família, as regras podem ser mais rígidas – com horários para a bagunça, como já falamos. Já no quarto da criança, tudo bem ela guardar as roupas nas gavetas que achar melhor. “Os pais não precisam ser tão rígidos a ponto de impor seu método de organização no espaço dos filhos. É como quando você pede à criança para desenhar. Se diz exatamente como a figura deve ser, além de podar a imaginação, aquilo se torna uma tarefa que ela não tem mais vontade de fazer”, diz a psicóloga Gláucia Benute, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário São Camilo (SP).

Agora, é fundamental diferenciar um comportamento mais bagunceiro de indisciplina. Uma coisa é a criança explorar o ambiente, outra é ter atitudes que são destrutivas para si – como ser negligente com seus brinquedos ou materiais escolares – e para os que estão à sua volta, jogando o tempo todo o controle remoto da TV no chão, por exemplo. Por isso, a principal regra para um convívio harmonioso é entender que cada um tem uma maneira de lidar com a vida e com a organização. Isso significa que uns são mais bagunceiros do que outros, mas é preciso ter o mínimo de ordem para não haver problemas em ambientes comunitários – como o condomínio, a escola –, tanto hoje quanto na vida adulta. E o ponto de partida para isso é aí dentro da sua casa.

Matéria original da Revista Crescer.

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Hora da lição de casa

Hora da lição de casa

Tem criança que faz numa boa e tem aquela que sofre e inventa mil desculpas para fugir desse momento. Há a mais independente e a que não desenha nem uma bolinha sem ajuda. Como é na sua Família? Conversamos com especialistas que mostram soluções para tornar a ocasião mais proveitosa e prazerosa para todos.

Acorda, põe o uniforme nos filhos, arruma a mochila, monta a lancheira, leva para a escola, vai para o trabalho. Busca, chega em casa e, finalmente, vai descansar.  Será que essa é a rotina mais comum das famílias? Definitivamente, não. Porque, muitas vezes, ainda tem o dever de casa dos pequenos… E, se os pais tivessem apenas que lembrar as crianças de fazer a tarefa, seria moleza. O problema é que muitos vivem um verdadeiro drama quando esse momento do dia chega. É o caso da secretária Patrícia Leandro dos Santos, 32, mãe de Sophia, 7, que passa horas para convencer a filha a fazer a atividade. “Uma simples tarefa de 15 minutos acaba levando uma hora, porque Sophia pede Água, quer ir ao banheiro, interrompe a todo instante para fazer qualquer coisa, menos focar na lição”, conta. Se ela não coloca a filha para fazer a tarefa, acaba tendo problema depois, inclusive com bilhetes na agenda, lembrando que a menina não cumpriu os afazeres. “É muito estressante”, diz Patrícia. 
O dever de casa é uma pratica comum na maioria das escolas do Brasil e do mundo. “Embora não haja muitas evidências científicas sobre a importância da lição de casa no aprendizado, o que sabemos é que quanto mais se pratica, mais se aprende. Isso vale para todos os processos de aprendizado”, afirma a neurologista infantil Rosana Cardoso Alves, coordenadora do grupo de Neurofisiologia Clínica do Fleury Medicina e Saúde e orientadora do programa de pós-graduação do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).  
Segundo a educadora da ONG Amor Exigente Rosângela Grando Ramos (RS), que trabalhou por 35 anos em escolas públicas e privadas, a tarefa tem de existir, mas deve ser mais envolvente e criativa. “Os pequenos amam pesquisar, recortar curiosidades, recontar histórias e adoram desafios lógicos. Quem não acha estranho o coletivo de borboletas [panapaná/panapanã]? Será que há algum país europeu que comece com a letra Y? É preciso criar situações atraentes para capturar a atenção das crianças”, diz.

Mais responsabilidade 
Ainda que a necessidade de haver ou não tarefa seja motivo de discussões entre profissionais e até pais, uma questão é unânime: o dever de casa ajuda a criança a ter mais responsabilidade. “A tarefa tem função de mostrar que, mesmo na infância, ela tem obrigações que são dela, não dos pais”, afirma a neuropsicóloga Deborah Moss (SP). E, por isso, os adultos não devem se envolver tanto com a atividade a ponto de querer resolve-la pelas crianças.  
Para a educadora Cristina Nogueira Barelli, coordenadora do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades (SP), o dever de casa é positivo, na medida em que ajuda a fixar o conteúdo ou, ainda, funciona como um estudo prévio para atividades que serão desenvolvidas em sala de aula. “É algo importante, desde que tenha significados e objetivos claros, e contextualizados com o que estão trabalhando na escola”, diz.  
Para que as crianças valorizem o momento de fazer o dever de casa, precisam se sentir comprometidas com a atividade. Um estudo realizado em 2018 por uma Universidade da Finlândia com 2 mil crianças atestou que, quanto mais ajuda as mães fornecem, maior a dificuldade dos filhos em assumir responsabilidades. “Quando a mãe dá ao filho oportunidade de fazer a lição de casa de forma autônoma, envia a mensagem de que acredita nas habilidades e capacidades dele, que por sua vez, faz a criança confiar em si mesma”, explica a pesquisadora do estudo, Jaana Viljaranta. Por outro lado, quando a ajuda é excessiva, especialmente quando não foi solicitada, os pais podem passar a mensagem de que não botam fé na capacidade do filho. “É claro que sempre devem oferecer auxílio concreto quando o pequeno claramente precisa, isso deve ser algo que deve ser disponibilizado automaticamente em todas as situações”, orienta Jaana.
 

Com ou sem supervisão, o fato é que cada criança tem um jeito próprio de encarar o momento de fazer a tarefa de casa. E diante dos diferentes comportamentos, você pode adotar algumas estratégias para que essa hora seja mais leve e produtiva para toda a família. É importante, apenas, não rotular o pequeno referindo-o como “superinteligente” ou “Preguiçoso”. Porque, no fim, as crianças com uma característica mais marcante, podem apresentar outras também.  
A seguir, conheça como diversos perfis de crianças encaram a lição de casa e a maneira mais tranquila de lidar com elas e ajudá-las. 

The Flash 
Ele mal sentou e, em pouco minutos, está tudo pronto. Se essa cena tema a ver com o seu filho, a principal dica é conferir se ele fe o que foi pedido na lição. “Em caso positivo, não há problema em ele ter sido ágil”, diz a educadora Cristina Nogueira Barelli. Gabriel, 10, é um faz-tudo-rapidinho. Ele acaba os afazeres em classe tão depressa que a escola resolveu abrir uma exceção. “Como Gabriel tem raciocínio rápido, conclui as atividades primeiro. Os professores passaram a permitir que fizesse a tarefa lá, porque ele tumultuava a aula, já que ficava ocioso”, conta a mãe, a advogada Luzia More Borges, 37. 
Se, para Gabriel, terminar a lição logo é apenas uma característica e não atrapalha, para outro pode ser sinônimo de dever malfeito. Nesse caso, o melhor é acompanhar a criança de perto. “Faça perguntas que instiguem o interesse do seu filho no que ele está trabalhando. Pergunte o que ele achou do exercício, o que aprendeu na escola sobre o assunto… e elogie o que ele conseguiu fazer”, orienta Cristina. Já se o seu filho termina as tarefas depressa, mas não dedica a elas atenção suficiente, analise se o momento da lição está adequado. “Uma criança com pressa para brincar não conseguirá conciliar os interesses de maneira produtiva”, diz a pedagoga Camila Lavagnoli, especialista em rotina infantil (ES). O ideal é ela ter tempo para a lição, mas também para outras atividades, inclusive as que lhe dão mais prazer.  

Que tarefa é essa? 
“Ela nunca está atenta à lição”, lamenta a secretária Patrícia, 32, mãe de Sophia, 7. “Nós, pais, recebemos notificações sobre as tarefas por um aplicativo, então, se eu não olhar e falar dos compromissos do dia, ela não está nem aí”, diz. Na casa da fisioterapeuta Juliana Dalcico, 38, mãe de Luiza, 6, não é diferente. “Minha filha até sabe que tem dever, mas tenho de chamá-la para que ela o faça. É superdesgastante para mim e para ela”, conta. 
Para ajudar Sophiae Luiza a lembrarem do dever de casa, a sugestão da educadora Cristina é criar estratégias para que, aos poucos, elas possam ficar mais independentes. “Por exemplo, combinar um horário e, todo dia, colocar um alarme para tocar, sinalizando o compromisso. Ou pedir para a criança escrever um bilhete para ela mesma se lembrar de fazer a lição, e colocá-lo em um lugar de fácil visualização”, orienta. Já a pedagoga Camila explica que o problema do esquecimento pode estar na falta de concentração. “Incentive seu filho a desenvolver essa habilidade. Pesquise por jogos que estimulem a atenção e faça do momento da brincadeira algo prazeroso. Outra dica: na volta da escola, peça para ele contar três tópicos importantes que aprendeu naquele dia. Assim, você também estará ensinando seu filho a se concentrar”, diz Camila.  

Perfeitinho 
Na casa da pedagoga Fernanda Bornich, 39, mãe de Ângelo, 8, a prática da lição de casa funcionou bem. “Ele chega da escola, se troca, almoça e faz a tarefa. Não fico em cima, ele se vira sozinho desde sempre. Tem foco, senta e estuda”, conta. No entanto, o problema tem sido perfeccionismo. “Ele se cobra muito. Não admite falhas na tarefa, tudo tem de estar impecável. Às vezes, chega a sofrer. Meu discurso sempre foi: faça o seu melhor, não importa a nota e, sim, o que aprendeu. Mas não tem jeito, isso é dele”, diz. 
O mesmo acontece com Stefano, 8. “Ele quebra a cabeça para fazer o dever com capricho. Mas mesmo com tanto empenho, de vez em quando, demora mais do que gostaria e se estressa”, conta a mãe, a economista Adriana Pereto Rocha Paes, 43. Segundo a pedagoga Camila Lavagnoli
, o perfeccionismo, muitas vezes, pode levar à frustação, caso as coisas não ocorram como o esperado. Então, como ajudar seu filho? “Quando algo fugir do controle, explique a ele que errar faz parte do ciclo de aprendizado de todas as pessoas. Conte alguma experiência concreta sobre a situação vivida por você. Reconheça e valide os sentimentos dele e ajude-o a ter outros pontos de vida.  

Depois eu faço  
A professora de educação física Camila Braga, 24, mãe da Bianca, 7, sabe bem como é conviver com alguém que vive procrastinando. “Minha filha sempre deixa tudo pra mais tarde. Quando pergunto se tem lição, ela fala que não. Olho a agenda, e ela ‘muda de ideia’. Tenta enganar a avó, afirmando que eu conferi que não havia tarefa. Quando não consegue tapear mais ninguém, enrola para sentar na cadeira, para pegar o lápis, dá vontade de fazer xixi, fome, a picada do mosquito começa a coçar…”, conta. 
A educadora Cristina lembra que, às vezes, é importante dar um tempo para a criança relaxar antes de começar o dever. “Combine um prazo limite e deixe o pequeno brincar ou assistir ao programa favorito. Quando o período acordado vencer, é hora de fazer a tarefa”, sugere. 
Já a pedagoga Camila diz que a falta de rotina pode colaborar com o comportamento de deixar tudo para depois. Definir uma agenda diária de afazeres, deveres e prazeres ajuda o pequeno. “Toda criança precisa disso para se sentir mais segura e ter noção do que vai acontecer naquele espaço de tempo. Juntos você e seu filho podem montar um painel com as atividades da semana, incluindo o momento da lição de casa”, orienta. 

Não, não e não 
Se o seu filho é daqueles que não querem saber de tarefa, primeiro, é interessante entender o porquê da recusa. A saída é conversar. Pergunte: “Por que quer fazer outra coisa, e não a lição? Do que você não gosta?”. “Certamente, o diálogo vai trazer informações importantes para que você consiga ajudá-lo a reverter a visão negativa sobre os estudos”, diz a pedagoga Camila Lavagnolli. Os pais também podem e devem pedir ajuda da escola. “Eu mesma já sugeri, certa vez, que a professora deixasse minha filha fazendo a lição na hora do recreio. Não como castigo, mas para que ela entendesse que suas atitudes têm consequências”, conta a neuropsicóloga Deborah Moss. A especialista explica que fez isso porque, no dia anterior, a menina havia se recusado a fazer o dever. “Depois do episódio da lição na hora do intervalo, minha filha chegou da escola dizendo: ‘Pensando bem, é melhor eu fazer em casa, mesmo’. E ficou resolvido”, conclui.  
É importante deixar claro para a criança que a lição de casa é uma obrigação dela. “Trata-se de um contrato estabelecido entre ela e o professor, e deve ser um momento de responsabilidade e de aprendizagem”, diz a educadora Cristina Barelli. Lembrando que, para alguns acordos na vida, não há negociação.  

 

 

Confira dicas que vão fazer a diferença na hora das tarefas

1.

Crie um espaço convidativo, limpo e iluminado. Cadeira e mesa ajustadas à altura da criança podem ajudá-la a se sentir mais confortável;

2

Afaste aparelhos eletrônicos, brinquedos, alimentos ou qualquer outro objeto que possa causar distração;

3

O mesmo vale para os irmãos ou outras crianças. Seu filho terá dificuldade para se concentrar com pessoas se movimentando e conversando por perto;

4

Defina, com a criança, o melhor horário para a lição, levando em conta a rotina da casa e a personalidade dela.

Conteúdo original retirado da Revista Crescer.

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Sexualidade

Sexualidade

Como falar sobre com seu filho.

Lidar com as curiosidades e os comportamentos das crianças em cada etapa do desenvolvimento – sem recorrer à cegonha nem estimular uma sexualidade precoce não precisa ser um bicho de sete cabeças. Na verdade, é um processo mais natural do que parece. Não sabe por onde começar ? 

Ao longo das gerações, o método universal mais adotado para lidar com as questões da sexualidade na infância pode ser resumido em três passos:

  • Fingir que absolutamente nada está acontecendo
  • Esbravejar algo como “ tira a mão dái ! “
  • Responder ás curiosidades embaraçosas com “ Você não tem idade para essas coisas “

Tudo bem admitir que as vezes é mais fácil  arrancar um dente do que falar sobre o assunto com as crianças. Assim como outros pais, talvez você só esteja esperando o “momento certo” e acabe concluindo que falta muito para o aniversário de 18 anos do seu filho.

Até o dia em que você flaga sua pequena de 3 anos dizendo para o priminho:

“ Quer ver minha pipita ? É diferente da sua!. Ou se vê interrogado pelo seu menino em fase pré-escolar sobre como exatamente a sementinha do papai foi parar na barriga a mamãe… e se convence de que não será possível adiar tanto esse tipo de conversa. Mas quando e por onde começar? A educação sexual não estimularia um desenvolvimento precoce?

Vamos lá: boa parte do tabu está ligado ao que as pessoas entendem quando ouvem “sexualidade”. Se o que vem à cabeça é “o ato em si “ e vivencias eróticas do mundo adulto, é compreensível que achem inapropriado ou mesmo inaceitável abordar o tema na infância. Mas o termo diz respeito à identidade, auto estima, afeto, relacionamentos … Portanto, nascemos e morrermos sexuais, mesmo que nunca pratiquemos sexo na vida . “ a sexualidade não depende da puberdade para florescer “, afirma a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo, presidente do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela evolui naturalmente em todas as crianças desde o útero, a despeito de lhes explicarmos ou não o que está acontecendo.

Nos primeiros anos de vida, principalmente, as crianças aprendem por meio da observação. Ou seja, ensinamos mesmo quando permanecemos em silêncio. Como explica o psicólogo e professor da Universidade Harvard John T. Chirban no livro recém – lançado How to Talk with Your Kids about Sex ( “ Como falar sobre sexo com seus filhos “, em tradução livre, Editora Thomas Nel0osn), ainda que não percebam , os adultos enviam mensagens sobre seus medos e crenças a respeito da sexualidade o tempo todo. Por exemplo, pela maneira como Lidam com a própria nudez ou evitam a palavra vagina. Os pais precisam entender o processo de desenvolvimento sexual de seus filhos para guia-los, afirmou o professor em entrevista.

Na prática, significa estar atento as necessidades  dificuldades deles, criar um vínculo capaz de oferecer suporte honesto e respostas sólidas. “ Isso empodera as crianças, faz com que elas saibam o que querem ou não querem e comuniquem de forma eficiente. Incerteza gera vulnerabilidade “

O preço da falta de Informação

Quando os pais se furtam dessa responsabilidade, permite que outras fontes (talvez menos idôneas )se tornem instrutores de seus filhos. Despreparados, eles correm muito mais riscos – violência sexual, gravidez não planejada e e infecções sexualmente transmissíveis são apenas alguns. Melhor garantir em casa que tenham informação e autoconfiança suficientes para tomar decisões que irão mantê-los saudáveis, seguros e felizes, não? Precisamos superar o mito de que a educação sexual pode erotizar ou incentivar a iniciação sexual precoce” afirma a pedagoga Caroline Arcari, autora do premiado livro Pipo e Fifi: Prevenção de Violência Sexual na Infância. Editora Caqui. Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que programas de qualidade ajudam os jovens a perdr a virgindade mais tarde, reduzir o numero  de parceiros e usar mais camisinha. A ONU, por exemplo, disponibiliza à Unesco e outras instituições uma espécie de cartilha com orientações para a implementação de educação sexual entre 5 a 18 anos.

No Brasil, quase 30% dos alunos de 9º ano do ensino fundamental ( cuja idade média é 14 anos ) já tiveram relação sexuais, segundo uma pesquisa do IBGE divulgada em 2015. Muito antes, parte considerável das crianças e adolescentes já teve experiências como beijo de língua e toque sem roupa;” O conceito que a maioria dos pais tem sobre falar de sexo com os filhos envolve apenas prevenção contra a gravidez  e doenças, afirma a educadora sexual Maria Helena Vilela, cofundadora do Instituto Kaplan – Centro  de Estudos da Sexualidade Humana. Não adianta tocar no assunto uma única vez e já na adolescência. “Uma pesquisa da Universidade Brigham Young (EUA) que avaliou o nível de comunicação sexual entre mais de 500 filhos e pais ao longo de dez anos corrobora a opinião da especialista : uma conversa vaga e genérica sobre sexo não é eficaz. Os jovens com atividade sexual mais segura tiveram comunicação continua sobre sexualidade em casa.

Outro dado curioso foi apresentado no ano passado em um evento da Pediatric Academic Societies: enquanto 90% dos pais de jovens ente 13-17 anos afirmam que falam de sexo com seus filhos, apenas 39% dos adolescentes reportaram o mesmo . “ Às vezes os pais falam o mínimo e têm a percepção de que cumpriram sua missão “ explica o educador sexual Marcos Ribeiro, autor de livros infantis como Sexo Não é Bicho-Papão! Editora Zit. “ As conversas devem acontecer no dia a dia e desde muito cedo. “ A pedagoga Caroline Arcari compara com a educação no trânsito: “Quando as crianças ainda andam no colo  de mãos dadas com os pais, ensinamos que é preciso olhar o semáforo e atravessar na faixa porque queremos protegê-las. Então, por que não orientamos sobre sexualidade, dosando a linguagem e o conteúdo de acordo com a faz do seu desenvolvimento?”.

DESCOBERTAS NATURAIS

Para muitos especialistas, os pais podem começar a educação sexual antes mesmo que os filhos aprendam a falar. Isso significa, por exemplo, incorporar os nomes corretos dos órgãos genitais (pênis e testículos; vulva e vagina ) em contextos cotidianos, como na hora o banho. Tudo bem recorrer a apelidos fofos como “ pepeca “ ou “pipi”, mas é importante que as crianças saibam como se chamam de verdade. Talvez soe estranho para você, mas tente ser espontâneo com se estivesse dizendo “joelho”. Lembre-se que pudor começa nas palavras. Se você não consegue nem referir literalmente a essas partes do corpo, como espera que seu filho se sinta à vontade com elas ?

Com a retirada das fraldas, as crianças passam a ter mais acesso aos genitais, portanto é natural que explorem o novo território da própria anatomia e descubram sensações gostosas.

Com a retirada das fraldas, as crianças passam a ter mais acesso aos genitais, portanto é natural que explorem o novo território da própria anatomia e descubram sensações gostosas.

“É um prazer infantil”, explica a psiquiatra Carmita Abdo, fundadora do Programa de Estudos em Sexualidade (USP).” Elas não têm a capacidade de erotização do adulto”,afirma. Apenas constatam algo como “olha, é diferente quando toco nesta parte do meu corpo!”. E, por não haver malícia nem compreensão das regras sociais, é comum que façam isso num almoço de domingo com a família inteira na sala.

Foi mais o menos que aconteceu na casa de uma operadora de telemarketing, ela flagrou o filho João Lucas, 3 anos mexendo no pênis, enquanto assistia a um desenho. ”Perguntei se ele estava com vontade de fazer xixi, e ele respondeu que achava que sim, porque o “birilo” (apelido que damos em casa ),estava ficando duro”, conta a mãe. Ela lidou normalmente com a situação e o levou ao banheiro.

Episódios de masturbação como esses são típicos da idade, e considerados quase aleatórios e inconscientes. A partir dos 3 anos, você já pode falar sobre privacidade. Jamais castigar o filho ou reagir de forma que ele se envergonhe da atitude.  Aproveite para a introduzir a noção de consentimento, explicando que os genitais são especiais e ninguém deve tocá-los – a não ser os pais, avos ou outros cuidadores durante o banho ou limpeza. E que, caso aconteça, ele deve contar a você não vai ficar bravo. Nessa fase, a criança também começa a reconhecer o gênero ao qual pertence e a reparar nas diferenças anatômicas entre meninos e meninas. Correm peladas, arrancam as roupas das bonecas, espiam os coros dos pais com mais atenção e se envolvem em dinâmicas tipo “ mostra-o-seu-que-eu-mortro-o-meu”. Por mais assustador que seja flagrar os chamados “jogos sexuais infantis”, conhecidos como “ troca-troca”ou “brincadeira de médico”, recorrentes entre os 7 e os 10 anos, interprete o comportamento dob a ótica da criança. “ Essa exploração deve ser encarada  com naturalidade , não há nada de inadequado”, afirma a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo. “ A maldade e o erotismo estão no olhar do adulto.” Da mesma forma, cuidado com a reprodução dos estereótipos de gênero. É importante que as crianças saibam, por exemplo, que meninas pode jogar bola e meninos, brincar de boneca.

Em geral, aos 3 anos, elas já especulam de onde vêm os bebês, mas suas ideias costumam ser tão embrionárias quanto “ eles vêm do hospital”. Eventuais perguntas sobre o amor e sexo não merecem palestras, mas respostas simples, que não antecipem informações desnecessárias ou além do que a criança é capaz de captar. Entre 4 e 5 anos, o interesse pela reprodução aumenta e os pequenos procuram saber como uma mulher engravida e por onde o bebê sai. Quando engravidou da filha Manuela , 1 ano, a fotógrafa precisou explicar para o primogênito, Lorenzo,5anos, que o papai havia colocado uma sementinha em sua barriga. O problema foi que o menino não se contentou e quis saber “como”. Fugi da resposta, porque fui pega de surpresa e não sei como falar do assunto sem que ele perca a inocência “. A dica é fornecer detalhes aos poucos e evitar metáforas demais.

Entre 6 e 8 anos, à medida que são alfabetizados, as duvidas se multiplicam. Você pode buscar ajuda em um livro infantil com ilustrações sobre a mecânica reprodutiva ( o-que-vai-aonde-de-que-forma) e as mudanças corporais que enfrentamos com a puberdade, como  aparecimento de pelos e espinhas. Assim a criança vai encarar com mais naturalidade aspectos do próprio desenvolvimento no futuro (mais próximo do que você gostaria de admitir) –incluindo menstruação e ejaculação, lá pelos 8 ou 9 anos. Nessa idade, provavelmente seu filho está online com ou sem sua supervisão. É importante discutir regras sobre conversar com estranhos nas redes sociais e compartilhar fotos. Para evitar que ele entre em contato com conteúdo pornográfico, talvez valha a pena instalar filtros nos aparelhos digitais. Segundo uma pesquisa da GuardChild realizada em 2018, 70% das crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos afirma ter encontrado pornografia acidentalmente enquanto navegavam na internet por outros motivos. Essas imagens podem criar uma noção incrivelmente distorcida de consentimento, prazer, saúde e segurança.

Educação SEXUAL na Escola

Os capítulos sobre camisinha e métodos contraceptivos devem surgir mais para a frente, por volta dos 11 anos. È mais ou menos nessa fase que a educação sexual surge nas salas de aula. No Brasil, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, ela deve ser discutida  a partir do 8ºano do ensino fundamental II, de forma transversal – ou seja, dentro de todas as disciplinas . Mas não há diretrizes claras e a obrigatoriedade e um currículo elaborado por especialistas. Em geral, a tarefa fica a cargo dos professores de biologia, que acabam tratando apenas do ponto de vista reprodutivo em aulas pontuais. As escolas particulares têm autonomia para tratar a questão, e poderiam ter uma disciplina especifica. No entanto, a maioria também costuma abordar o tema dentro da matéria de Biologia. Durante as ultimas eleições presidenciais, fake News e movimentos conservadores popularizam o termo “ideologia de gênero” para se posicionar contra a educação sexual nas escolas – que tem o apoio de  54 % dos brasileiros, de acordo com uma pesquisa da DataFolha realizada em dezembro passado. Argumentam, por exemplo, que os professores estariam “doutrinando” as crianças, que “menino pode ser menina”.

Para muitos profissionais da área, não há evidencias de que isso esteja acontecendo, muito menos de forma generalizada. Se as escolas mal abordam os aspecto biológicos e reprodutivos da sexualidade entre os adolescentes, estariam discutindo identidade de gênero e orientação sexual com as crianças? E, ainda assim, explicar a existência desses conceitos não torna alguém transexual ou gay – questão de identidade e não de escolha – , mas colabora com o combate à discriminação. De qualquer forma, é preciso melhorar a formação dos professores e o acesso a recursos didáticos de qualidade. Embora caiba à família o papel de educar para a sexualidade; é também no contexto doméstico que acontece quase 70% da violência sexual contra crianças no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 37% dos casos, os agressores convivem com as vitimas – pais e padrastos são os mais denunciados.

Toda criança te direito à informação de qualidade e proteção. “Os pais tem mais condições de avaliar o amadurecimento da criança para dar uma educação mais personalizada”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo. O problema é quem nem todos estão dispostos ou preparados para a tarefa. Quanto antes você abrir esse canal de diálogo sobre sexualidade com seus filhos, mais fácil será lá na frente. Preliminares são fundamentais. Tentar explicar para um pré-adolescentes sobre sexo sem nunca ter tocado no assunto é como ensinar álgebra sem que ele saiba letras e números. Você não saberá por onde começar . E ele terá informações demais para assimilar de uma vez.

Matéria original da Revista Crescer.

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