Andar com fé eu vou

Andar com fé eu vou

Não estamos falando de religião. E sim de acreditar (e agir) na criação de um mundo melhor. Veja o que diz a ciência sobre a importância de ser otimista para a saúde física e mental do seu filho, especialmente em tempos tão difíceis como os que estamos vivendo.

Certa vez, o escritor e historiador Leandro Karnal, brincou em uma de suas palestras dizendo que filhos são o pior investimento do mundo. Pois, além de caros, demandam atenção constante, retribuem pouco ou nada e, em algum momento da vida, nos dizem “eu te odeio”. Sem contar que, eventualmente, podem nos colocar num asilo. E por que, então, nos damos ao trabalho de formar uma família? Segundo ele, por conta do otimismo. “Estamos aqui porque pessoas se amaram e acreditaram. O futuro só existe por causa dos otimistas”, concluiu, provocando sorrisos na plateia.

É verdade que, ultimamente, não tem sido fácil manter a positividade. Como explica o historiador, em entrevista à CRESCER, trata-se de um movimento pendular. “O período pós Segunda Guerra, por exemplo, foi tomado de otimismo”, diz. Isso porque, segundo ele, as gerações de então acreditavam em um mundo mais justo e próspero para todos. Hoje, porém, com a pandemia, crise econômica e ambiental e polarização na política, só para citar alguns motivos, a esperança dos brasileiros, famosos por rir da própria desgraça, foi abalada.

Para a biomédica esteta Cláudia Castro, 37, mãe de Júlia, 7, a quarentena foi um grande desafio. “Minha filha era muito ativa. Além da escola, fazia ginástica olímpica, natação, inglês. Tínhamos uma programação intensa, com eventos na igreja e passeios culturais”, afirma. A mãe conta que, a princípio, fez diversas atividades em casa com a menina, até por ficou um período sem trabalhar, mas as duas foram “pendendo o gás” aos poucos e como resultado, Júlia começou a ficar triste e irritada com frequência. “Ela enjoou de TV e celular, então, sentiu a falta de conviver com os amigos. Brincar só com os pais não era o suficiente”, lamenta Claudia. Para contornar a situação, o jeito foi fazer algumas adaptações – Júlia começou a brincar com as amigas por meio de uma plataforma com chamadas de vídeo – ter bastante paciência, especialmente com as aulas online. “Ela estava na fase da alfabetização, não queria deixá-la ainda mais agitada. Por isso, reduzimos as cobranças e as expectativas”, completa.

A rotina começou a melhorar somente em outubro, com a flexibilização do isolamento social na maioria dos estados. Claudia voltou a trabalhar, mas a menina ainda não retornou às aulas presenciais. No entanto, a família fez passeios de carro, visitou familiares em outra cidade e se encontrou com alguns amigos de Júlia, sempre com os devidos cuidados e longe de aglomerações “Eu me considero uma pessoa otimista, sabe? Mas confesso que estou exausta”, afirma Cláudia. Quem mais se identificou?

Cláudia, eu, você e todos os pais e mães do país que chegaram até aqui estão de parabéns. Vamos combinar que foi um ano nada típico, e ser otimista certamente fez diferença em situações como essa. “Algumas questões são passageiras, como a conjuntura política ou a pandemia. Outras merecem atenção e ações concretas, entre elas a questão ambiental e a dos direitos humanos. O otimismo é estratégico. Você encontra melhores soluções quando acredita que elas são possíveis”, afirma Karnal. Ok, mas como transmitir isso às crianças?

Em primeiro lugar, você precisa entender o verdadeiro conceito de otimismo, já que há quem o confunda com a obrigação de se mostrar feliz o tempo todo, atualmente conhecido por positividade tóxica. “A exigência de estar sempre positivo é um dos fardos mais difíceis de carregar, porque isso não é possível sem que a gente esconda demonstrações naturais como medo, angústia e tristeza. E, ao ‘nublar’ algumas emoções, fica difícil acessar tanto a nossa vulnerabilidade quanto a nossa potência”, afirma a educadora parental Thais Basile, do @educacaoparaapaz. Mas o que caracteriza o otimismo, então? De acordo com a psicanalista Denise de Sousa Feliciano, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, trata-se de um recurso mental que nos leva a encarar um obstáculo de modo a tirar melhor proveito da situação. Está mais para uma atitude do que um sentimento. “No caso da pandemia, por exemplo, você tinha a opção de passar o semestre reclamando ou buscar saídas criativas para viver o período de um jeito confortável”, diz. O que é mais fácil, segundo ela, quando analisamos os dois lados da moeda, por assim dizer. E saiba que o esforço compensa, como mostra a ciência.
No livro The Optimistic Child (“A Criança Otimista”, em livre tradução do inglês, ainda não publicado no Brasil), o psicólogo norte-americano Martin Seligman, professor da Universidade da Pensilvânia (EUA), justifica por que devemos incentivar as crianças a serem otimistas. Mais de mil estudos, envolvendo aproximadamente meio milhão de crianças e adultos, mostram que pessoas pessimistas se saem pior do que as otimistas em três aspectos, em primeiro lugar, elas se deprimem com mais frequência.

Em segundo, suas realizações ficam aquém de suas capacidades na escola e no trabalho. Por último, sua saúde física é pior que do pior dos otimistas escreve Seligman, que também é autor do best-seller Felicidade Autêntica (Editora Objetiva). Aliás, uma pesquisa recente da Universidade de Boston (EUA), que acompanhou cerca de 70 mil pessoas por até 30 anos, mostrou que os otimistas vivem por mais tempo e tem mais chance de alcançar a chamada longevidade excepcional (isto é, viver por 85 anos ou mais). Os cientistas não sabem o motivo exato, porém, desconfiam que os otimistas tendem a cuidar melhor da saúde.

QUESTÃO DE FEEDBACK

Uma das teorias de Seligman é a de que tanto o otimismo quanto o pessimismo podem ser passados de pais para filhos, por influência da genética (pelo DNA), especialmente, do ambiente. Por essa razão, vale a pena fazer uma autoavaliação da maneira como você encara seus obstáculos. “Nossa visão é altamente influenciada pelas nossas crenças sobre o mundo e sobre nós, e elas não são conscientes para a maioria das pessoas. Por baixo de uma atitude negativa podem estar escondidas angustias mais antigas, por exemplo”, alerta a educadora parental Thais Basile. Ela explica que não basta apenas querer trocar de visão, é preciso entender os motivos. E nesse caso, a psicoterapia pode ajudar e muito. Existem algumas técnicas e hábitos para praticar o otimismo com as crianças no dia a dia, mas entre os principais está a maneira como nos comunicamos com elas. “Uma dica importante é separar o valor da criança, de suas habilidades e dos resultados dos acontecimentos, que muitas vezes não podem ser controlados”, afirma a psicóloga Janet Boscovski, professora da Universidade North Carolina Greensboro (EUA), que estuda o comportamento infantil. Boscovski acredita que nós sempre devemos transmitir às crianças que elas são amadas e valorizadas, independentemente do que acontecer. Ao mesmo tempo, devemos ajudá-las a desenvolver um senso de autoeficácia (ou seja, a confiança que temos em nossa capacidade de realizar algo), encorajando-as a dar duro e mostrando a elas que, ainda assim, nem sempre as coisas saem como esperamos. Em outras palavras, ao compreender que todos falhamos, as crianças aprendem a lidar melhor com os percalços. E não se esqueça de que você é o exemplo, como sempre, ok? Por isso, nada de falar uma coisa (Seja otimista, filho!) e fazer outra (Nada dá certo para mim!).

De acordo com Boscovski, pesquisas mostram um viés otimista presente desde os 3 anos. Esse comportamento atinge o seu pico entre 6-8 anos e diminui no fim da infância (9-11 anos). Em um estudo publicado no periódico Developmental Psychology, ela e seus colegas descobriram, por exemplo, que crianças de 3 a 6 anos precisam ver apenas um comportamento positivo para julgar um personagem de uma história como “do bem”, mas vários comportamentos negativos para considerá-lo malvado. A explicação seria que, nos primeiros anos de vida, elas recebem mais feedbacks positivos (dos pais, dos professores e até mesmo de estranhos) do que negativos, e tendem a ser poupadas da realidade, uma vez que suas interações se limitam à família e à escola. À medida que se desenvolve, portanto, é esperado que o seu filho se torne mais realista. Nesse contexto, se frustrar faz parte, como vamos ver adiante. A boa notícia é que dá para treinar o cérebro a ser mais otimista, sabia? “Por causa da neuroplasticidade cerebral (capacidade do cérebro de se reorganizar e se adaptar a mudanças), as sinapses mais estimuladas são reforçadas”, diz o neurocientista Fernando Gomes Pinto, autor de O Cérebro Ninja (Editora Academia) e professor da Faculdade de Medicina da USP. Isso quer dizer que os padrões cerebrais incentivados na primeira infância (de 0 a 6 anos), período em que o cérebro se adapta com mais facilidade, vão se tornar hábitos. Segundo ele, os comportamentos otimistas podem ser fixados por meio do chamado reforço positivo. O que na prática significa valorizar as boas condutas das crianças com afeto, atenção e diálogo.

O BEM EXISTE

Em plena pandemia, quem deu um banho de otimismo até mesmo nos mais céticos foi João, 9, de Maringá (PR). Em setembro do ano passado, o menino tentou negociar uma casa para a família no site de vendas OLX. Como não tinha dinheiro o suficiente (R$ 110 mil), propôs ao vendedor uma parcela mensal de 50 reais. “Estamos passando por dificuldades financeiras desde que o meu marido faleceu, há dois anos. Então, sempre que ele me pedia alguma coisa, eu costumava responder que era preciso juntar o dinheiro do aluguel. Acho que isso o motivou”, conta a diarista Diana Campiolo, 38, que também é mãe de Kauā, 20. Quando ela descobriu a “negociação”, entrou em contato com o vendedor para se desculpar. “Mesmo assim achei graça, então, uns dias depois publiquei as prints da conversa que ele teve com o vendedor no Facebook”, diz. O post rapidamente viralizou, até que Diana foi convidada pelo site Razões para Acreditar para participar de uma “vaquinha online” em sua plataforma de financiamento coletivo com o objetivo de comprar uma casa. A meta de R$ 160 mil foi batida em 24 horas e, no total, a família recebeu R$ 225 mil de doação, além de um vale-compras do site OLX para mobiliar o futuro lar. “As pessoas costumam dizer que perderam a fé na humanidade. Mas nunca usamos essa frase por aqui. Para mim, a união das pessoas para nos ajudar mesmo neste momento de crise, com tanta gente desempregada, foi a confirmação de que o bem existe e prevalece”, diz. Para Diana, seu filho caçula, apesar da pouca idade, já perdeu e ganhou muito na vida. “Um sinal de que tudo passa”, conclui. De fato, isso vale tanto para as coisas ruins, quanto para as boas. O problema é que, bem-intencionados, pais e mães fazem qualquer coisa para evitar que as crianças se frustrem.

Acontece que tudo o que é válido para o crescimento emocional (escola, trabalho, relacionamentos) envolve também emoções negativas, segundo a psicóloga Desirée Cassado, professora da The School of Life (SP). “Enquanto estivermos vivendo, amando e experimentando coisas novas, eventualmente vamos nos sentir tristes. Ao poupar as crianças disso, os adultos estão lhes tirando a oportunidade de ter uma vida plena”, diz. Como lembra o pediatra Livio Francisco da Silva Chaves, do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, claro que é papel dos pais oferecer proteção, acolhimento e palavras de incentivo com o intuito de ajudar a criança a ser otimista diante dos desafios. “Mas se as privarmos de todas as adversidades, como é que vão aprender a ser resilientes?” O famoso levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…

E para por em prática

AO FAZER CRÍTICAS, PAIS E PROFESSORES DEVEM SER ESPECİFICOS, COM FOCO NA SITUAÇÃO E NÃO NAS CRIANÇAS VEJA ALGUNS EXEMPLOS:

EM VEZ DE...

  • O que há de errado com você? Parece um monstrinho!
  • Você chorou o tempo todo hoje na escola. Você é sensível demais!
  • Pedi para você pegar seus brinquedos. Por que você nunca faz o que eu peço?
  • Você é um mau menino.

...DIGA

  • Você não está se comportando bem hoje, não estou gostando nada disso.
  • Você chorou o tempo todo hoje na escola, imagino que está sendo difícil para você ficar longe de mim ultimamente.
  • Pedi para você pegar seus brinquedos. Por que você não fez o que eu pedi?
  • Você provoca demais a sua irmã.

5 atitudes que fazem a diferença

Confira alguns hábitos para favorecer o otimismo desde cedo

1. Mindfulness

O exercício de se engajar no presente diminui a depressão (pensar demais no passado) e a ansiedade (pensar demais no futuro). Foque nos cinco sentidos, incentivando a criança a descrever os sabores dos alimentos na boca, contar as cores das folhas no parque, adivinhar o brinquedo apenas pelo tato…

4. Desligue o celular

Reduzir o tempo de telas é importante para aumentar a conexão entre filhos e pais e evitar a superexposição a notícias ruins.

2. Pote da gratidão

A prática de escrever algo bom que aconteceu no dia em um papel e guardá-lo em um pote é um incentivo para valorizar as pequenas alegrias do dia a dia, como um pão crocante ou uma chamada de vídeo com os avós.

5. Cada um, cada um

A criança não precisa ser a melhor em tudo: as pessoas têm habilidades diferentes, e está tudo bem. Se ela não vai bem no futebol, que tal incentivar outro esporte? Isso vai aumentar a autoconfiança dela.

3. Reforço positivo

A técnica implica em elogiar, premiar e/ou comemorar cada conquista da criança (sem exageros, claro). Isso melhora o processo cerebral de formação de novos e positivos padrões e hábitos.

E QUANDO É DEMAIS?

Como tudo em excesso, exagerar na dose de otimismo pode fazer mal. Uma criança otimista além da conta pode correr riscos, como sofrer algum acidente por achar que nenhum animal vai lhe fazer mal, por exemplo. “Isso se deve provavelmente a um comportamento comum na infância, que é conhecido por exuberância. Ela fica agitada com tudo o que é novo e interage sem medo”. explica a psicóloga Janet Boseovski, da Universidade North Carolina at Greensboro (EUA). Outro problema é não se esforçar o suficiente na escola acreditando que tudo vai dar certo, mesmo que ela não se empenhe para isso. Mas à medida que suas funções executivas (regulação das emoções e ações) são aprimoradas, vai ficar tudo bem.

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Brincar faz bem para a saúde

Brincar faz bem para a saúde

E não só a física. Funciona para cuidar também do emocional - algo cada vez mais urgente devido ao momento único que vivemos. E isso vale para a família toda. Pesquisas recentes de importantes instituições internacionais vêm reforçando que adultos e, principalmente, crianças têm sofrido profundamente com o isolamento e a falta da rotina de antes. Felizmente, um dos antídotos mais eficazes para minimizar esse impacto é simples: usar e abusar da brincadeira. Vamos nessa?

Ninguém imaginava ficar tanto tempo em isolamento

Quando a quarentena começou, lá em março, se dissessem que em outubro muitos de nós ainda estaríamos em casa, com as crianças sem ir à escola todos os dias, provavelmente diríamos “ah, isso é impossível”. Bom, cá estamos. Quais os efeitos disso na nossa vida? A lista é enorme, tem pontos negativos (e outros positivos, sim!) em diversos aspectos, mas um deles chama a atenção a saúde mental. Nós, adultos, estamos abalados por inúmeros motivos, que podem variar, como perda de emprego, instabilidade financeira, dificuldades no relacionamento, sobrecarga e o próprio fato do distanciamento social, da falta de contato com o outro, de nos sentirmos presos sem saber quando teremos nossa vida de volta. Nós, que somos maduros o suficiente para entender a gravidade do cenário que enfrentamos (bom, nem todos…), ainda assim sofremos para manter a cabeça no lugar e não surtar.

Por que, então, esperamos que nossos filhos saibam lidar com a situação e saiam ilesos disso tudo? “Ah, mas são só crianças, elas tiram de letra” ou “elas lidam muito melhor que nós, estão achando ótimo ficar em casa com os pais”. Será mesmo? Ou será que esse pensamento não está apenas criando uma invisibilidade das crianças em meio a todos os percalços dessa pandemia? “Existe até uma banalização disso, principalmente em relação à criança pequena, de achar que está tudo bem e que ela não sofre nenhum impacto. Não é bem assim. As conexões neurais acontecem em um ritmo acelerado na primeira infância e dependem do ambiente. Como a criança está em um período muito restrito de estímulos, isso gera um estresse grande e provoca sofrimentos a ela, que se coloca para fora de diferentes maneiras”, diz a neuropediatra Liubiana Arantes Araújo, presidente do Departamento de Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

É natural que o ambiente influencie, levando a uma sequência lógica e tensa: pandemia, o medo do vírus, a preocupação com a saúde e a economia deixam os adultos em estado de alerta e preocupados, o que acaba refletindo no emocional das crianças que convivem com eles. Segundo o estudo Rapid Assess ment of Pandemic Impact on Development Early Childhood Household Survey Project ("Projeto de pesquisa domiciliar na primeira infância - avaliação rápida do impacto da pandemia no desenvolvimento", em tradução livre), da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, a angústia dos cuidadores está se propagando em cascata para as crianças, de uma maneira que pode ser tóxica a curto e longo prazos. Os autores do projeto alertam justamente para o fato de que a primeira infância é o período mais importante para o desenvolvimento cerebral e é quando o órgão é mais afetado pelo que acontece ao redor. Os dados da pesquisa confirmam o que nos vemos na prática, no nosso dia a dia: 68% dos cuidadores relataram aumento considerável do estresse se comparado ao período anterior à pandemia, e 78% afirmam que suas crianças vem apresentando problemas no comportamento.

CONEXÃO E TRANSPARENCIA

Como os pequenos aprendem também por imitação, a forma como os adultos lidam com o estresse em casa vai impactar na vida delas, não tem jeito. Mas isso não quer dizer que você deva esconder suas emoções dos seus filhos, “Os pais precisam, sim, dizer que estão do chegando ao seu limite, que estão chateados e contam com a ajuda deles para que a casa se torne um ambiente melhor para todos. É essencial ter essa conexão com as crianças e ensinar a elas sobre a importância de se expressarem também. Elas buscam por estabilidade e segurança, e isso são os adultos que podem lhes dar. Por isso, saber lidar com as situações de uma melhor maneira, com paciência, resiliência e uma dose de otimismo vai auxiliar as crianças a passar por esse momento tão delicado”, afirma a psicóloga infanto-juvenil Talita Pupo, de Belo Horizonte (MG).
Outro estudo também confirma o quanto a pandemia impacta as crianças, em especial em relação à saúde mental. Ele foi realizado pelo Co-SPACE – CO VID-19 Supporting Parents, Adolescents, and Children in Epidemics (“Apoiando pais, adolescentes e crianças em epidemias”, em tradução livre), da Universidade de Oxford, na Inglaterra, com mais de 10 mil famílias. Baseados nas respostas de pais ou cuidadores de crianças entre 4 e 10 anos, os pesquisadores detectaram que elas são as mais vulneráveis em todos os três quesitos estudados: dificuldades emocionais, comportamentais e de concentração e atenção.

“Priorizar a saúde mental de crianças e jovens durante e após a pandemia de covid-19 é fundamental. Nossas descobertas destacam que há uma grande variação em como eles foram afetados, então precisamos continuar atentos as famílias para ajudá-las, dando suporte para que isso não tenha consequências a longo prazo”, afirma a professora Cathy C well, da Universidade de Oxford, uma das autoras do estudo.
E isso mesmo que sentimos na pele, ainda que, muitas vezes, não percebamos logo de cara que aquele comportamento do nosso filho pode estar relacionado a quarentena. “A pandemia foi muito benevolente com as crianças do ponto de vista da doença (elas se contaminam e morrem menos e são mais assintomáticas), ainda bem. Por outro lado, ao ter provocado a necessidade de isolamento, vem sendo muito difícil para elas. O efeito na saúde física, mental e emocional pode ser devastador”, alerta o pediatra Daniel Becker, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

EFEITOS DIFÍCEIS

Seu filho vem demonstrando algum comportamento incomum? Reclama de dor sem causa aparente? Reflita: será mesmo que é coisa da idade, birra ou frescura? Provavelmente, não.
A criança, muitas vezes, não sabe expressar o que sente, e algumas reações podem estar direta mente ligadas ao estresse do confinamento e todas as consequências que a pandemia traz. Choro excessivo, irritação por motivos “bobos”, ansiedade, dificuldade para dormir, mudanças no apetite, cansaço, regressão (como voltar a fazer xixi na cama ou usar chupeta), roer as unhas, morder a gola da camiseta, ou até mesmo sintomas mais físicos, como dor de barriga, tontura alergias na pele ou dores de cabeça. Tudo isso demonstra que alguma coisa está errada. “Uma das formas de comunicação da criança quando algo não vai bem é a somatização: o corpo sinaliza e avisa que existe uma questão emocional que precisa ser atendida”, explica a neuropsicóloga Camila Machuca, especialista em Parent Child Interaction Therapy pela Universidade de West Virginia, nos EUA. Ou seja, é preciso estar atento e aberto a ouvir o seu filho, mesmo quando ele não sabe falar direito. Perceber esses sinais é fundamental para saber como agir e buscar ajuda especializada, se achar necessário.

PARA TODO MAL, A CURA

Certamente, depois de ler a reportagem até aqui você já deve estar se perguntando: “O que eu posso fazer para amenizar esses efeitos da pandemia no emocional do meu filho?.” Respire e acalme-se: é possível atuar de várias maneiras, como tirar um tempo por dia (nem que seja meia hora) para dar atenção exclusiva a ele; ensiná-lo a reconhecer e nomear os sentimentos; conversar muito e sempre. Mas sabe qual o principal remédio para essas questões todas? Brincar. É isso mesmo.

A brincadeira é a linguagem da criança e primordial para o desenvolvimento infantil. “O brincar tem múltiplos benefícios, e um fundamental é que o lúdico ajuda a criança a perceber o sentido do mundo em que vive e a colaborar na brincadeira situações vivenciadas em seu cotidiano. E um momento de expressão emocional, por meio do qual a criança pode comunicar o que está sentindo, diz neuropsicóloga Camila Machuca. Ou seja, nesta fase de pandemia, seria a melhor maneira de fazê-la entender o que estamos vivendo e também saber o que se passa na cabeça dela. Na brincadeira do faz de conta, por exemplo, em que ela se coloca no papel de outras pessoas, pode criar cenários, enredos que têm uma relação bastante importante com o que está sentindo, como o medo.

Tem mais: o ato de brincar está diretamente ligado à saúde mental de diversas maneiras, começando por seu papel no desenvolvimento cerebral da criança. Brincar ajuda a moldar o cérebro, especialmente nos primeiros anos de vida. A pedagoga Josiana Martins, especialista em Neuroeducação e Primeira Infância pelo Centro Internacional de Neurociência para o Desenvolvimento Humano (instituição presente em sete países latino-americanos e nos Estados Unidos), reforça que o cérebro segue crescendo depois do nascimento e que as experiências, os estímulos, as exigências e os desafios do ambiente criam novas conexões, reforçam as existentes e constroem os circuitos neuronais. Daí, a importância do brincar como ativador positivo para a estruturação e organização neurológica, já que ele integra tanto os sistemas sensorial como o motor, social, cognitivo e emocional. “As experiências sensoriais, produtos das atividades de exploração dos primeiros anos, são um fator muito importante para o crescimento cerebral dessa etapa da vida, já que a qualidade delas tem um forte impacto na densidade e nas conexões neuronais. Essas conexões se formam e se fortalecem graças às experiências multissensoriais, às ações e às emoções que o meio oferece”, explica. Ainda segundo ela, as brincadeiras que estimulam o movimento permitem maior oxigenação do cérebro, melhoram habilidades cognitivas, favorecem a plasticidade, a neurogênese (processo de formação de novos neurônios) e estimulam capacidades mentais, sociais e emocionais.

ESPAÇO PARA O BRINCAR

Ufa… agora que ficou ainda mais evidente o quanto o brincar é importante, vale se questionar: será que estou proporcionando experiências de brincar ao meu filho nessa quarentena, como deveria? Você pode pensar que, com a rotina insana com home office, afazeres domésticos e aulas online, é impossível ter tempo para se divertir junto. Bom, há dois pontos a levantar: o primeiro é que criar oportunidades para brincar não significa parar necessariamente para fazer isso com o seu filho o tempo todo por horas a fio (claro, se você puder e quiser, ótimo!), mas também ensinar ao pequeno que ele é capaz de brincar sozinho, de lidar com o tédio, de organizar as brincadeiras dentro de algo que prenda sua atenção. “As crianças vêm perdendo essa relação com o brincar porque os pais não conseguiram se colocar no papel de quem incentiva essas brincadeiras. Os adultos se distanciaram muito da importância do brincar em função das mil coisas que tinham para fazer, e os filhos foram adormecidos em frente à televisão nos últimos seis meses. A televisão e as telas, em geral, são um recurso muito fácil para silenciar a crianças, mas isso tem um preço”, alerta educadora parental Lua Barros, especialista em equilíbrio emocional. Segundo ponto é que também tem relação com estabelecer suas prioridades e uma rotina para elas. Se um momento de brincadeira com seus filhos for uma delas (tanto para você espairecer quanto para tirar seu filho da tela e favorecer o de desenvolvimento dele, como vimos anteriormente), coloque mesmo na agenda, com hora marcada se for preciso “O brincar é uma forma poderosa de conexão entre filhos e pais, o que colabora para o abastecimento do tanque afetivo da criança, ajudando-a a ser mais resiliente, paciente, cooperativa, empática e superar momentos difíceis”, afirma a neuropsicóloga Camila Machuca.

TEMPO DE MUDAR

Para Luciane Motta, diretora da Casa do Brincar, em São Paulo (SP), o adulto precisa lembrar que já foi criança. É muito difícil dar conta de tudo que temos para fazer, mas a infância é muito curta, é uma fase da vida que não volta mais. Respirar, ter paciência, perder a vergonha, fazer careta, rolar no chão.. é fundamental. Criança aprende pelo exemplo, então a gente precisa se esforçar para dar o nosso melhor, ainda mais nesse momento em que estamos convivendo tão intensamente, para que elas se tornem os seres humanos que nós gostaríamos que fossem”, afirma.A brincadeira representa o mesmo que para um adulto ver um bom filme ou ler um livro, é um jeito de acalmar alma e dar soluções para além do medo.

 Se focarmos somente no vamos achar que tem vírus em todas as partes vamos enlouquecer. A brincadeira colabora para as crianças não serem tão influenciadas pela violência das informações. Brincar é a salvação, pois possibilita que crianças e adultos saiam da literalidade de situação, defende a educadora Gisela Wjikusp (SP), doutora em Educação com pesquisas sobre o Brincar na Infância. Uma pesquisa da Universidade de Parisceton, nos Estados Unidos, mostrou, inclusive, que, quando bebes e adultos interagem durante as brincadeiras, com contato visual e compartilhando brinquedos, atividades neurais apresentam suas semelhanças. Incrível, como Brincar é bom em a em qualquer circunstância. Claro que, quando seu filho brinca com um amigo, ele ganha muito troca e a consciência com o que acontece nesse momento, como esperar a vez, dividir, respeitar o espaço de todos, expressar sentimentos e necessidades, entender que comportamento dele tem efeito no outro. Mas brincar sozinho também tem seus benefícios, como estimular a imaginação ganhar independência e autonomia e aprender a gostar de sua própria companhia. No entanto, para amenizar a saudade do contato com outras crianças, nessas horas, use a tecnologia a favor e estimule a brincadeira com os amigos a distância, já que é o que temos por hoje.

A NATUREZA COMO ALIADA

Outro fator que vem mudando a relação com o brincar nessa quarentena é a impossibilidade do movimento, do estar ao ar livre, em contato com a natureza (sortudos aqueles que moram em casa com um quintal). Uma pesquisa da Hasselt University, Belgica, mostrou que o simples fato de uma criança crescer em uma vizinhança com bastante área verde aumenta a inteligência e diminui os problemas de comportamento. Isso porque é possível na natureza explorar tudo o que a criança pode ser e o potencial do brincar livre. Infelizmente, estamos com essa restrição. Mas, depois de seis meses em casa, isso começa a se tornar impraticável.

O pediatra Favio Melo, de Batmanras (PB), também alerta par importância do contato das crianças com ambientes ao ar livre, agora mais do que nunca “Indico que as famílias busquem uma saída segura para os pequenos em busca da natureza, só a família, sem aglomerar ou correr riscos. Eles se transformam ao se reconectar com o meio ambiente. Importante frisar que o vírus não se prolifera na areia, na terra, nem em um tronco de árvore”, reforça.
Não dá para usar o parquinho? A diretora da Casa do Brincar, Luciane Motta, lembra que isso não é um problema. “É possível brincar de pegar folhas para fazer uma colagem em casa depois, observar as minhocas, ficar sentado na praça de olhos fechados escutando os passarinhos e dá para ver gente! Ainda que não se possa interagir diretamente, essa vivência social é importante”, conclui.

Seja ao ar livre ou em casa, seja por uma manhã inteira ou apenas meia hora, seja com brinquedos ou materiais recicláveis, seja sem brinquedos, usando apenas a imaginação, a conclusão é uma só: nessa pandemia, o brincar sempre salva.

Matéria original da Revista Crescer. 

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Por que continuar a pagar a escola do meu filho?

Por que continuar a pagar a escola do meu filho?

“Há mortes evitáveis na pandemia, e a morte da escola é uma delas”
Texto de Alexandre Coimbra Amaral, Psicólogo do programa Encontro com Fátima Bernardes da Rede Globo.

Quando nos dissemos “feliz ano novo” na virada que aconteceu há pouco mais de quatro meses, não imaginaríamos a complexidade que seria construir a sensação de felicidade em 2020. Estamos vivendo o momento mais desafiador de toda a existência, independentemente da idade que tenhamos. Nunca fomos subtraídos de tantas situações e sensações até aqui. Vivemos a privação da liberdade de ir e vir (ainda que ela tenha uma finalidade humanitária e socialmente responsável, a única saída científica que temos até aqui para a convivência na pandemia), temos que usar máscaras para as poucas saídas ao mundo, tememos adoecer ou precisar de qualquer instituição hospitalar, precisamos administrar uma dose extra de assepsia às atividades mais cotidianas, não podemos abraçar quem está fora de casa, temos que guardar distâncias de qualquer humano por ser fonte potencial de transmissão do vírus em seu estado ainda assintomático. E a lista poderia ganhar todo o espaço da coluna, basta que você feche os olhos e enxergue como era a sua vida há três meses, e toda a diferença para o que ela se transformou hoje.

Uma das maiores perdas está sendo vivida pelas crianças. Elas não têm o espaço da escola, que lhes servia de cimento para seus pés correrem, para suas mãos criarem, para seus cérebros pensarem e para seus corações se afetarem com as histórias e brincadeiras dos colegas e professores. A escola, este lugar em que nossos filhos passavam pelo menos um turno de seus dias, e que reunia um tanto de sua identidade, está fechada por tempo indeterminado. Aquilo que era espaço lúdico e de aprendizagem passou a ser uma zona de risco de contágio. Embora as crianças sejam em tese grupo de baixo risco dentro da pandemia, podem ser transmissoras para os familiares que podem ser mais vulneráveis. A escola passou a ser lugar de perigo. Que avesso do avesso do avesso do avesso. Um lugar dos mais sagrados na vida de uma criança, não obstante todas as críticas que possamos ter às suas formas arcaicas de continuar funcionando, agora é um lugar que pode aglomerar – outro verbo que mudou o seu significado para o avesso. Antes era sinônonimo de encontro ou festa, hoje é parte dos medos que nos assombram. A estranheza passou a morar nas escolas fechadas e escuras.

A vida que ali existia tenta ser transmutada para as plataformas virtuais. É o que temos, e é louvável o esforço das instituições de ensino para adaptar as suas necessidades de construção do conhecimento a estes lugares de risco zero para o encontro humano de hoje. Como tudo isto nos pegou de surpresa, é inegável que há dificuldades maiúsculas nesta transposição da escola para o online. Há faixas de idade que simplesmente se mostram quase ou totalmente incompatíveis com este método. 

Há crianças que não se adaptam, que vivem um luto ambivalente daquilo que não têm mais, e não conseguem aderir ao que lhes é possível ter. Há mães e pais exaustos, tendo que compatibilizar suas inúmeras atividades profissionais também virtualizadas com o acompanhamento dos filhos na nova estrada de ensino e aprendizagem. Estrada esburacada essa, com poucas luzes em muitos lares. Mães e pais se sentem vivendo os papéis das professoras, e inclusive aproveitam para honrá-las por seu papel hercúleo de manter a atenção e o interesse de uma sala de aula durante todo o ano, em conteúdos que pouco podem interessar aos estudantes. Crianças se frustram porque querem a sua vida de volta, querem o grupo, querem o abraço da galera, querem a gargalhada durante a aula, querem a delícia de receber um olhar de admiração da professora. Há perdas por todos os lados, há perdas em tudo o que eu vejo.

Depois de dois meses de quarentena, estamos todos com as emoções transbordando, oscilando da esperança ao desespero em questão de horas. A escola passa a ser questionada em sua eficácia. Claro, estamos (ou estávamos) numa vida que cultuava a performance e a excelência como seu valor maior. Quando algo passa a ser ineficaz, merece a vala comum da exclusão. Por que manter algo que não resolve meu problema, que não me apoia no que poderia me apoiar, e que me dá ainda mais trabalho e complexidade para a minha vida? O que fazer com esta mensalidade que poderia ser revertida para outras células da planilha de custos da família?

Uma escola é uma comunidade de aprendizagem, que nasce de um projeto de construir saber. Há gerações e gerações de educadores e funcionários de secretaria, limpeza e segurança fazendo acontecer este projeto no dia-a-dia, dando vida àquelas paredes aparentemente inertes. Uma escola é uma história que se pode contar a partir de muitas vidas, de inúmeras cenas de angústia e resiliência, de desencontro e profundo laço entre pessoas que ali a habitaram ao longo dos anos em que estiveram estudando. Uma escola é uma ponte entre o mundo que já existiu e as vidas que se capacitam para fazer outro mundo acontecer. Uma escola é parte inerente de um país que se quer fazer brotar, sobretudo em momentos como este que vivemos. Uma escola tem professoras e professores que sobrevivem aos salários, tem funcionários que dependem daquela renda para sobreviver. Uma escola tem alma. Tudo isso está em risco também nesta pandemia. Uma das tragédias que podemos viver é o esfarelamento das escolas particulares de nosso país. Com uma diferença: se na pandemia os idosos são o grupo de risco, nas escolas o risco maior de morte está na educação infantil. Já estamos vendo inúmeras escolas infantis fecharem as portas, e mal começamos a travessia do isolamento social imposto pelo senhor coronavírus.

Claro que você que me lê pode ser uma mãe ou pai que tem seu filho em escola pública. Se este for o seu caso, a sua tarefa continuará sendo estar atento para valorizar cada vez mais o direito das crianças brasileiras terem o direito à escola pública de qualidade. Sei que você também pode estar em dificuldades financeiras, por trabalhar num setor da economia afetado pela pandemia, por ter perdido o seu trabalho ou por ter tido redução do salário. Neste caso, se você tem filhos na escola particular, converse com os responsáveis e negocie novos valores possíveis para sua nova realidade familiar. Mas se você tiver condição de manter o pagamento da mensalidade do seu filho, faça isso. Pagar a escola significa esperançar a continuidade daquele projeto pedagógico, apoiar a sustentabilidade das professoras e funcionárias, e poder ser parte da construção de uma comunidade que apoia uma bela causa. Você e seu filho poderão crescer com isso. Juntos, vão participar de um projeto solidário em torno da causa da perpetuação de um lugar de fazer futuros acontecerem. Vocês poderão contar esta história, orgulhosos, da vida que pôde acontecer, cada um fazendo o seu possível, para a escola passar por esta provação e continuar viva.

Muitos dizemos que o futuro de nosso país passa necessariamente pela educação. É hora de fazermos desta fala um ato presente, uma força-tarefa que trazemos como chamamento destes tempos estranhos. Há mortes evitáveis na pandemia, e a morte da escola é uma delas. Junto com uma escola morta, há lutos dolorosíssimos. E junto com a escola que permanece depois da pandemia, há histórias para serem contadas de resiliência comunitária, de um laço inédito que se forma na classe média brasileira que costumava viver nos prédios sem conhecer o vizinho do lado.

Eu prefiro o lado da existência resistente. Já que será inevitável habitar um mundo novo e cheio de desafios, que a escola de nossos filhos possa permanecer viva, e aberta para as transformações que serão igualmente necessárias em sua forma e conteúdo. Eu prefiro o lado do abraço à escola, em família, e faço a você este convite. Organize conversas nos grupos de mães e pais, sobre como a escola dos seus filhos pode ser cuidada. Ela agora é um dos grupos de risco, que não merece ficar esquecida enquanto tenta sobreviver ao desafio inimaginável de ser descartável a muitos de nossos olhos.

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Hora da folia

Hora da folia

Carnaval chegando, todo mundo se preparando para aproveitar o feriadão. Mas fica aquela pergunta, e com as crianças, como eu faço? Pois bem, temos a solução para você! Selecionamos algumas opções para você curtir o feriado do lado de quem você mais ama.

E finalmente chegou aquele momento de tirar a fantasia do armário, preparar os confetes e cair na folia. Mas como aproveitar com as crianças? Apesar do Carnaval ser uma festa que possa causar um certo receio de levar as crianças para a multidão, temos opções tanto para quem quer ficar em casa, quanto para quem quer aproveitar nas ruas. Confira!

Bloquinhos de rua

Apesar de parecer impossível ser algo convidativo a crianças, existem bloquinhos de rua específicos para levar a garotada. Além de terem músicas direcionadas aos pequenos, ainda tratam de alguns temas que abordam conscientização, como meio ambiente. São frequentados em massa por famílias, o que deixa o ambiente mais leve e sem tanta muvuca. É a melhor opção para quem quer ter uma experiência típica de carnaval com as crianças e acima de tudo, manter a segurança (Mas lembre-se, por ser na rua, mantenha atenção).

Parque

Quem disse que não dá pra curtir um parque no carnaval? Afinal, é feriado, aproveitar ao ar livre é sempre uma ótima opção, ainda mais para quem vive na rotina da cidade. Andem de bicicleta, patins, skate. Façam aquele piquenique caprichado, com comidas leves, sucos e frutas. Brinquem na grama, joguem bola, observem as nuvens no céu. São infinitas possibilidades, usem a criatividade e se divirtam!

Museu

Pera aí, museu em pleno feriado? Sim! Exposições podem ser uma ótima e divertida opção para aproveitar esse momento. Procure por exposições interativas, com atividades lúdicas e que chamem a atenção das crianças, como o Catavento Cultural ou museu do futebol. Além de divertido, é uma oportunidade para as crianças aprenderem brincando.

Prefere o sossego?

E para quem prefere ficar em casa, ainda dá para se divertir muito junto com as crianças. Que tal montar cabanas improvisadas com lençóis e cadeiras? Aproveite e monte um belo piquenique na sala, com vários lanchinhos gostosos para sair um pouco da rotina. Deixe que eles se fantasiem e se fantasie também. Faça brincadeiras, jogue jogos de vídeo game ou tabuleiro, mas tente incluir a família toda. E um cineminha em casa? Assistir algum filme legal com os pequenos comendo uma pipoca é uma experiência única, pegue aquele filme que você gostava na infância ou algum que vocês ainda não tenham assistido e curta esse momento junto com eles.

Seja em casa, nos bloquinhos, no museu ou em qualquer lugar, o mais importante é a família se divertir junto e permanecer unida, pois esses serão os momentos que ficarão marcados na vida de cada um. Bom feriado!

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Tá chegando a hora

Tá chegando a hora

Passou o Natal, o ano novo e as férias estão quase no fim. Agora é a hora de se preparar para começar tudo de novo. Por isso, separamos algumas dicas para um retorno às aulas muito mais prático e sem estresse. 

A volta às aulas gera expectativa e algum tipo de ansiedade, e retornar à escola no início do ano mobiliza toda a família! A parte boa, é que, nessa fase, as crianças estão com saudades da escola, dos colegas, professores e espaços de convivência, querem compartilhar suas férias, as novidades e se mostram animadas. Então, a principal dica para a organização pré-retorno é deixar as crianças se sentirem parte desse processo. Estar próximo do filho nessas ações que, aparentemente, parecem corriqueiras, gera maior autoconfiança, tanto para as crianças quanto para os adultos. Vamos lá?

Hora de avaliar o calendário escolar e já se atentar às principais datas, como reuniões de pais, que acontecerá no dia 25/01.

Uniformes

Eles têm valores tabelados e, por isso, a compra antecipada facilita. Aproveite, se possível, peças de roupas de amigos ou familiares.

Lista de Materiais

Mochila e lancheira, por exemplo, são os primeiros tópicos da lista para resolver. Para poucos ou muitos itens, quanto antes programar para comprar, melhor: ganhamos tempo. Os locais de venda também ficam cheios e o atendimento é até comprometido com o excesso de movimentação. Outra dica: reunir grupo de mães e tentar obter um desconto maior em compras por atacado. Em casa, é sempre bom ter um kit com lápis preto e colorido, borracha, régua, cola. Para as lições que vierem da escola. Assim, vocês evitam tirar os itens da mochila e esquecer de devolve-los depois.

Com todas as compras em ordem, é hora de etiquetar tudo. Tudo, mesmo! Em especial, para a educação infantil, quando a troca e perda de itens é muito comum. Hoje, existem empresas que fazem etiquetas personalizadas, até com materiais resistentes à água.

AS NOVIDADES
Falar sobre o novo ano, o dia a dia escolar que está por vir, os amigos (antigos e novos), prepara a criança para o início da adaptação, que não é fácil em qualquer fase e idade.

ALIMENTAÇÃO E SONO
Regrar os horários de refeições e de ir para a cama também ajuda na preparação da corrida rotina de volta às aulas, que não é somente da criança.

AS EMOÇÕES
Neste momento, os pais têm grande importância, ao transmitir segurança e tranquilidade para o que está por vir.

Quem leva, quem busca

Está chegando o grande dia. Momento de planejar a logística de ida e volta da escola (pais que optam por transporte coletivo devem contratar antes das aulas começarem para garantir a vaga), calculando os tempos da agenda completa (da hora de brincar às atividades extras).

Cardápios

Seja das refeições em casa ou o que vai no lanche, sabendo o que vamos cozinhar, evitamos idas constantes ao supermercado e gastos excessivos. E os pequenos gostam de ter ideia do que vão levar na lancheira.

Rotina Impressa

Montar uma planilha de agenda para pais, babás, avós, tios e quem mais participar do dia a dia da criança bem interessante. O seu filho também se beneficia, pois saber o que vem depois daquilo que está fazendo proporciona segurança e diminui a ansiedade. Se ele ainda não lê, vale a pena investir em figuras e desenhos para ilustrar os compromissos do dia.

Lugar da lição

É hora de criar um cantinho na casa para que sejam realizadas as atividades pedagógicas da criança. O local deve ser claro, limpo e propiciar bons momentos para a hora da lição e dos estudos.

E no último dia de férias...

Vocês fizeram tudo que podiam, deram o seu melhor, aproveitaram as férias e curtiram seus filhos. Tenham uma noite tranquila, com uma deliciosa rotina do sono envolvendo muitas histórias, carinhos, beijos e torcida para que vivam um maravilhoso ano letivo em 2020!

Obs: Matéria original da Revista Crescer. 

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Como incentivar a leitura infantil

Como incentivar a leitura infantil

Uma das dicas para incentivar a leitura infantil é associar a atividade com outras atrativas e divertidas.

A leitura é um hábito que se cria, e como todo hábito deve ser cultivado no dia a dia das crianças para se tornar uma rotina comum e familiar. Os pequenos geralmente aprendem a ler por volta dos cinco anos, mas precisam ser inseridos no mundo da leitura antes dessa idade. Para isso, devemos aproveitar o comportamento infantil natural de observação e imitação das atitudes dos pais, além de relacionar a atividade a outras atrativas e divertidas.

Paulo Ramicelli, assessor da diretoria do Instituto EDP, entidade responsável pelo projeto “Ler é uma Viagem”, explica que o principal mecanismo para incentivar a leitura infantil é a criatividade. “O momento da leitura tem que ser visto como uma hora de diversão; associar o hábito a uma obrigação fará com que a criança tenha a sensação de que está sendo punida, e assim dificilmente desenvolverá o prazer que a leve a inserir a leitura em sua rotina.”

O primeiro passo é tornar os livros mais atraentes, e aí entra o papel fundamental dos pais ou responsáveis. “Para as crianças se apaixonarem pelos livros, não é preciso saber ler. Isso pode acontecer sem que elas sejam alfabetizadas. Elas precisam ser estimuladas a ter contato com a leitura antes mesmo de completarem um ano. É necessário que o educador passe um tempo lendo para a criança. A leitura infantil pode ser feita de inúmeras maneiras, mas o ideal é que seja de modo lúdico. Vale apostar em encenações teatrais, fantasias, fantoches e contar com a ajuda de algum instrumento musical que o leitor saiba tocar, sempre estimulando e incentivando a participação do pequeno na brincadeira”, sugere Ramicelli.

Até a disposição dos livros em casa faz diferença. Para a criança, os volumes organizados em uma prateleira passam a ideia de algo que não deve ser mexido. O assessor lembra que dificilmente a criança vai enxergar ou alcançar o livro, logo, ela não terá vontade de ler, fora o risco de acidentes, caso tente escalar a estante. “O ideal é criar locais interessantes para guardá-los. Em nossos projetos criamos o baú e o carrinho da leitura. É importante usar a criatividade e enfeitar esses locais, as crianças gostam de adornos alegres e que chamem a atenção.”

Leitura Infantil no Brasil

A educação e sua qualidade estão ligadas diretamente à leitura. O aperfeiçoamento do vocabulário e da escrita contribui para a criatividade do leitor, portanto, cabe aos pais e professores orientar e buscar maneiras de desenvolver tais habilidades.

Contudo, a realidade da leitura infantil no Brasil é preocupante. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2012, que entrevistou 93% da população brasileira com cinco anos ou mais, cerca de 85% das pessoas afirmaram que nas horas vagas gostam de assistir à televisão. Apenas 28% citaram a preferência por ler um livro. Em média, o brasileiro lê pouquíssimo: apenas quatro livros por ano, e dois desses ainda por partes.

A importância do estímulo externo fica nítido pelos dados da pesquisa. Cerca de 87% dos entrevistados não leitores (que não leram nenhum livro nos últimos três meses anteriores ao levantamento) nunca foram presenteados com livros. Aproximadamente 63% nunca viram a mãe lendo, número que sobe para 68% quando se trata do exemplo paterno.

O ideal é iniciar a motivação cedo, mas adolescentes também podem ser estimulados, aproveitando sua maior maturidade. “Jovens gostam bastante de tecnologia, então, se possível, mostre que dá para acessar um livro por meio da internet. Promover um clube de leitura dentro da família também é uma boa iniciativa. Todo mês alguém indica um livro que deve ser lido por todos os integrantes da casa e em determinado dia a família se senta para conversar sobre a obra”, afirma Ramicelli.

Como incentivar seu filho a ler em cinco passos

Para começar a incentivar seu filho a ler, é necessário que seu filho te veja, sempre que possível, com um livro na mão. As crianças sentirão mais interesse em ler um livro se veem que este hábito está presente a sua volta. Lembre-se que as crianças gostam de copiar o que os outros fazem porque esta é sua forma de aprender. Se eles notam que você gosta de ler e que tratam os livros com cuidado e respeito, elas provavelmente, farão o mesmo.

A leitura deve ser empregada como uma forma de diversão e não como uma obrigação. Os livros não devem ser introduzidos no cotidiano da criança apenas na fase em que ela está aprendendo a ler. O contato com os livros pode começar logo que ela aprender a engatinhar.

Enquanto bebês, dê preferência aos livros ilustrados, com poucas palavras, e faça com que seu filho toque, acaricie, cheire, e tenha todo tipo de contato com o livro. Quando ficam um pouquinho maiores, o ideal é ler em voz alta, seguindo sempre as histórias do livro.

Ajude seu filho a criar sua própria biblioteca que pode ser compartilhada com seus irmãos e amigos – e a colaborar, sempre que possível, com a biblioteca da escola. Comentar uma determinada leitura com outras crianças pode ser uma atividade interessante, da qual podem surgir novos interesses que levem, por sua vez, a novas leituras.

Estimule atividades que usem a leitura, como ler uma receita para cozinhar junto ao seu filho, jogos, etc. Uma dessas atividades é fazer ginástica cerebral. A metodologia do SUPERA utiliza jogos de tabuleiro, jogos online, dinâmicas em grupo, apostilas com desafios de raciocínio e neuróbicas. Além disso, seu filho interage com outras pessoas e exercita habilidades socioemocionais.

Com essas práticas, as crianças se tornam leitores assíduos, aprendem com mais facilidade e se ficam mais seguras. Compartilhe conosco, aqui, nos comentários, o que você faz para incentivar a leitura nos pequenos!

Conteúdo : https://drauziovarella.uol.com.br/

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