Como falar com crianças e adolescentes sobre séries como Round 6

como falar com crianças e adolescentes sobre séries como Round 6

Cenas de sexo e violência podem impactar desenvolvimento psíquico e levar crianças a reproduzir conteúdos de filmes e séries.

O avanço tecnológico e as plataformas de streaming popularizaram o consumo de produções audiovisuais do mundo todo, mas também possibilitaram o consumo de séries e filmes com conteúdo violento por crianças e adolescentes.

A recente estreia “Round 6”, produzida pela Netflix virou sucesso no mundo todo e bateu o recorde de série mais assistida na história da plataforma. Com a classificação indicativa de 16 anos, os episódios abordam conteúdos de violência, sexo e suicídio, que podem impactar negativamente no desenvolvimento psíquico de crianças e adolescentes.

A questão não é recente. Séries como ‘The Walking Dead’, não indicada para menores de 16 anos, e ‘Sobrenatural’, não indicada para menores de 14, já foram muito populares entre crianças mais novas. Além disso, é necessário citar também as redes sociais, principalmente instagram e Tik Tok, onde muitos desses conteúdos são popularizados e não há filtro de acesso, deixando as crianças expostas a tudo. Vale lembrar também do Youtube, que apesar de ter conteúdos destinado as crianças, ainda possui um acesso fácil aos demais vídeos. 

Cada família é responsável em decidir o que é melhor para seus pequenos, no entanto, é necessário reforçar a importância de haver um controle, ou, no mínimo, orientação sobre o acesso a conteúdos sensíveis nesse público mais jovem. Nós enquanto escola, devemos sempre orientar as crianças e nesse caso cabe também atualizar as famílias sobre os riscos e consequências de expor a cenas de violência ou sexo.

Por mais que a criança não entenda o contexto apresentado, é possível notar que esse tipo de acontecimento não está presente em seu dia a dia, o que pode leva-la a tentar reproduzir com os colegas, mesmo que por brincadeira. Uma vez que não sabemos como a criança irá interpretar e lidar com a exposição a estes conteúdos, é fundamental conversar caso aconteça e explicar que se trata de algo que não é real e não deve ser reproduzido.

De acordo com psicólogos, a autonomia intelectual para distinguir o que é realidade e o que é fantasia está em formação em crianças de menos de 12 anos. Por isso, elas ainda não conseguem analisar o efeito das escolhas que fazem, nem mesmo têm capacidade para interpretar esses conteúdos de modo que não tragam prejuízos para seu processo de desenvolvimento.

Como lidar com essa situação?

Evite conteúdos inadequados
Não assista conteúdos inadequados a crianças na presença delas. Dê preferência a conteúdos infantis quando estiverem assistindo juntos. Isso mostra que o conteúdo que elas assistem é divertido e interessante e não gera curiosidade sobre assuntos inadequados.

Crie um perfil infantil
Os serviços de streaming oferecem perfis infantis com filtro de conteúdos. Crie uma conta para seu filho e mostre o tanto de conteúdo legal que ele tem acesso. Explique que ele pode assistir o que estiver ali e, caso queira ver algo de outro perfil, é preciso pedir permissão antes. Alguns serviços de streaming oferecem a possibilidade de criar senhas para restringir o acesso a perfis –o que impede crianças de abrir conteúdos dos pais, por exemplo.

Confira o que a criança está assistindo
Também é possível acessar o histórico do aplicativo e verificar o que foi acessado anteriormente. Faça isso e confira o que a criança assiste quando está sozinha.

Converse
Se a curiosidade surgir, converse com a criança sobre os conteúdos inadequados. Explique, sem detalhes, o assunto em questão. Por exemplo, diga que agressão é crime e não deve ser cometida, aceita ou reproduzida. Explique que o que ela viu é uma ficção e não deve ser feito na vida real. E se a curiosidade persistir, diga que ela pode sempre perguntar para um adulto de confiança.

Guia da classificação indicativa
No Brasil, as produções audiovisuais veiculadas na TV, em cinemas, distribuídos digitalmente ou por outros meios de comunicação precisam ser devidamente classificadas de acordo com a faixa etária indicada. A orientação é do Ministério da Justiça e está descrita no guia prático de classificação indicativa.

As classificações podem ser:

Na TV aberta, por exemplo, cenas de sexo, consumo ou alusão a drogas ou violência só podem ser veiculadas a partir de horários específicos e sempre deve apresentar a classificação indicativa. O objetivo é informar aos pais e responsáveis se o que está sendo exibido é ou não recomendado para crianças e adolescentes.

Conteúdos disponibilizados por serviços de distribuição ou de streaming também precisam ser classificados. Mas, como nestes casos o horário de exibição não é controlado, os profissionais reforçam a necessidade de um controle parental para evitar o consumo indiscriminado de produções não recomendadas. Apesar disso, o consumo de conteúdos inadequados não é proibido, desde que seja permitido por um responsável legal que assuma os riscos da exposição não indicada.

Matéria original do G1

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POR UM MUNDO MELHOR

POR UM MUNDO MELHOR

A pandemia fez muitas famílias despertarem para a urgência de adotar maneiras mais sustentáveis para viver. Ouvimos especialistas e quem já é adepto de boas práticas nesse sentido, e reunimos algumas dicas que podem ajudar você nessa empreitada também.

Não há indícios de que o planeta Terra vai deixar de existir tão cedo, mas vivemos um momento crucial para nossa existência como espécie. O ritmo e a forma como exploramos o planeta criou condições que colocam em risco nossa sobrevivência – a pandemia do novo coronavírus está aí como prova. Temos pouco tempo (até 2030, segundo critérios das Nações Unidas), mas ainda é possível controlar o impacto que causamos e reverter os processos de destruição: o aquecimento global é o mais grave deles.

“Nunca é tarde para despertar”, disse à CRESCER o ambientalista brasileiro Ailton Krenak, autor de A vida não útil (Companhia das Letras). “Mas precisamos entender que não existe “lá fora” em nosso maravilhoso planeta, que deveria ser percebido como um jardim. Se você está num jardim e joga uma tampinha de garrafa ali, ela vai ficar dentro do planeta e não vai para fora. Como mães e pais da futura geração, nosso papel é ainda maior: permitir que floresça nas crianças o senso de comunidade, a ideia de que faremos parte de um coletivo formado não só por pessoas, mas por outras espécies de animais e vegetais. “Cabe a nós incutir em nossos filhos e filhas, desde cedo, hábitos ambientalmente responsáveis”, diz Flavio Bassi, vice-presidente para a América Latina da Ashoka, uma organização civil global  bque fomenta o empreendedorismo social. A entidade promove ações de sustentabilidade em 300 escolas privadas e públicas espalhadas pelo mundo, sendo 21 delas no Brasil.

 

CADA PASSO IMPORTA

Se a covid-19 mostrou o quanto estamos vulneráveis em relação à saúde – física e mental -, à economia e aos afetos, por outro lado, fez brotar em muita gente a vontade e a necessidade de agir de maneira mais ambientalmente consciente. Mostrou, também, que mudanças no ritmo de consumo têm efeito, sim. Em 2020, com a desaceleração da economia e a diminuição no deslocamento devido às medidas de isolamento, as emissões de gases de efeito estufa caíram cerca de 20% no mundo, segundo levantamento feito pela Nasa. E podem diminuir ainda mais, sem que, para isso, seja preciso vivermos confinados. O inevitável, porém, é rever alguns hábitos.

Talvez você se pergunte como a sua pequena família pode fazer a diferença em um mundo com 7 bilhões de pessoas. Bill Gates, em seu recém-lançado livro Como evitar um desastre climático – as soluções que temos e as inovações necessárias (Companhia das Letras), dá a resposta: “É fácil nos sentirmos impotentes diante de um problema tão grande quanto as mudanças climáticas. Mas algumas coisas estão ao nosso alcance. E não é necessário ser político ou filantropo para fazer a diferença. Você tem influência como cidadão, consumidor e trabalhador”.

Ele nos lembra de que, quando paramos de consumir algo, adotamos atitudes mais responsáveis e influenciamos mais pessoas a fazer isso, logo esse recado chega aos fabricantes ou ao poder público. E nem precisa virar youtuber ou instagrammer. “Dá para começar organizando a coleta de lixo do seu condomínio, por exemplo”, diz a empresária Luanda Oliveira, 39 anos, mãe do Leonar, 3 anos, de Belo Horizonte (MG). “Além disso, pais e mães são os principais influenciadores da próxima geração. E sabemos que o contrário também é verdadeiro, pois estudos internacionais, como um relatório publicado pela Universidade do Oregon (EUA), apontam que as crianças, uma vez conscientizadas na escola, levam as informações para a família. Essa pesquisa mostrou que, quando os pequenos aprendem a importância de economizar energia elétrica, começam a mudar os hábitos em casa e são seguidos pelos pais. Claro que você não vai frear o aquecimento global deixando de usar determinado produto, mas, se o consumo desse item cair, a indústria rapidamente perceberá e tentará encontrar uma solução para reconquistar seus consumidores. Uma alternativa mais sustentável e acessível, talvez.

UMA NOVA LÓGICA

Agir de uma forma menos agressiva ao meio ambiente fica mais fácil se olharmos para nosso comportamento de maneira diferente e desconstruirmos algumas crenças. Os principais bens de consumo-eletrônicos, eletrodomésticos, carros, roupas, móveis e até imóveis – não quebram ou ficam obsoletos rapidamente por uma questão técnica. A culpa é da “obsolescência programada”.
O nome é difícil, mas a ideia é fácil de compreender. “Sabe aquele liquidificador que você comprou há seis meses, mas o copo quebrou e, agora, não dá para arrumar porque não tem peça para trocar ou um novo custa quase a mesma coisa? É isso”, explica a designer e pesquisadora Lia Assumpção, 43 anos, de São Paulo, que é autora de uma dissertação de mestrado sobre o tema.
Segundo ela, nem sempre foi assim. O liquidificador, a máquina de costura ou o rádio a pilha da sua avó duravam anos. Talvez você até tenha herdado um deles. “Construir objetos para que durem pouco é uma estratégia de mercado que surgiu nos Estados Unidos nos anos 1920”, diz. Nessa época, havia um grande potencial produtivo, mas pouca demanda, porque as coisas não quebravam e os consumidores viam valor nisso. “A indústria, então, passou a desenvolver produtos mais frágeis e a lançar modelos novos com frequência.” 
Como consequência, as pessoas começaram a comprar não só porque precisam, mas porque aquele produto tem um design diferente, mais moderno. Criou-se, assim, outra lógica de consumo. E ela foi sendo reforçada ao longo do tempo até chegarmos à situação atual, em que coleções de moda se renovam completamente a cada trimestre, e pessoas passam horas em filas só para comprar um celular de cor diferente ou com uma câmera discretamente mais evoluída.

“Além de adotar práticas sustentáveis na alimentação, higiene e outros hábitos da família, é importante olharmos para a formação das crianças para que elas percebam, desde cedo, que fazem parte de um todo. E isso pode começar na escolha dos brinquedos e brincadeiras. Dou para minha filha tanto massinhas industrializadas quanto argila. Ela mesma já percebeu que a natural recupera a consistência quando volta a ser umedecida, que faz parte da natureza. Também costumamos usar objetos da casa como brinquedos. Em vez de comprar um escorregador de plástico ou mesmo de madeira, usamos um colchão. Além de econômica, a prática é muito lúdica e mostra a versatilidade dos objetos. Ah, e damos muita importância para a contação de histórias. A literatura, afinal, é fundamental para o desenvolvimento da empatia.”

FLAVIO BASSI, 38 anos vice-presidente da Ashoka, pai da Stella, 3 anos, São Paulo (SP)

Diante de uma provocação para que, ao saber de tudo isso, repense seus hábitos, você pode até se apegar ao argumento de que tem o direito de gostar de algo novo. Ou ainda que a vida está corrida demais para gastar tempo procurando uma assistência para o seu fogão quebrado. Mas talvez o preço a pagar por essas escolhas seja alto demais. “Se o futuro da humanidade for decidido na sua ausência porque você está ocupado demais alimentando os seus filhos – você e eles não estarão eximidos das consequências. Isso é muito injusto, mas quem disse que a história é justa?”, afirma o historiador israelense Yuval Noah Harari e um dos maiores pensadores do nosso tempo em seu livro 21 lições para o século 21 (Companhia das Letras).

A BASE DO ESTRAGO

E sabe por que o foco das mudanças está no consumo? Porque, por trás de tudo aquilo que usamos para sobreviver, há uma cadeia que depende de água e energia (entre elas, as de maior impacto, como a elétrica e a queima de combustíveis fósseis), lança toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera e gera montanhas de resíduos para o ambiente.
A água merece atenção especial. Sem ela, afinal, não há forma de vida possível. E tendemos à sensação de que, por ser um recurso natural e renovável, sempre estará disponível. Só que não é bem assim. Ela não é inesgotável, por isso, vivemos a maior crise hídrica da história do planeta. “Um quarto da população mundial vive níveis de estresse hídrico”, alerta a escritora americana Melanie Mannarino, autora do livro recém-lançado nos Estados Unidos The (almost) zero waste guide (“O guia do desperdício (quase) zero”, em tradução livre para o português), em que dá 100 dicas para reduzir o desperdício de maneira leve.
É verdade que já criamos tecnologia para irrigar desertos ou aproveitar volumes poluídos. Em Portugal, por exemplo, é possível beber água de esgoto reciclada – e foi lançada até uma cerveja para divulgar o feito. Mas ainda são caros. Dessa forma, algumas regiões, sobretudo as mais pobres, não têm o que beber, muito menos irrigar plantações. Grandes cidades também correm o risco da seca, como já aconteceu em São Paulo, em 2015. Daí a importância de controlar tanto o tempo de banho (seu e da sua família) quanto a vontade de comprar uma nova calça jeans para o seu filho, já que a produção de uma peça consome mais de 5 mil litros de água, segundo levantamento do Movimento Ecoera.

Também é fundamental rever pequenas atitudes – e incluir a família nesse processo, inclusive as crianças. Hábitos como desligar lâmpadas e aparelhos elétricos quando não estão sendo usados, escolher ir a pé ou usar bicicleta sempre que possível, preferir as janelas abertas às luzes acesas, e cuidar do próprio lixo, para que o mínimo possível cheguem aos aterros, deve fazer parte da agenda de todos da casa.

Importante: “Você não precisa adotar um estilo de vida tudo ou nada para viver de forma mais sustentável e amigável o meio ambiente”, diz Melanie. Cada atitude ajuda a diminuir o impacto total sobre o planeta. Ao longo desta reportagem, reunimos diversas dicas para levar a sua família a uma vida com mais consciência. Elas são conselhos de influenciadores que tratam do tema, incluindo Melanie Mannarino e Bill Gates, além de orientações de ONGs e órgãos públicos. Inspire-se e, na medida do possível, parta para a ação. Lembre-se que as crianças aprendem pelas nossas atitudes e não apenas pelas palavras. Um passo de cada vez, mas sempre firme!

Em casa

CONFIRA CONTAS DE ENERGIA E ÁGUA MENSALMENTE

Saber o quanto você consome normalmente ajuda a identificar gastos fora da média que podem ser indício de vazamentos.

SAIBA ONDE FICA O REGISTRO DE ÁGUA

Já pensou ter de procurar o local durante o rompimento de um cano? Quanto mais rápido chegar até ele, menos água será desperdiçada.

REPARE TODO E QUALQUER VAZAMENTO

Torneira pingando em…
Ritmo lento - 10 litros/dia
Ritmo médio - 20 litros/dia
Ritmo rápido - 32 litros/dia
Filete - até 442 litros/dia

TOME BANHOS DE ATÉ 5 MINUTOS

Para a Organização Mundial de Saúde, uma pessoa precisa de 110 litros de água por dia para higiene e consumo. Uma ducha ligada por 15 minutos gasta 135 litros de água. Seu filho ama brincar no chuveiro? Coloque os brinquedos numa bacia com água e feche a torneira.

REGUE AS PLANTAS PELA MANHÃ

Quando o sol está muito quente a água de rega evapora rápido e nem sempre atende a necessidade da planta. À noite, ocorre o contrário a água pode ficar parada prejudicando o vegetal.

PREFIRA A LAVA-LOUÇAS

Uma máquina para 44 peças utiliza cerca de 40 litros por ciclo. Já uma torneira aberta durante 15 minutos consome por volta de 117 litros. Para o aproveitamento máximo, porém, o eletrodoméstico deve estar completamente cheio.

INSTALE DESCARGAS "DUPLO FLUXO”

Um equipamento antigo ou defeituoso pode gastar até 30 litros de água a cada vez que for acionado. As versões mais modernas com duas opções de fluxo, consomem 3 ou 6 litros de acordo com a necessidade.

PREFIRA LUZ NATURAL

Nos ambientes onde você e sua família circulam durante o dia, como a cozinha, a sala e o tão falado home office, deixe as cortinas abertas ou prefira aquelas mais translúcidas, para aproveitar ao máximo a luz do sol que é de graça e não causa impacto.

MORE ONDE JÁ MOROU ALGUÉM

Demolir e construir casas e prédios consome toneladas de materiais e também gera grandes volumes de resíduos, como restos de telhas, tijolos, azulejos, canos, fios e por aí vai... Se você precisa se mudar, uma saída mais sustentável é escolher um imóvel usado e fazer nele apenas os reparos necessários para o conforto e a segurança da sua família.

Compras

SUBSTITUA O DESCARTÁVEL PELO REUTILIZÁVEL

Diante de uma gôndola de supermercado dê sempre prioridade a embalagens reutilizáveis, como as de vidro, principalmente daquelas marcas que se responsabilizam pela coleta.

DIGA TCHAU PARA A SACOLINHA (MAS NÃO COMPRE MUITAS ECOBAGS)

Uma das saídas para reduzir o impacto é substituir as sacolas por ecobags de pano e material reciclado. Mas isso significa comprar o necessário, já que a produção também causa impacto. Em vez disso, reaproveite sacolas, construa novas com restos de tecido e outros materiais, como papelão.

TROQUE ROUPAS COM AMIGOS E PARENTES

O mercado da moda é altamente impactante. Além dos químicos e corantes utilizados na produção, há o problema da exploração da mão de obra, sobretudo nas linhas de fast-fashion. A ordem, portanto, é comprar o mínimo possível. Em vez disso, experimente usar peças de segunda mão ou alugadas. 

aLIMENTAÇÃO

LAVE ALIMENTOS EM UMA VASILHA ASSIM:

1. Por 15 minutos, mergulhe frutas, legumes e folhas de verduras em solução composta de uma colher de sopa de cloro ou água sanitária para um litro de água.
2. Em seguida, passe os alimentos para uma outra mistura (duas colheres de sopa de vinagre para cada litro de água) por mais 10 minutos. Não precisa enxaguar.

OPTE PELAS VERDURAS HIDROPÔNICAS

Embora varie de espécie para espécie, o consumo de água para o cultivo dessas verduras é inferior ao do plantio convencional.

REDUZA O CONSUMO DE CARNE BOVINA (UM DIA JÁ FAZ DIFERENÇA)

A pecuária é uma das atividades que mais emitem gases de efeito estufa, os responsáveis pelo aquecimento global. Não é preciso ser vegetariano para isso (a não ser que seja uma escolha da sua família). Mas que tal tirar a carne do cardápio um ou dois dias por semana?

1 kg carne = rodar mais de 10 km de carro a gasolina.

 

ATENÇÃO À PANELA CERTA

Se você escolher uma panela muito baixa e larga para cozinhar uma batata, por exemplo, vai precisar de muito mais água para cobri-la do que se utilizar um tipo mais alto e estreito.

CONSUMA ALIMENTOS PRODUZIDOS LOCALMENTE OU A POUCA DISTÂNCIA

Para que a comida chegue à sua mesa, ela percorre diversos processos, entre eles, o transporte, que consome energia e libera gases de efeito estufa na atmosfera. Quanto menor a distância entre a produção e o prato, menor o impacto ambiental.

USE GUARDANAPOS DE PANO

Mesmo que consiga utilizar só um de papel por refeição, ao longo de um ano, serão 1.095 guardanapos ou 82.125 se você viver até 75 anos.

COMPRE A GRANEL

Desta maneira, você leva para casa a quantidade que vai precisar, evitando desperdícios e ainda dispensa o impacto da produção da embalagem. Melhor ainda se levar seus próprios recipientes.

PREFIRA ALIMENTOS DA ESTAÇÃO

Cultivar alimentos fora da época exige esforços, como sistema de irrigação e uso de fertilizantes. Além disso, quando a produção vem das regiões muito distantes, o impacto do transporte é mais alto.

APROVEITE TUDO

Calcula-se que um terço dos alimentos produzidos no mundo seja desperdiçado. Além de perdas no transporte e na produção, jogamos no lixo cascas, talos e outras porções que podem ser aproveitadas em caldos, refogados, geleias e outras receitas.

FAÇA SEU PRÓPRIO PRATO E TREINE O PEQUENO PARA ISSO TAMBÉM...

Coloque só o que você vai comer, mesmo que seja necessário se servir novamente.

Tecnologia e eletrônicos

SEMPRE QUE POSSÍVEL TROQUE O AR-CONDICIONADO POR VENTILAÇÃO NATURAL

Ele não só consome muito e energia como para resfriar o ambiente fechado, joga ar quente para a área externa, e com isso, colabora para o aumento da temperatura ao ar livre.

PREFIRA LÂMPADAS DE LED

Elas são mais econômicas (chegam a reduzir o consumo de uma casa em 85%) e têm vida útil maior. Para se ter ideia, uma lâmpada incandescente dura cerca de mil horas e a de LED, 30 mil.

DEIXE A GELADEIRA E O FREEZER LONGE DO FOGÃO E DA JANELA

Focos de calor fazem com que a geladeira ou o freezer tenha de consumir mais energia para resfriar os alimentos.

MANTENHA APARELHOS FORA DA TOMADA

Mesmo quando desligados se estiverem conectados à tomada, os equipamentos elétricos continuam consumindo energia. Isso pode chegar a 10% do consumo total da casa em um mês.

RESISTA À TROCA DE CELULAR E ELETRÔNICOS, COMO VIDEOGAMES

Você não precisa ter o modelo mais moderno, só porque é novo. Use o aparelho até que ele seja capaz de atender às suas necessidades Quando estiver obsoleto de verdade, procure o fabricante para o descarte correto.

Lixo

SEPARE

Estima-se que cada morador da casa produza, em média, 1kg de lixo por dia. É muito! Mas só cerca de 20% é, de fato, dispensável. O resto é matéria orgânica ou reciclável. Separar cada uma dessas porções é fundamental para diminuir o impacto gerado.

FAÇA COMPOSTAGEM

Cerca de 40% do lixo que produzimos pode voltar à natureza como adubo. É o lixo orgânico, sobretudo restos de vegetais e de alimentos. Há sistemas simples de compostagem que podem ser instalados até em apartamentos.

REUTILIZE O QUE FOR POSSÍVEL

Uma outra forma de diminuir a quantidade do que mandamos para os aterros é reaproveitar embalagens, pedaços de tecido e outros materiais. Um vidro de geleia pode virar recipiente para temperos ou vasinhos.

RECICLE

Se não for possível reutilizar os materiais, é imprescindível garantir que eles cheguem aos postos de reciclagem.

Locomoção e viagens

VÁ A PÉ OU DE BIKE

Diminuir o consumo de combustíveis fósseis e controlar as emissões de gases de efeito estufa é um desafio. Sempre que possível, faça trajetos a pé de bike ou de transporte público, inclusive com as crianças (fora da pandemia, claro).

ESQUEÇA OS SOUVENIRS

Lembrancinhas de viagem em geral vão parar no lixo ou em uma caixa empoeirada no fundo do armário. Registre os bons momentos em fotos e no coração.

FAÇA MALAS PEQUENAS

Quanto mais pesado o veículo, mais combustível ele consome. Por isso, reduza ao mínimo o peso da bagagem da família.

PEÇA NOTAS POR E-MAIL OU WHATSAPP

O papel térmico usado nas notas fiscais e comprovantes de compra, além de poluentes, contém substâncias tóxicas que podem causar problemas de saúde.

Higiene e limpeza

PREFIRA REUTILIZÁVEIS

Fraldas de pano podem ser menos práticas do que as descartáveis, mas não geram lixo e isso é valioso. Se não quiser fazer a transição completa, tente pelo menos substituir em uma das trocas. Ao longo de um ano, você terá jogado 365 fraldas a menos no lixo.

USE TAMPAS DE CERA DE ABELHA

Uma opções filmes de PVC para vedar potes e embalar alimentos são os panos que levam cera de abelha na composição. Eles são maleáveis, laváveis, permitem vedar potes, por exemplo - e duram bastante.

TROQUE AS ESPONJAS POR BUCHAS VEGETAIS

Uma das alternativas às esponjas convencionais, feitas de plástico, são as buchas vegetais, um material natural que é compostado facilmente. Elas podem ser usadas no banho, na louça e na limpeza em geral.

OPTE SEMPRE POR PRODUTOS COM REFIL

Há opções para sabonete, xampu e produtos de limpeza. Versões desses produtos em barra também evitam embalagens plásticas.

Brinquedos e brincadeiras

USE TINTAS NATURAIS

Seu filho pode pintar com borra de café ou suco de beterraba. Igredientes naturais são bons substitutos das tintas industrializadas e proporcionam uma experiência diferente.

TROQUE A MASSINHA POR ARGILA OU MASSA CASEIRA

Brinque com argila natural ou faça a versão caseira, misturando: 
4 xícaras (chá) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de óleo de cozinha
1 xícara (chá) e meia de água
1 xícara (chá) de sal

DEIXE SEU FILHO BRINCAR COM O QUE TEM EM CASA

 Uma tampa de panela pode ser a direção de um carro. Uma caixa de papelão pode ser um esconderijo. Dê asas à imaginação.

MANIFESTE-SE, MOVIMENTE-SE!

Tem muita gente querendo fazer algo. Você certamente não estará só se decidir resolver algum problema da sua comunidade a favor do meio ambiente. Junte-se aos vizinhos do prédio, do bairro, aos grupos das redes sociais. Discutam, tenham ideias e partam para implementá-las juntos. E sim, escutem e envolvam as crianças, sempre que possível. Lembre-se de que no zero a zero todo mundo perde. Ao dar um passo, organizando a coleta de lixo reciclável, por exemplo, vocês saem da inércia e o planeta e a vida ganham. Que tal começar agora?

 

Matéria original da Revista Crescer.

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1 ano de pandemia

1 ano de pandemia

Parece inacreditável, mas já estamos há doze meses em quarentena devido ao novo coronavírus. É certo que haverá um legado - positivo e negativo - desse período para filhos e pais. Ouvimos especialistas e famílias para refletir sobre esse panorama e saber como agir diante dos desafios.

Matéria original da Revista Crescer.

Onde você estava em março de 2020, quando soube que iria começar a quarentena no Brasil? Com certeza nem nos seus maiores sonhos – ou pesadelos – imaginaria tudo o que viria pela frente. Mas cá estamos nós, um ano depois. Muita coisa já melhora, temos um processo de vacinação em curso e novas perspectivas, ainda que a passos lentos.

Fato é que essa vida diferente a que fomos expostos de uma hora para a outra teve efeitos positivos e negativos para adultos e crianças. “Para elas, o impacto de estarem isoladas, com os pais tensos e ansiosos, é grande e profundo, porém, é fundamental que possamos olhar para esse momento e aprender. Aprender a valorizar quando pudermos nos abraçar; valorizar a simples rotina de ir para a escola; de conviver mais intensamente em família”, reflete a psicóloga Camila Cury, fundadora do Programa de Educação Socioemocional da Escola da Inteligência (SP). É importante enxergar o momento também como uma oportunidade que gerou possibilidades de filhos e pais estarem mais próximos, por exemplo. Quem aí teve a chance de acompanhar de perto os primeiros passinhos do bebe?

É certo que não somos os mesmos de um ano atrás – muito menos nossos pequenos. E isso traz consequências, algumas boas e outras, nem tanto. “Um ano na vida de uma criança é muito diferente de um ano na vida de um adulto. O cérebro dela tem janelas de oportunidade, está ávido por adquirir novas habilidades. O desenvolvimento infantil é altamente dependente do meio externo. Se ela fica limitada ao ambiente da casa, interagindo apenas com poucos adultos que, muitas vezes, precisam trabalhar e não consegue se dedicar integralmente a ela. Será privada de estímulos.  E essa privação pode levar, em casos extremos, claro, a um atraso no desenvolvimento”, afirma a neuropediatra Luciane Baratelli, da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro.

MUDANÇAS REAIS

Vimos isso na prática. Um estudo das Faculdades Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR), feito com mais de 1,9 mil famílias, com crianças entre 2 e 12 anos (de todos os estados do Brasil), mostrou que 100% delas tiveram ao menos uma mudança de comportamento durante o isolamento social seja referente alimentação, a interação social, ao comportamento, seja ligada ao sono. “As crianças ainda sentirão por algum tempo o impacto da pandemia, do afastamento escolar e da falta de convivência. Pais e educadores devem estar atentos a alterações de comportamento. Precisamos acreditar que a saúde mental delas pode estar em sofrimento e precisando de ajuda, para intervir o mais precocemente possível”, diz a pediatra Loyola Presa, uma das pesquisadoras a frente do estudo.

Então, como estar atento a essas mudanças? Um estudo do hospital pediátrico da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, com mais de 2 mil famílias, de crianças e jovens de 0 a 18 anos, revelou os principais medos dos pais em relação aos filhos na pandemia: o excesso de tempo na frente das telas e das redes sociais, o aumento de hábitos não saudáveis de alimentação,еfalta de atividades físicas, estresse, ansiedade e risco de depressão.

Isso mostra que diversos pontos merecem atenção e variam de família para família. Cada um deve buscar formas criativas de aliviar a tensão emocional o máximo possível. “Comece desligando os noticiários e sintonizando as ideias com algo mais positivo. Diminua o estimulo eletrônico em casa, pois a exposição as telas intensificam o estresse e a falta de concentração da criança. O movimento livre é uma excelente forma de fazer com que pensamentos negativos se reorganizem. Então, que tal todos fazerem uma aula de dança em casa? Desenhar uma amarelinha com fita adesiva no chão para o pequeno gastar a energia quando precisar? ” Sugere a educadora parental Aline De Rosa, criadora do programa Acolhedora de Mães (SP).

A pandemia tem, sim, consequências ruins, infelizmente. A própria covid-19 é terrível em muitos casos. Mas, quando falamos de educação e vida em família, percebemos tantas questões valiosas…. Precisamos decidir qual é a lente que usamos para enxergar a vida, o quanto de energia colocamos nos pontos positivos e nos negativos. Então, a proposta aqui é fazer um balanço das lições dessa pandemia e enfrentar o saldo disso. A seguir, um material para nos provocar reflexões e planejar nossas próximas ações.

"Em 2020, minha filha fez 4 anos e foi para escola pela primeira vez. Nem um mês de aula o mundo parou. A rotina voltou a ser o que era para mim, com a diferença que meu trabalho e do marido pararam também. Então, vimos os três em casa. Doze anos de casamento nunca passamos mais do que 30 dias inteiros juntos. Mudamos nossos hábitos, nos aproximamos mais e percebemos nossas falhas como pais, questões que não víamos. Estamos mais próximos como casal, como família."
Priscila Fontoura, 32 anos, fotógrafa.
Mãe de Alice, 5 anos.

MAIORES LEGADOS

Para as crianças

Ter autonomia e independência.

Ser mais participativa e casa

Ganhar mais presença dos pais

Aprender novas regras

Entender a importância de coletivo

Para os pais

Perceber que vinculo e mais do que morar juntos

Estar mais presente na rotina das crianças

Entender melhor a metodologia da escola do filho

Ter a consciência clara de que são o maior exemplo para os pequenos

Compreender que não podemos controlar tudo, mas controlamos nossas próprias escolhas

Os impactos e os próximos passos

DESENVOLVIMENTO

Os impactos

Sabemos de cor que é importante para um bom desenvolvimento da criança ambiente acolhedor e estimulante, adultos cuidadores atenciosos, livre brincar, convivência com seus parentes, contato com a natureza, alimentação equilibrada, sono restaurador. Se muitos desses aspectos foram tirados dos pequenos nesse período, é natural que se vejam resultados aquém do esperado. Ao mesmo tempo, a possibilidade de passar mais tempo com os pais em casa trouxe até alguns avanços.
Segundo o pediatra Daniel Becket Rio de Janeiro (RJ), algumas crianças que estavam em casa em harmonia, com pais que conseguiram se organizar na quarentena para dedicar tempo a elas, mantendo a tranquilidade, o afeto e convívio saudável entre o casal e os filhos, tiveram desenvolvi mento espetacular. “Aquelas que não falavam, por exemplo, passaram a fazer isso. Mas a maioria, mesmo tendo conquistas sofreu com sintomas psíquicos, alterações de comportamento, desde distúrbios de apetite, seletividade excessiva, recusa ou compulsão alimentar, agressividade, irritação, birras e ficaram grudadas nos pais”, afirma.

O especialista ainda alerta para casos de regressão de comportamento, como crianças que estavam já sem fralda e voltaram a usá-la, além de tiques, gagueira e dificuldades escolares. “São sintomas que vão se agravando ao caminhar para a introspecção excessiva, recusa de vivenciar as atividades em família, de sair, de participar da aula online, de ver os avós, de encontrar amigos… até chegar na depressão, que vimos um bocado também”, afirma.

Próximos passos

Uma vez que seja observado um atraso (lembre-se, você não está sozinho nessa!), a criança deve ser estimulada. É importante ter um profissional acompanhando, ou seja, converse sempre sobre isso com o pediatra. Quanto aos estímulos, vão variar de acordo com a idade e a finalidade, mas englobam as vivências no dia a dia o olho no olho, as brincadeiras ao ar livre e o contato com a natureza, tomando sempre cuidado com aglomerações (a pandemia segue seu curso ainda). Se sentir dificuldade, não hesite em procurar o apoio de profissionais especializados, como fonoaudiólogos fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Saúde mental e emoções

Os impactos

Uma pesquisa do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra mostrou que uma em cada seis crianças apresentou problemas emocionais na pandemia. Parte disso é reflexo do clima que os pequenos vivem em casa. “Nas famílias em que os pais estão muito ansiosos ou ambiente anda estressante demais, eles, por consequência, ficam ansiosos e isso compromete o emocional”, diz a pediatra Ana Escobar, colunista da CRESCER.
Porém, outros fatores, como o fechamento das escolas, privação do convívio social e morte de familiares também elevaram o nível de estresse nos pequenos. Alguns estão inclusive, com dificuldades de se relacionar com outras crianças e até de confiar em adultos – reflexo da ideia que o outro representa perigo (pela contaminação). Tiques nervosos, como roer a unha, cutucar a pele, morder a bochecha e ranger os dentes entram na lista de sintomas.
Segundo a neuropediatra, Luciane Baratelli de Niterói (RJ), esse cenário pode gerar um estresse tóxico, com aumento persistente do cortisol (hormônio ligado ao estresse). “Sabe-se que o principal protetor da saúde mental das crianças em situações de estresse é o apoio familiar. 

Quando a criança recebe cuidados e afeto de adultos que passam a ela sensação de segurança, o organismo consegue se reorganizar e voltar a ter um funcionamento normal. Já nos casos em que esse suporte é ausente ou inadequado, ela passa a ter um aumento prolongado do cortisol que lesa circuitos neurais em desenvolvimento e aumenta o risco de apresentar atraso no desenvolvimento de pressão e transtornos de conduta no futuro”, afirma.


Próximos passos

Claro que não temos de esconder nossos sentimentos dos filhos. Todos tivemos de enfrentar perdas e mudanças, o que pode gerar ansiedade, medo e tristeza. Mas é preciso ter um olhar cuidadoso na maneira como traduzimos isso às crianças. “É fundamental a comunicação adequada com os filhos, explicando a situação pela qual estamos passando de forma objetiva e clara, de acordo com cada faixa etária. Nesse momento, eles necessitam de rotina, segurança, estabilidade e compreensão. Vale criar junto com a criança estratégias para ela lidar com os sentimentos, e ensiná-la de fato reconhecer nomear as emoções”, orienta a psicóloga Mariana Bonsaver do Hospital e Maternidade Pro Matre em São Paulo (SP). 

Além do diálogo constante, livros infantis e brincadeiras de faz de conta são bons aliados para ajudar os pequenos a entender o que sentem.
Com Acolhimento e orientação dos pais, tudo pode se transformar em resiliência e adaptação. Um exemplo está nas datas comemorativas, como a ausência da tão esperada festa de aniversário. “Em vez de diminuir ou ignorar o sentimento dela, dizendo que é só uma comemoração, diga que entende a tristeza dela. Ou seja, o importante é menos a festa em sie mais o sentimento dos pais”, diz a educadora parental Aline De Rosa, São Paulo (SP). Ofereça alternativas para seu filho, como uma festa do pijama só de vocês, com direito a um acampamento na sala!

"Pude acompanhar o desenvolvimento da minha filha de maneira que jamais seria possível. A primeira vez que pediu para ficar sem fralda, que fez xixi no banheiro... na vida corrida de antes, eu não teria presenciado nada disso. Ela se desenvolveu”
Hellen Monteiro, 39 anos, Reflexoterapeuta.
Mãe de Manuela, 3 anos..

O BRINCAR E A NATUREZA

Os impactos

Como nunca antes, colocamos um holofote no papel do brincar. Que bom! Afinal, ele é a linguagem criança, é como ela compreende o mundo à sua volta. Mais do que isso, nesta pandemia, a brincadeira salvou o emocional de muitas famílias. Em dois aspectos: enquanto a criança brinca, os pais podem trabalhar ou se dedicar as tarefas da casa com mais tranquilidade. Além disso, a diversão promove conexão entre filhos e pais.
E a falta que fez estar ao ar livre? A natureza é o lugar em que o ser humano se sente melhor, seja criança, seja adulto. Sentimos na pele a ausência desse espaço – tanto na deficiência de vitamina D quanto na energia acumulada dos pequenos.

Próximos passos

Os pais perceberam a importância de encher o pote de atenção do filho – e do quanto a brincadeira é um dos principais ingredientes para isso. Quando está suprido de carinho, o pequeno faz menos birras e fica mais tranquilo. Mas isso não significa ter de virar um recreador de buffet infantil e entreter seu filho o tempo todo. O tedio é importante também. E no ócio criativo que a criatividade acontece. Equilíbrio e tudo!
Quanto ao contato com natureza, o que fica é a valorização ainda maior do cuidado com o meio ambiente e sua potência na nossa vida. “Ficou claro para todo mundo a importância das experiências ao ar livre para a criança, e como ela melhorou depois de sair um pouco de casa. Pessoas que conseguiram viajar, passar um fim de semana numa casa alugada, num sitio, relatam como é impressionante a resposta dos pequenos. Cem por cento deles voltavam muito melhores. O mesmo ocorreu com crianças levadas a praça ou ao clube para fazer uma atividade ao ar livre. A resposta foi muito impressionante, relata o pediatra Daniel Becker.
Moral da história: sempre que possível proporcione atividades ao ar livre para o seu filho – com todos os cuidados, claro. E ainda que você não tenha como levar a praia, ao parque ou ao sitio, lembre-se que a natureza está sempre perto, nos detalhes, como fazer e cuidar de uma horta, pisar na grama, pegar na terra, sentir as texturas diferentes das folhas, escalar árvores, tomar sol ou sentir a brisa de um fim de tarde.

"O começo foi difícil, e achei que não daria conta. Mas fazendo um balanço, me sinto privilegiada de poder estar com a minha filha 24 horas por dia. E sei que mais tarde ela lembrar desse período, e sentir o cheirinho de bolo de cenoura, dos filmes à tarde, das broncas e de tudo que aprendemos juntas. Estamos mais fortes e unidas. O isolamento me trouxe valores e me fez enxergar coisas que estavam guardadas”.
Grasielly Vailati, 40 anos, consultora de viagens.
Mãe de Julia, 7 anos.

ROTINA DA CASA

Os impactos

Pandemia sem rede de apoio, tendo de cuidar de casa, criança e trabalho. É natural que você não dê conta de tudo. E quer saber? Está tudo bem! É preciso priorizar aquilo que gera bem-estar para a família, muitas vezes, só acontece quando há envolvimento de todos. Uma das grandes lições da quarentena foi a importância da divisão de tarefas domesticas não só entre o casal, mas inserindo as crianças também.
Antes do isolamento a maioria delas ajudava pouco ou quase nada. Os pequenos mal sabiam o que precisava ser feito para manter a casa limpa, organizada e funcionando.

Próximos passos

As crianças aprenderam que as coisas em casa não acontecem sozinhas. Na nossa cultura, elas não ajudam tanto, diferente do que vemos fora do país, onde nem todo mundo pode pagar um funcionário doméstico. “Houve uma mudança de postura que seria bom manter. Crianças devem ser mais participativas em casa E os pais precisam entender como isso e importante para elas”, diz a pediatra Ana Escobar, colunista da CRESCER. Por isso, continue inserindo o pequeno nas atividades domésticas, de acordo com a idade e a maturidade de dele. Dá até para ser divertido! Nos dias de mais bagunça, combine um mutirão em família antes do jantar (quase uma gincana) para irem dormir com tudo organizado. E estabeleça prioridades. “Se tiver de escolher entre lavar a louça ou sentar para brincar com seu filho, avalie: pote de amor dele está vazio? Sente para brincar. Está tudo bem? Convide-o para ajudar na tarefa. São pequenas escolhas diárias que cada pai e mãe deve fazer para equilibrar as demandas e prioridades da rotina familiar”, afirma Aline De Rosa

SAÚDE E HIGIENE

Os impactos

Nunca se olhou tanto para a saúde, para o papel da ciência, das vacinas, do se cuidar em prol do outro como hoje. E isso os pequenos vão levar para a vida toda. Aliás, no que diz respeito aos hábitos de higiene, muitos deles mostraram saber lidar bem melhor do que nós. Você vê as crianças usando máscara tranquilamente na maior parte das vezes São poucas as que a arrancam – diferentemente dos adultos” diz o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Cientifico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Próximos passos

Higiene nunca é demais, e manter os bons hábitos adquiridos é fundamental. Não deixe que o seu filho perca esse olhar. Se Ele o está aprendendo agora (afinal, quantos bebês do começo da pandemia estão completando 1ano?), oriente sobre a lavagem correta das mãos, invente músicas ou cante os parabéns inteirinho com ele nessa hora. Continue mantendo uma caixa para deixar os sapatos na entrada de casa, assim fica fácil a criança saber onde colocá-los quando voltam da rua. Procure máscaras confortáveis e apropriadas ao tamanho do seu filho, assim ele não precisa ficar colocando a mão para arrumar “É o que chamamos de alfabetização sanitária, e esse é um legado interessante que deve ficar da pandemia, tanto para crianças como para adultos, diz o infectologista Kfouri.

LIMITES E TELAS

Os impactos

Lidar com choro, birra, agressividade, medos, vídeo game, hora para dormir… Muitos dos nossos conceitos de limites e de controle das emoções tiveram de ser revistos “Adultos, crianças, adolescentes. Todos precisaram se reinventar rever rotinas, acordos e atitudes”, afirma a consultora em educação Beto Rodrigues, treinadora de Disciplina Positiva da Positive Discipline Association dos Estados Unidos.
Afrouxamos regras, permitimos em alguns momentos que as crianças dormissem mais tarde, almoçassem em frente à TV ou comessem aquela guloseima. Afinal, temos mesmo de escolher as batalhas diárias. Mas o campeão de limite ultrapassado provavelmente tenha sido, em muitas famílias o volume de telas. Tanto que, segundo pesquisa realizada do Hospital JK Lone, em Jaipur, na índia, 65% das crianças estilo viciadas em eletrônicos e sio incapazes de manter distância deles mesmo que por 30 minutos.

Próximos passos

O uso da tecnologia está aí, foi o que permitiu manter nosso trabalho, rever parentes e amigos, comemorar aniversários, fazer consultas medicas e as aulas on-line das crianças. Estamos aprendendo cada vez mais que travar uma disputa com os gadgets na rotina dos pequenos não é o caminho. O desafio que continua e ensina-los de maneira saudável (e observar como nós mesmos lidamos com eles), mostrando a importância de outras atividades essenciais, como brincar, se exercitar, ler um livro impresso e ter momentos ao ar livre. Já sobre nossos parâmetros de limites revistos, não adianta ser radical, afinal não sabemos quando poderemos ter uma rotina perto de como era antes, então, novamente, busque o meio-termo. Flexibilizar pelo bem da nossa saúde mental, mas ainda com combinações claras para as crianças. Assim, chame seu filho para uma conversa, diga que você quer ouvi-lo para então, pensarem juntos em soluções. Quando a criança é valorizada, se sente parte daquilo e tende a colaborar muito. Estabeleçam os combinados e os cumpra.

EDUCAÇÃO

Os impactos

Talvez seja um dos campos mais afetados na pandemia e o que mais influenciou na rotina e na sanidade mental de todos. Ter os pequenos arrancados do ambiente escolar, do aprendizado presencial, do convívio naquele local que é deles, por natureza, mexeu com a cabeça de filhos e pais. Muitas crianças perderam o interesse pelos conteúdos, estão com dificuldades no aprendizado, sem motivação.
Por outro lado, há famílias mais atuantes no aprendizado do filho e na relação de parceria com a escola, ser contar a valorização muito maior (por parte dos pais) do papel do professor e de todos os desafios que é educar uma criança.

Próximos passos

O tema divide opiniões. Algumas famílias se adaptaram às aulas online e acreditam que ser o caminho a seguir, outras não querem nem ouvir falar nesse modelo. O mesmo acontece com profissionais da educação. “Para mim, fica de lição que o presencial tem de ser algo além dos conteúdos e cobrança por resultados. Isso o online pode fazer, até sem professor. Também permanecem as possibilidades que se abrem com o digital, a versatilidade, a agilidade e o espaço para a diversidade das formas de expressão”, diz Ligia Mori, diretora pedagógica da Escola Nossa Senhora da Graças, o Gracinha, em São Paulo (SP).
Já para o educador Marcelo Cunha Bueno, diretor da escola Estilo de Aprender (SP) e colunista da Crescer, não há saldo positivo no aprendizado à distância. “A experiência da aula online veio colada à anulação do convívio social, à pandemia, ao medo. Antigamente, se pensava que o ensino online substituiria o presencial, agora vimos que isso nunca vai acontecer. Será um complemento para quem quiser. Hoje não vejo nada de favorável disso. Talvez daqui a alguns anos, afastado desse clima de pandemia, eu consiga fazer uma análise mais crítica e encontrar pontos positivos”, reflete.
Para a psicopedagoga Quézia Bombonato, conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia, é possível tirar proveito da situação: “O formato digital tem características, como foco, persistência e determinação, relevantes para a aprendizagem. Se os educadores se apropriarem desses conceitos e os aplicarem em suas atividades, os alunos poderão desenvolver competências socioemocionais e comportamentais para dar conta das transformações que estão ocorrendo na nossa sociedade”.

SOBRECARGA DAS MULHERES

Os impactos

Mesmo antes da pandemia, elas já dedicavam o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e/ou aos cuidados com outras pessoas, se comparadas aos homens, segundo dados do IBGE. A pandemia foi vivida e sentida de maneira diferente por pais e mães. Segundo pesquisa realizada pela Filhos no Currículo, em parceria com o Movimento Mulher 360, sobre a experiência do home office na pandemia, metade dos pais achou “fácil” ou “muito fácil” conciliar filhos e carreira, enquanto apenas 33% das mães tiveram a mesma percepção. Ou seja, a divisão de tarefas injusta ou inexistente e a sobrecarga delas ficou mais evidente. Por outro lado, muitos homens viram, na prática, como é a realidade e passaram a desempenhar de forma mais ativa seu papel de pai. “Os casais tiveram momentos de discussões profundas, que os fez crescer no relacionamento ou repensar a situação conjunta. Essa experiencia trouxe aprendizados em todos os aspectos e precisamos consolidá-los para um futuro melhor”, diz a pediatra e neonatologista Clery Gallacci do Hospital e Maternidade Santa Joana em Sao Paulo (SP). Outro ponto de destaque com escolas fechadas e falta de rede de apoio, as mulheres estão considerando tirar uma licença ou sair do trabalho. Segundo o IBGE, a participação feminina no mercado de trabalho e a menor de 30 anos.

Próximos passos

Se, mesmo com essa luz que a pandemia jogo na carga mental das mulheres, você ainda sente que o peso maior continua nos seus ombros, abra espaço para um diálogo franco com quem divide a casa e a vida, sobre tarefas domésticas, cuidados com as crianças e jornada de trabalho. O que não dá para viver esgotada, tentando dar conta de tudo, se frustrando porque não consegue se dedicar ao trabalho e nem as crianças. Marque, na agenda, se for preciso um horário para essa conversa depois que as crianças dormirem, façam ajustes de maneira que fique bom para ambos. Toda a família ganha com um ambiente harmônico. E se você está no time de quem anda pensando em abrir mão do trabalho, saiba que não precisa ser assim a não ser que deseje. Busque modelos que conciliem sua necessidade à do mercado, como o staff loan (novo conceito de trabalho temporário em que a empresa faz um empréstimo de funcionários de outras corporações) por exemplo. Se a opção for continuar no emprego em que esta converse com seus supervisores sobre possibilidades de mais flexibilidade e sugira soluções.

“A pandemia me fez valorizar ainda mais a minha mulher. Só passando na prática pelas mesmas dificuldades do dia a dia com as crianças, tarefas domésticas e trabalho extra é que a gente vê como não é fácil.”
Paulo Junior, 36 anos, engenheiro.
Pai de Miguel, 6 anos e Clarice, 3.

SOCIALIZAÇÃO

Os impactos

Avida social das crianças antes da pandemia era farta de possibilidades: escola, cursos extracurriculares, parquinho, programas culturais, casa da avó, dos amigos. De repente, nenhum outro contato além dos pais. Muitas até se acomodaram nas aulas on-line com câmera fechada. “Na volta a socialização, os pequenos mais introvertidos poderão ter um desafio ainda maior. Vejo muitos que estão adorando ficar em casa. Mas com o tempo, vão se readaptar”. diz pediatra Ana Escobar.

Próximos passos

Família e escola devem estar preparadas para lidar com a ressocialização, agora, com máscara e álcool em gel e algum distanciamento. E estar atentas aos pequenos que demonstrarem medo e angústia. Assim como a readaptação as aulas presenciais ainda que em esquema híbrido, a volta ao convívio com amigos e familiares quando a pandemia passar vai exigir esforços das crianças e dos adultos. Não subestime qualquer dificuldade do seu filho nesse sentido, converse, pergunte o que ele está sentindo e pensem juntos em soluções. É importante respeitar as particularidades de cada criança. As que sofreram maior impacto psicológico ou social diante dessas mudanças devem ser acompanhadas por profissionais. “As crianças tem grande capacidade de adaptação. Esperamos que com a volta da escola presencial, recuperem a socialização facilmente”, diz Ana Escobar. Mesmo as bem pequenas que não conviveram com ninguém além dos pais, podem até estranhar no início, mas com paciência, vão acostumar com outros rostos e colos. Tudo questão de tempo.
Agora nos conte: e para você, o que vem pensando mais depois de ler sobre esses impactos que a pandemia nos impôs? Uma coisa é certa: reconhecer as mudanças e seus efeitos na nossa vida facilita traçar estratégias para enfrentar os desafios que ainda temos pela frente. Com clareza, força e esperança. Vamos nessa?

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Andar com fé eu vou

Andar com fé eu vou

Não estamos falando de religião. E sim de acreditar (e agir) na criação de um mundo melhor. Veja o que diz a ciência sobre a importância de ser otimista para a saúde física e mental do seu filho, especialmente em tempos tão difíceis como os que estamos vivendo.

Certa vez, o escritor e historiador Leandro Karnal, brincou em uma de suas palestras dizendo que filhos são o pior investimento do mundo. Pois, além de caros, demandam atenção constante, retribuem pouco ou nada e, em algum momento da vida, nos dizem “eu te odeio”. Sem contar que, eventualmente, podem nos colocar num asilo. E por que, então, nos damos ao trabalho de formar uma família? Segundo ele, por conta do otimismo. “Estamos aqui porque pessoas se amaram e acreditaram. O futuro só existe por causa dos otimistas”, concluiu, provocando sorrisos na plateia.

É verdade que, ultimamente, não tem sido fácil manter a positividade. Como explica o historiador, em entrevista à CRESCER, trata-se de um movimento pendular. “O período pós Segunda Guerra, por exemplo, foi tomado de otimismo”, diz. Isso porque, segundo ele, as gerações de então acreditavam em um mundo mais justo e próspero para todos. Hoje, porém, com a pandemia, crise econômica e ambiental e polarização na política, só para citar alguns motivos, a esperança dos brasileiros, famosos por rir da própria desgraça, foi abalada.

Para a biomédica esteta Cláudia Castro, 37, mãe de Júlia, 7, a quarentena foi um grande desafio. “Minha filha era muito ativa. Além da escola, fazia ginástica olímpica, natação, inglês. Tínhamos uma programação intensa, com eventos na igreja e passeios culturais”, afirma. A mãe conta que, a princípio, fez diversas atividades em casa com a menina, até por ficou um período sem trabalhar, mas as duas foram “pendendo o gás” aos poucos e como resultado, Júlia começou a ficar triste e irritada com frequência. “Ela enjoou de TV e celular, então, sentiu a falta de conviver com os amigos. Brincar só com os pais não era o suficiente”, lamenta Claudia. Para contornar a situação, o jeito foi fazer algumas adaptações – Júlia começou a brincar com as amigas por meio de uma plataforma com chamadas de vídeo – ter bastante paciência, especialmente com as aulas online. “Ela estava na fase da alfabetização, não queria deixá-la ainda mais agitada. Por isso, reduzimos as cobranças e as expectativas”, completa.

A rotina começou a melhorar somente em outubro, com a flexibilização do isolamento social na maioria dos estados. Claudia voltou a trabalhar, mas a menina ainda não retornou às aulas presenciais. No entanto, a família fez passeios de carro, visitou familiares em outra cidade e se encontrou com alguns amigos de Júlia, sempre com os devidos cuidados e longe de aglomerações “Eu me considero uma pessoa otimista, sabe? Mas confesso que estou exausta”, afirma Cláudia. Quem mais se identificou?

Cláudia, eu, você e todos os pais e mães do país que chegaram até aqui estão de parabéns. Vamos combinar que foi um ano nada típico, e ser otimista certamente fez diferença em situações como essa. “Algumas questões são passageiras, como a conjuntura política ou a pandemia. Outras merecem atenção e ações concretas, entre elas a questão ambiental e a dos direitos humanos. O otimismo é estratégico. Você encontra melhores soluções quando acredita que elas são possíveis”, afirma Karnal. Ok, mas como transmitir isso às crianças?

Em primeiro lugar, você precisa entender o verdadeiro conceito de otimismo, já que há quem o confunda com a obrigação de se mostrar feliz o tempo todo, atualmente conhecido por positividade tóxica. “A exigência de estar sempre positivo é um dos fardos mais difíceis de carregar, porque isso não é possível sem que a gente esconda demonstrações naturais como medo, angústia e tristeza. E, ao ‘nublar’ algumas emoções, fica difícil acessar tanto a nossa vulnerabilidade quanto a nossa potência”, afirma a educadora parental Thais Basile, do @educacaoparaapaz. Mas o que caracteriza o otimismo, então? De acordo com a psicanalista Denise de Sousa Feliciano, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, trata-se de um recurso mental que nos leva a encarar um obstáculo de modo a tirar melhor proveito da situação. Está mais para uma atitude do que um sentimento. “No caso da pandemia, por exemplo, você tinha a opção de passar o semestre reclamando ou buscar saídas criativas para viver o período de um jeito confortável”, diz. O que é mais fácil, segundo ela, quando analisamos os dois lados da moeda, por assim dizer. E saiba que o esforço compensa, como mostra a ciência.
No livro The Optimistic Child (“A Criança Otimista”, em livre tradução do inglês, ainda não publicado no Brasil), o psicólogo norte-americano Martin Seligman, professor da Universidade da Pensilvânia (EUA), justifica por que devemos incentivar as crianças a serem otimistas. Mais de mil estudos, envolvendo aproximadamente meio milhão de crianças e adultos, mostram que pessoas pessimistas se saem pior do que as otimistas em três aspectos, em primeiro lugar, elas se deprimem com mais frequência.

Em segundo, suas realizações ficam aquém de suas capacidades na escola e no trabalho. Por último, sua saúde física é pior que do pior dos otimistas escreve Seligman, que também é autor do best-seller Felicidade Autêntica (Editora Objetiva). Aliás, uma pesquisa recente da Universidade de Boston (EUA), que acompanhou cerca de 70 mil pessoas por até 30 anos, mostrou que os otimistas vivem por mais tempo e tem mais chance de alcançar a chamada longevidade excepcional (isto é, viver por 85 anos ou mais). Os cientistas não sabem o motivo exato, porém, desconfiam que os otimistas tendem a cuidar melhor da saúde.

QUESTÃO DE FEEDBACK

Uma das teorias de Seligman é a de que tanto o otimismo quanto o pessimismo podem ser passados de pais para filhos, por influência da genética (pelo DNA), especialmente, do ambiente. Por essa razão, vale a pena fazer uma autoavaliação da maneira como você encara seus obstáculos. “Nossa visão é altamente influenciada pelas nossas crenças sobre o mundo e sobre nós, e elas não são conscientes para a maioria das pessoas. Por baixo de uma atitude negativa podem estar escondidas angustias mais antigas, por exemplo”, alerta a educadora parental Thais Basile. Ela explica que não basta apenas querer trocar de visão, é preciso entender os motivos. E nesse caso, a psicoterapia pode ajudar e muito. Existem algumas técnicas e hábitos para praticar o otimismo com as crianças no dia a dia, mas entre os principais está a maneira como nos comunicamos com elas. “Uma dica importante é separar o valor da criança, de suas habilidades e dos resultados dos acontecimentos, que muitas vezes não podem ser controlados”, afirma a psicóloga Janet Boscovski, professora da Universidade North Carolina Greensboro (EUA), que estuda o comportamento infantil. Boscovski acredita que nós sempre devemos transmitir às crianças que elas são amadas e valorizadas, independentemente do que acontecer. Ao mesmo tempo, devemos ajudá-las a desenvolver um senso de autoeficácia (ou seja, a confiança que temos em nossa capacidade de realizar algo), encorajando-as a dar duro e mostrando a elas que, ainda assim, nem sempre as coisas saem como esperamos. Em outras palavras, ao compreender que todos falhamos, as crianças aprendem a lidar melhor com os percalços. E não se esqueça de que você é o exemplo, como sempre, ok? Por isso, nada de falar uma coisa (Seja otimista, filho!) e fazer outra (Nada dá certo para mim!).

De acordo com Boscovski, pesquisas mostram um viés otimista presente desde os 3 anos. Esse comportamento atinge o seu pico entre 6-8 anos e diminui no fim da infância (9-11 anos). Em um estudo publicado no periódico Developmental Psychology, ela e seus colegas descobriram, por exemplo, que crianças de 3 a 6 anos precisam ver apenas um comportamento positivo para julgar um personagem de uma história como “do bem”, mas vários comportamentos negativos para considerá-lo malvado. A explicação seria que, nos primeiros anos de vida, elas recebem mais feedbacks positivos (dos pais, dos professores e até mesmo de estranhos) do que negativos, e tendem a ser poupadas da realidade, uma vez que suas interações se limitam à família e à escola. À medida que se desenvolve, portanto, é esperado que o seu filho se torne mais realista. Nesse contexto, se frustrar faz parte, como vamos ver adiante. A boa notícia é que dá para treinar o cérebro a ser mais otimista, sabia? “Por causa da neuroplasticidade cerebral (capacidade do cérebro de se reorganizar e se adaptar a mudanças), as sinapses mais estimuladas são reforçadas”, diz o neurocientista Fernando Gomes Pinto, autor de O Cérebro Ninja (Editora Academia) e professor da Faculdade de Medicina da USP. Isso quer dizer que os padrões cerebrais incentivados na primeira infância (de 0 a 6 anos), período em que o cérebro se adapta com mais facilidade, vão se tornar hábitos. Segundo ele, os comportamentos otimistas podem ser fixados por meio do chamado reforço positivo. O que na prática significa valorizar as boas condutas das crianças com afeto, atenção e diálogo.

O BEM EXISTE

Em plena pandemia, quem deu um banho de otimismo até mesmo nos mais céticos foi João, 9, de Maringá (PR). Em setembro do ano passado, o menino tentou negociar uma casa para a família no site de vendas OLX. Como não tinha dinheiro o suficiente (R$ 110 mil), propôs ao vendedor uma parcela mensal de 50 reais. “Estamos passando por dificuldades financeiras desde que o meu marido faleceu, há dois anos. Então, sempre que ele me pedia alguma coisa, eu costumava responder que era preciso juntar o dinheiro do aluguel. Acho que isso o motivou”, conta a diarista Diana Campiolo, 38, que também é mãe de Kauā, 20. Quando ela descobriu a “negociação”, entrou em contato com o vendedor para se desculpar. “Mesmo assim achei graça, então, uns dias depois publiquei as prints da conversa que ele teve com o vendedor no Facebook”, diz. O post rapidamente viralizou, até que Diana foi convidada pelo site Razões para Acreditar para participar de uma “vaquinha online” em sua plataforma de financiamento coletivo com o objetivo de comprar uma casa. A meta de R$ 160 mil foi batida em 24 horas e, no total, a família recebeu R$ 225 mil de doação, além de um vale-compras do site OLX para mobiliar o futuro lar. “As pessoas costumam dizer que perderam a fé na humanidade. Mas nunca usamos essa frase por aqui. Para mim, a união das pessoas para nos ajudar mesmo neste momento de crise, com tanta gente desempregada, foi a confirmação de que o bem existe e prevalece”, diz. Para Diana, seu filho caçula, apesar da pouca idade, já perdeu e ganhou muito na vida. “Um sinal de que tudo passa”, conclui. De fato, isso vale tanto para as coisas ruins, quanto para as boas. O problema é que, bem-intencionados, pais e mães fazem qualquer coisa para evitar que as crianças se frustrem.

Acontece que tudo o que é válido para o crescimento emocional (escola, trabalho, relacionamentos) envolve também emoções negativas, segundo a psicóloga Desirée Cassado, professora da The School of Life (SP). “Enquanto estivermos vivendo, amando e experimentando coisas novas, eventualmente vamos nos sentir tristes. Ao poupar as crianças disso, os adultos estão lhes tirando a oportunidade de ter uma vida plena”, diz. Como lembra o pediatra Livio Francisco da Silva Chaves, do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, claro que é papel dos pais oferecer proteção, acolhimento e palavras de incentivo com o intuito de ajudar a criança a ser otimista diante dos desafios. “Mas se as privarmos de todas as adversidades, como é que vão aprender a ser resilientes?” O famoso levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…

E para por em prática

AO FAZER CRÍTICAS, PAIS E PROFESSORES DEVEM SER ESPECİFICOS, COM FOCO NA SITUAÇÃO E NÃO NAS CRIANÇAS VEJA ALGUNS EXEMPLOS:

EM VEZ DE...

  • O que há de errado com você? Parece um monstrinho!
  • Você chorou o tempo todo hoje na escola. Você é sensível demais!
  • Pedi para você pegar seus brinquedos. Por que você nunca faz o que eu peço?
  • Você é um mau menino.

...DIGA

  • Você não está se comportando bem hoje, não estou gostando nada disso.
  • Você chorou o tempo todo hoje na escola, imagino que está sendo difícil para você ficar longe de mim ultimamente.
  • Pedi para você pegar seus brinquedos. Por que você não fez o que eu pedi?
  • Você provoca demais a sua irmã.

5 atitudes que fazem a diferença

Confira alguns hábitos para favorecer o otimismo desde cedo

1. Mindfulness

O exercício de se engajar no presente diminui a depressão (pensar demais no passado) e a ansiedade (pensar demais no futuro). Foque nos cinco sentidos, incentivando a criança a descrever os sabores dos alimentos na boca, contar as cores das folhas no parque, adivinhar o brinquedo apenas pelo tato…

4. Desligue o celular

Reduzir o tempo de telas é importante para aumentar a conexão entre filhos e pais e evitar a superexposição a notícias ruins.

2. Pote da gratidão

A prática de escrever algo bom que aconteceu no dia em um papel e guardá-lo em um pote é um incentivo para valorizar as pequenas alegrias do dia a dia, como um pão crocante ou uma chamada de vídeo com os avós.

5. Cada um, cada um

A criança não precisa ser a melhor em tudo: as pessoas têm habilidades diferentes, e está tudo bem. Se ela não vai bem no futebol, que tal incentivar outro esporte? Isso vai aumentar a autoconfiança dela.

3. Reforço positivo

A técnica implica em elogiar, premiar e/ou comemorar cada conquista da criança (sem exageros, claro). Isso melhora o processo cerebral de formação de novos e positivos padrões e hábitos.

E QUANDO É DEMAIS?

Como tudo em excesso, exagerar na dose de otimismo pode fazer mal. Uma criança otimista além da conta pode correr riscos, como sofrer algum acidente por achar que nenhum animal vai lhe fazer mal, por exemplo. “Isso se deve provavelmente a um comportamento comum na infância, que é conhecido por exuberância. Ela fica agitada com tudo o que é novo e interage sem medo”. explica a psicóloga Janet Boseovski, da Universidade North Carolina at Greensboro (EUA). Outro problema é não se esforçar o suficiente na escola acreditando que tudo vai dar certo, mesmo que ela não se empenhe para isso. Mas à medida que suas funções executivas (regulação das emoções e ações) são aprimoradas, vai ficar tudo bem.

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Exemplo é tudo

Exemplo é tudo...

…e o seu filho tem muito a aprender com ele. Novos estudos mostram que a forma como os pais convivem entre si impacta o presente e o futuro das crianças. A seguir, especialistas contam como o seu relacionamento pode transmitir uma mensagem positiva e ensinar lições preciosas sobre respeito, cuidado e parceria.

Como criar filhos felizes? O que, de fato, precisamos fazer para que as crianças se sintam bem? São perguntas frequentes entre mães e pais. Foram questionamentos como esses, aliás, que levaram a psicóloga portuguesa Paula Cristina Serrano a começar seu trabalho de pesquisa na Universidade do Algarve (Portugal). Ela queria entender o que influencia, afinal, o bem-estar dos pequenos. Para isso, entrevistou 169 famílias com filhos de 2 a 13 anos. Perguntou sobre acesso à educação, faixa de renda, tipo de moradia… Spoiler: a resposta não estava em (quase) nenhum desses tópicos.

A pesquisa mostrou que, na prática, pouco importa salário, formação acadêmica ou estado civil. Para criar filhos felizes é preciso que, antes de tudo, os pais tenham um relacionamento feliz. “As variáveis demográficas não explicam por si só, de forma significativa, o bem-estar infantil. A satisfação conjugal é a única variável que pode fazer isso”, escreveu.

Em outras palavras, a felicidade do seu filho começa por você – e pela forma como os parceiros se relacionam. Pode parecer exagero, mas a pediatra e educadora parental Loretta Campos (GO) garante que existem boas explicações para isso. “Independentemente da estrutura familiar, o que traz a sensação de equilíbrio para a criança é o estreitamento da conexão. Ela se sente amada e conectada quando os pais demonstram interesse nela e entre si.”

Nesse ponto, os especialistas são categóricos: um relacionamento saudável ensina muita coisa aos pequenos. que eles observam dentro de casa serve como base para as outras relações que terão ao longo da vida. “A criança presta atenção em tudo desde bem pequena, e começa um processo de imitação. Quando os pais têm uma relação genuína, o filho leva esses estímulos por muito mais tempo”, diz a psicóloga Rita Calegari (SP).

Se surgiu a pergunta “será que estou no caminho certo?”, basta olhar para si. Se você e seu companheiro se respeitam, são carinhosos um com o outro e resolvem as diferenças na base da conversa, a resposta provavelmente é sim. Caso contrário, calma, ainda dá tempo de resolver. O primeiro passo é entender que um relacionamento saudável é um dos melhores exemplos positivos que pode deixar para o seu filho. O segundo… bem, esse você descobre colocando em prática as dicas que vêm a seguir.

Amor e parceria

Não tem jeito: quando um filho chega a relação com o parceiro se transforma. Mas isso não precisa (e nem deve) ser justificativa para deixar de lado o companheirismo que vocês tinham até então. Com uma criança em casa, mais do que nunca, é importante dividir as responsabilidades, as alegrias e as angústias. Pequenos gestos, como bater papo na hora das refeições, ver um juntos filme ou cozinhar, valem ouro. E todo mundo ganha com eles. Para as crianças, é fundamental ver que os pais se dão bem e que rem compartilhar experiências entre si.

E essa mensagem que o engenheiro de software Luiz Durăes, 40, e a administradora Thais Costa, 35, buscam transmitir ao filho Mateo, 2. “Ensinamos as crianças com pequenas atitudes. Aqui em casa, nosso filho vê que estamos o tempo todo juntos e dividimos as tarefas domésticas. Tenho certeza de que isso vai ser importante quando ele morar sozinho, tiver um relacionamento”, diz Thais. Mas eles também admitem: nem sempre essa é uma missão fácil. “A maior lição que tentamos deixar é a da nossa união. Por mais que a gente discorde em algumas coisas, nunca vou invalidar um posicionamento da mãe na frente dele. Se for preciso, conversamos depois, num outro momento”, conta Luiz. Ponto para eles!

Aceitação e amor próprio

Você provavelmente já ouviu aquela analogia sobre as máscaras de oxigénio no avião. Antes de decolar, os comissários avisam que, em caso de emergência, os adultos sempre precisam garantir a própria integridade antes de começar a proteger as crianças. Essa mesma lógica vale para os relacionamentos em família. Antes de ensinar sobre aceitação e autoestima, os pais devem trabalhar para, juntos, construírem esse ambiente de acolhimento. “A segurança emocional da criança vem daquilo que os pais transmitem. Se o relacionamento carrega violências e críticas, isso pode gerar inseguranças e baixa autoestima”, diz Loretta. Foi exatamente isso que um estudo da Universidade de Cambridge (Reino Unido) mostrou. Mais de 430 famílias foram acompanhadas do último trimestre da gestação até o 24° mês do bebê. Os pesquisadores observaram que a maneira como os pais se relacionavam afetava diretamente o comportamento das crianças. Quanto mais atritos, mais inseguros eram os filhos.

A boa notícia é que também existe um lado positivo nessa história. Se relações ruins influenciam negativamente as crianças, o oposto também é válido. E, de novo, voltamos à importância do exemplo. Quando veem que os adultos lidam bem com as diferenças e aceitam as individualidades um do outro, os pequenos ficam mais seguros para se expressar e ser quem eles são, sem medo de julgamentos. “Os filhos nascem, mas a gente continua sendo um casal, tendo sonhos e vontades próprias. Ao perceber que os pais se respeitam e também pensam em si, a criança vai entender na prática o que é aceitação e amor próprio”, diz Erica Mantelli.

Carinho e gratidão

Acredite: um beijo de despedida ou um abraço depois de um dia difícil fazem a diferença. Vários estudos já comprovaram que o toque e o afeto são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Mas não é só isso. Ter como referência pais que são carinhosos um com o outro também é muito positivo – tanto para os pequenos quanto para os adultos. “O sentido de casal não pode sumir, ele é a estrutura da família. Nem sempre é simples, mas é preciso achar estratégias para manter esse carinho e desfrutar da própria companhia”, diz a sexóloga Carolina Ambrogini, colunista da CRESCER.

Na casa da servidora pública Josie Pretto, 42, e do médico anestesio Giorgio, 40, essa dica é seguida à risca. Todos os dias, depois de jantarem e colocarem o filho Gabriel, 5, para dormir, eles tiram um tempo para ficar a sós, conversar, tomar um vinho… “A gente começou a perceber que isso contribui também para a harmonia da casa e esse clima mais leve contagia o Gabriel”, diz Josie. Ela lembra de um episódio em que o filho ficou na porta da sala com uma flor, esperando a avó voltar de viagem. “Quando contei a cena para a nossa funcionária, ela falou ‘É óbvio que ele agiria assim, ele vê o jeito carinhoso como você e o Giorgio se tratam. Ouvir isso foi muito especial”, conta.

E aqui vale um lembrete: ser carinhoso não tem a ver só com demonstrações físicas de afeto. Mesmo casais que já não vivem mais juntos podem, sim, mostrar para as crianças que a relação de proximidade, preocupação e respeito permanece. Perguntar se está tudo bem, agradecer por compartilhar as tarefas com as crianças, dizer “por favor” e “obrigado” já é um ótimo começo.

Diálogo e solução de conflitos

Para a psicóloga Rita Calegari, existe uma confusão sobre o que entendemos por relacionamento saudável. No fim das contas, tentar manter a fachada de “casal perfeito mais atrapalha do que ajuda. A lógica de que “meu filho não pode saber que estamos passando por uma fase difícil” precisa ser deixada para trás.

Quando as coisas não vão bem, ser aberto e franco – usando o bom senso e respeitando o nível de discernimento das crianças, é claro – faz com que elas se sintam mais seguras e entendam que nenhuma situação é difícil a ponto de não ser resolvida. “A gente tem uma ideia errada de que só as relações perfeitas ensinam e trazem coisas positivas. Às vezes, o medo e a fragilidade ensinam muito mais”, diz.

É na hora da dificuldade, aliás, que os pequenos começam a aprender que os fracassos e conflitos fazem parte do processo (e que não há nada de errado nisso). “Os pais precisam resolver suas diferenças de forma equilibrada e respeitosa, sempre mostrando que estão trabalhando para melhorar. Esse é mais um jeito de ensinar sobre resiliência e adaptação”, explica Loretta Campos. Um bom exercício para colocar em prática, não?

Para colocar em prática

A PSICÓLOGA RITA CALEGARI DÁ DICAS DE ATITUDES CORRIQUEIRAS QUE PODEM MUDAR (PARA MELHORI) O RELACIONAMENTO DO CASAL E DA FAMILIA:

SIM

Conversar olhando nos olhos.
Dar beijos de bom-dia e de boa-noite.
Avisar sempre que chegar ou sair de casa.
Agradecer quando receber ajuda.

NÃO

Gritar ou alterar o tom de voz durante as discussões.
Usar palavras de baixo calão.
Mexer no celular durante as refeições em família.
Criticar o parceiro na frente das crianças.

Matéria original da Revista Crescer.

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Brincar faz bem para a saúde

Brincar faz bem para a saúde

E não só a física. Funciona para cuidar também do emocional - algo cada vez mais urgente devido ao momento único que vivemos. E isso vale para a família toda. Pesquisas recentes de importantes instituições internacionais vêm reforçando que adultos e, principalmente, crianças têm sofrido profundamente com o isolamento e a falta da rotina de antes. Felizmente, um dos antídotos mais eficazes para minimizar esse impacto é simples: usar e abusar da brincadeira. Vamos nessa?

Ninguém imaginava ficar tanto tempo em isolamento

Quando a quarentena começou, lá em março, se dissessem que em outubro muitos de nós ainda estaríamos em casa, com as crianças sem ir à escola todos os dias, provavelmente diríamos “ah, isso é impossível”. Bom, cá estamos. Quais os efeitos disso na nossa vida? A lista é enorme, tem pontos negativos (e outros positivos, sim!) em diversos aspectos, mas um deles chama a atenção a saúde mental. Nós, adultos, estamos abalados por inúmeros motivos, que podem variar, como perda de emprego, instabilidade financeira, dificuldades no relacionamento, sobrecarga e o próprio fato do distanciamento social, da falta de contato com o outro, de nos sentirmos presos sem saber quando teremos nossa vida de volta. Nós, que somos maduros o suficiente para entender a gravidade do cenário que enfrentamos (bom, nem todos…), ainda assim sofremos para manter a cabeça no lugar e não surtar.

Por que, então, esperamos que nossos filhos saibam lidar com a situação e saiam ilesos disso tudo? “Ah, mas são só crianças, elas tiram de letra” ou “elas lidam muito melhor que nós, estão achando ótimo ficar em casa com os pais”. Será mesmo? Ou será que esse pensamento não está apenas criando uma invisibilidade das crianças em meio a todos os percalços dessa pandemia? “Existe até uma banalização disso, principalmente em relação à criança pequena, de achar que está tudo bem e que ela não sofre nenhum impacto. Não é bem assim. As conexões neurais acontecem em um ritmo acelerado na primeira infância e dependem do ambiente. Como a criança está em um período muito restrito de estímulos, isso gera um estresse grande e provoca sofrimentos a ela, que se coloca para fora de diferentes maneiras”, diz a neuropediatra Liubiana Arantes Araújo, presidente do Departamento de Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

É natural que o ambiente influencie, levando a uma sequência lógica e tensa: pandemia, o medo do vírus, a preocupação com a saúde e a economia deixam os adultos em estado de alerta e preocupados, o que acaba refletindo no emocional das crianças que convivem com eles. Segundo o estudo Rapid Assess ment of Pandemic Impact on Development Early Childhood Household Survey Project ("Projeto de pesquisa domiciliar na primeira infância - avaliação rápida do impacto da pandemia no desenvolvimento", em tradução livre), da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, a angústia dos cuidadores está se propagando em cascata para as crianças, de uma maneira que pode ser tóxica a curto e longo prazos. Os autores do projeto alertam justamente para o fato de que a primeira infância é o período mais importante para o desenvolvimento cerebral e é quando o órgão é mais afetado pelo que acontece ao redor. Os dados da pesquisa confirmam o que nos vemos na prática, no nosso dia a dia: 68% dos cuidadores relataram aumento considerável do estresse se comparado ao período anterior à pandemia, e 78% afirmam que suas crianças vem apresentando problemas no comportamento.

CONEXÃO E TRANSPARENCIA

Como os pequenos aprendem também por imitação, a forma como os adultos lidam com o estresse em casa vai impactar na vida delas, não tem jeito. Mas isso não quer dizer que você deva esconder suas emoções dos seus filhos, “Os pais precisam, sim, dizer que estão do chegando ao seu limite, que estão chateados e contam com a ajuda deles para que a casa se torne um ambiente melhor para todos. É essencial ter essa conexão com as crianças e ensinar a elas sobre a importância de se expressarem também. Elas buscam por estabilidade e segurança, e isso são os adultos que podem lhes dar. Por isso, saber lidar com as situações de uma melhor maneira, com paciência, resiliência e uma dose de otimismo vai auxiliar as crianças a passar por esse momento tão delicado”, afirma a psicóloga infanto-juvenil Talita Pupo, de Belo Horizonte (MG).
Outro estudo também confirma o quanto a pandemia impacta as crianças, em especial em relação à saúde mental. Ele foi realizado pelo Co-SPACE – CO VID-19 Supporting Parents, Adolescents, and Children in Epidemics (“Apoiando pais, adolescentes e crianças em epidemias”, em tradução livre), da Universidade de Oxford, na Inglaterra, com mais de 10 mil famílias. Baseados nas respostas de pais ou cuidadores de crianças entre 4 e 10 anos, os pesquisadores detectaram que elas são as mais vulneráveis em todos os três quesitos estudados: dificuldades emocionais, comportamentais e de concentração e atenção.

“Priorizar a saúde mental de crianças e jovens durante e após a pandemia de covid-19 é fundamental. Nossas descobertas destacam que há uma grande variação em como eles foram afetados, então precisamos continuar atentos as famílias para ajudá-las, dando suporte para que isso não tenha consequências a longo prazo”, afirma a professora Cathy C well, da Universidade de Oxford, uma das autoras do estudo.
E isso mesmo que sentimos na pele, ainda que, muitas vezes, não percebamos logo de cara que aquele comportamento do nosso filho pode estar relacionado a quarentena. “A pandemia foi muito benevolente com as crianças do ponto de vista da doença (elas se contaminam e morrem menos e são mais assintomáticas), ainda bem. Por outro lado, ao ter provocado a necessidade de isolamento, vem sendo muito difícil para elas. O efeito na saúde física, mental e emocional pode ser devastador”, alerta o pediatra Daniel Becker, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

EFEITOS DIFÍCEIS

Seu filho vem demonstrando algum comportamento incomum? Reclama de dor sem causa aparente? Reflita: será mesmo que é coisa da idade, birra ou frescura? Provavelmente, não.
A criança, muitas vezes, não sabe expressar o que sente, e algumas reações podem estar direta mente ligadas ao estresse do confinamento e todas as consequências que a pandemia traz. Choro excessivo, irritação por motivos “bobos”, ansiedade, dificuldade para dormir, mudanças no apetite, cansaço, regressão (como voltar a fazer xixi na cama ou usar chupeta), roer as unhas, morder a gola da camiseta, ou até mesmo sintomas mais físicos, como dor de barriga, tontura alergias na pele ou dores de cabeça. Tudo isso demonstra que alguma coisa está errada. “Uma das formas de comunicação da criança quando algo não vai bem é a somatização: o corpo sinaliza e avisa que existe uma questão emocional que precisa ser atendida”, explica a neuropsicóloga Camila Machuca, especialista em Parent Child Interaction Therapy pela Universidade de West Virginia, nos EUA. Ou seja, é preciso estar atento e aberto a ouvir o seu filho, mesmo quando ele não sabe falar direito. Perceber esses sinais é fundamental para saber como agir e buscar ajuda especializada, se achar necessário.

PARA TODO MAL, A CURA

Certamente, depois de ler a reportagem até aqui você já deve estar se perguntando: “O que eu posso fazer para amenizar esses efeitos da pandemia no emocional do meu filho?.” Respire e acalme-se: é possível atuar de várias maneiras, como tirar um tempo por dia (nem que seja meia hora) para dar atenção exclusiva a ele; ensiná-lo a reconhecer e nomear os sentimentos; conversar muito e sempre. Mas sabe qual o principal remédio para essas questões todas? Brincar. É isso mesmo.

A brincadeira é a linguagem da criança e primordial para o desenvolvimento infantil. “O brincar tem múltiplos benefícios, e um fundamental é que o lúdico ajuda a criança a perceber o sentido do mundo em que vive e a colaborar na brincadeira situações vivenciadas em seu cotidiano. E um momento de expressão emocional, por meio do qual a criança pode comunicar o que está sentindo, diz neuropsicóloga Camila Machuca. Ou seja, nesta fase de pandemia, seria a melhor maneira de fazê-la entender o que estamos vivendo e também saber o que se passa na cabeça dela. Na brincadeira do faz de conta, por exemplo, em que ela se coloca no papel de outras pessoas, pode criar cenários, enredos que têm uma relação bastante importante com o que está sentindo, como o medo.

Tem mais: o ato de brincar está diretamente ligado à saúde mental de diversas maneiras, começando por seu papel no desenvolvimento cerebral da criança. Brincar ajuda a moldar o cérebro, especialmente nos primeiros anos de vida. A pedagoga Josiana Martins, especialista em Neuroeducação e Primeira Infância pelo Centro Internacional de Neurociência para o Desenvolvimento Humano (instituição presente em sete países latino-americanos e nos Estados Unidos), reforça que o cérebro segue crescendo depois do nascimento e que as experiências, os estímulos, as exigências e os desafios do ambiente criam novas conexões, reforçam as existentes e constroem os circuitos neuronais. Daí, a importância do brincar como ativador positivo para a estruturação e organização neurológica, já que ele integra tanto os sistemas sensorial como o motor, social, cognitivo e emocional. “As experiências sensoriais, produtos das atividades de exploração dos primeiros anos, são um fator muito importante para o crescimento cerebral dessa etapa da vida, já que a qualidade delas tem um forte impacto na densidade e nas conexões neuronais. Essas conexões se formam e se fortalecem graças às experiências multissensoriais, às ações e às emoções que o meio oferece”, explica. Ainda segundo ela, as brincadeiras que estimulam o movimento permitem maior oxigenação do cérebro, melhoram habilidades cognitivas, favorecem a plasticidade, a neurogênese (processo de formação de novos neurônios) e estimulam capacidades mentais, sociais e emocionais.

ESPAÇO PARA O BRINCAR

Ufa… agora que ficou ainda mais evidente o quanto o brincar é importante, vale se questionar: será que estou proporcionando experiências de brincar ao meu filho nessa quarentena, como deveria? Você pode pensar que, com a rotina insana com home office, afazeres domésticos e aulas online, é impossível ter tempo para se divertir junto. Bom, há dois pontos a levantar: o primeiro é que criar oportunidades para brincar não significa parar necessariamente para fazer isso com o seu filho o tempo todo por horas a fio (claro, se você puder e quiser, ótimo!), mas também ensinar ao pequeno que ele é capaz de brincar sozinho, de lidar com o tédio, de organizar as brincadeiras dentro de algo que prenda sua atenção. “As crianças vêm perdendo essa relação com o brincar porque os pais não conseguiram se colocar no papel de quem incentiva essas brincadeiras. Os adultos se distanciaram muito da importância do brincar em função das mil coisas que tinham para fazer, e os filhos foram adormecidos em frente à televisão nos últimos seis meses. A televisão e as telas, em geral, são um recurso muito fácil para silenciar a crianças, mas isso tem um preço”, alerta educadora parental Lua Barros, especialista em equilíbrio emocional. Segundo ponto é que também tem relação com estabelecer suas prioridades e uma rotina para elas. Se um momento de brincadeira com seus filhos for uma delas (tanto para você espairecer quanto para tirar seu filho da tela e favorecer o de desenvolvimento dele, como vimos anteriormente), coloque mesmo na agenda, com hora marcada se for preciso “O brincar é uma forma poderosa de conexão entre filhos e pais, o que colabora para o abastecimento do tanque afetivo da criança, ajudando-a a ser mais resiliente, paciente, cooperativa, empática e superar momentos difíceis”, afirma a neuropsicóloga Camila Machuca.

TEMPO DE MUDAR

Para Luciane Motta, diretora da Casa do Brincar, em São Paulo (SP), o adulto precisa lembrar que já foi criança. É muito difícil dar conta de tudo que temos para fazer, mas a infância é muito curta, é uma fase da vida que não volta mais. Respirar, ter paciência, perder a vergonha, fazer careta, rolar no chão.. é fundamental. Criança aprende pelo exemplo, então a gente precisa se esforçar para dar o nosso melhor, ainda mais nesse momento em que estamos convivendo tão intensamente, para que elas se tornem os seres humanos que nós gostaríamos que fossem”, afirma.A brincadeira representa o mesmo que para um adulto ver um bom filme ou ler um livro, é um jeito de acalmar alma e dar soluções para além do medo.

 Se focarmos somente no vamos achar que tem vírus em todas as partes vamos enlouquecer. A brincadeira colabora para as crianças não serem tão influenciadas pela violência das informações. Brincar é a salvação, pois possibilita que crianças e adultos saiam da literalidade de situação, defende a educadora Gisela Wjikusp (SP), doutora em Educação com pesquisas sobre o Brincar na Infância. Uma pesquisa da Universidade de Parisceton, nos Estados Unidos, mostrou, inclusive, que, quando bebes e adultos interagem durante as brincadeiras, com contato visual e compartilhando brinquedos, atividades neurais apresentam suas semelhanças. Incrível, como Brincar é bom em a em qualquer circunstância. Claro que, quando seu filho brinca com um amigo, ele ganha muito troca e a consciência com o que acontece nesse momento, como esperar a vez, dividir, respeitar o espaço de todos, expressar sentimentos e necessidades, entender que comportamento dele tem efeito no outro. Mas brincar sozinho também tem seus benefícios, como estimular a imaginação ganhar independência e autonomia e aprender a gostar de sua própria companhia. No entanto, para amenizar a saudade do contato com outras crianças, nessas horas, use a tecnologia a favor e estimule a brincadeira com os amigos a distância, já que é o que temos por hoje.

A NATUREZA COMO ALIADA

Outro fator que vem mudando a relação com o brincar nessa quarentena é a impossibilidade do movimento, do estar ao ar livre, em contato com a natureza (sortudos aqueles que moram em casa com um quintal). Uma pesquisa da Hasselt University, Belgica, mostrou que o simples fato de uma criança crescer em uma vizinhança com bastante área verde aumenta a inteligência e diminui os problemas de comportamento. Isso porque é possível na natureza explorar tudo o que a criança pode ser e o potencial do brincar livre. Infelizmente, estamos com essa restrição. Mas, depois de seis meses em casa, isso começa a se tornar impraticável.

O pediatra Favio Melo, de Batmanras (PB), também alerta par importância do contato das crianças com ambientes ao ar livre, agora mais do que nunca “Indico que as famílias busquem uma saída segura para os pequenos em busca da natureza, só a família, sem aglomerar ou correr riscos. Eles se transformam ao se reconectar com o meio ambiente. Importante frisar que o vírus não se prolifera na areia, na terra, nem em um tronco de árvore”, reforça.
Não dá para usar o parquinho? A diretora da Casa do Brincar, Luciane Motta, lembra que isso não é um problema. “É possível brincar de pegar folhas para fazer uma colagem em casa depois, observar as minhocas, ficar sentado na praça de olhos fechados escutando os passarinhos e dá para ver gente! Ainda que não se possa interagir diretamente, essa vivência social é importante”, conclui.

Seja ao ar livre ou em casa, seja por uma manhã inteira ou apenas meia hora, seja com brinquedos ou materiais recicláveis, seja sem brinquedos, usando apenas a imaginação, a conclusão é uma só: nessa pandemia, o brincar sempre salva.

Matéria original da Revista Crescer. 

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Chatos para comer

Chatos para comer

É comum que nos primeiros anos de vida, as crianças façam careta e rejeitem certos tipos de alimentos. Com o tempo, esse comportamento costuma passar. Mas e se não passar? 

Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Michigan (EUA) sugeriu que essa seletividade na hora das refeições talvez não seja “só uma fase”. Os pesquisadores acompanharam os hábitos alimentares de 317 famílias por quase cinco anos. Eles perceberam que 14% das crianças continuavam altamente seletivas para comer mesmo depois dos 3 anos. Para Megan Pesch, autora do estudo, os resultados só confirmam a importância de oferecer um cardápio variado e nutritivo desde a introdução alimentar. Mesmo assim, ela alerta que é preciso ter cautela: nada de pressionar o pequeno a comer o que não quiser.

A pesquisa mostrou ainda que, quanto mais os pais tentam controlar e restringir a dieta dos filhos, mais exigentes eles podem ficar. Isso não significa que, para fazê-los comer de tudo, devemos liberar doces e ultraprocessados. “Ainda queremos que os pais incentivem dietas variadas e saudáveis desde cedo, mas nosso estudo sugere que eles podem ter uma abordagem menos controladora”, diz a pesquisadora.

E o que fazer?

SEM BARGANHAS

Não faça chantagens ou ofereça recompensas para incentivar seu filho a raspar o prato. Pode até funcionar num primeiro momento, mas a longo prazo a tendência é que isso só reforce a recusa alimentar.

ROTINA DEFINIDA

Tenha horários fixos para lanchar, almoçar e jantar. Defina um tempo suficiente te para cada refeição e, se nesse período seu filho não aceitar a comida, não force a barra: retire o prato da mesa e só ofereça outro alimento na próxima refeição.

TRABALHO EM EQUIPE

Convide as crianças a participarem das compras e do preparo das receitas. Ao se sentirem parte do processo, elas tendem a se abrir mais para novas possibilidades.

VARIEDADE NO PRATO

Sempre que possível, adicione os formatos e texturas ao cardápio das crianças. A cenoura que sempre é servida picadinha, por exemplo, pode ser ralada, transformada em purê.

Conteúdo original da Revista Crescer. 

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Amizade que só faz bem

Amizade que só faz bem 🐾

Se você ainda não tem um pet de estimação, certeza que seus filhos já te pediram um. Animais requerem cuidados, tempo e dinheiro investidos, por isso entendemos a resposta negativa, mas apesar disso, oferecem muitos benefícios, principalmente as crianças. 

Confira alguns desses benefícios a seguir: 

Menos probabilidade de sofrer de ansiedade infantil.

Um estudo realizado pela Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, concluiu que as crianças que convivem com cães de estimação têm menos probabilidade de sofrer ansiedade infantil. Para a psicóloga e psicoterapeuta especializada em comportamento infantil Andreia Calçada, o resultado do estudo faz todo o sentido. "A relação com o animal estimula o afeto, o companheirismo, a organização, a paciência, a responsabilidade... Quem tem uma tendência a desenvolver ansiedade na infância tem uma preocupação muito grande com tudo. O animal tira um pouco esse foco e ajuda a criança a aproveitar mais o momento e curtir ali com seu novo amigo, sem pensar no que vai acontecer depois, sem acelerar o fluxo", explica a especialista

Desenvolvem melhor as habilidades sociais.

A convivência com animais de estimação também melhora a qualidade da relação dos pequenos com as pessoas ao redor. Segundo um estudo da Universidade de Cambridge, aquelas que têm vínculo forte com os pets ajudam mais aos outros, aprendem a dividir e interagem mais. A pesquisa, que analisou o comportamento de crianças de 2 a 12 anos de idade, revelou ainda que algumas delas, principalmente as meninas, confiam mais nos bichos do que nos próprios irmãos. "Elas podem sentir que os pets não estão julgando e, como eles não parecem ter os próprios problemas, eles simplesmente escutam", explicou o psiquiatra Matt Cassels, um dos responsáveis pela análise.

Bem-estar do corpo

Estudos científicos demonstraram que o contato de animais com bebês diminui os sintomas relacionados a infecções respiratórias. Além disso, outro estudo finlandês descobriu que bebês que tiveram contato com cães eram menos propensos a esses mesmos sintomas, tinham menos episódios e precisavam de menos antibióticos. É o mesmo para infecções de ouvido. Torna-se evidente que o contato repetido com animais domésticos promove o amadurecimento do sistema imunológico. A exposição a alérgenos transportados por cães e gatos que podem envolver nossos bebês reduz consideravelmente o risco de alergias futuras. Segundo elemento importante e não vamos brincar com trocadilhos: a obesidade. Seu cão se tornará o treinador experiente de seu filho e o inimigo número um dos quilos extras que ele pode armazenar. O primeiro compromisso de seu filho é atender às necessidades de seu cão ao ar livre. Portanto, será impossível para ele escapar dos passeios diários em que você o verá correndo atrás de seu cachorro a pé, patins, pedalando ... É uma forma bem camuflada de permitir que seu filho se mantenha em forma ou pelo menos ter atividade física regular. Através da brincadeira, elemento essencial da comunicação entre os dois, a criança se desenvolve, floresce e percebe que seu animal depende dela e lhe traz bem-estar.

Ensina valores de vida

Ter um relacionamento com um animal é uma maneira de transmitir lições importantes para a criança sobre nascimento, reprodução, acidentes e outros acontecimentos marcantes. Quando um bichinho morre ou se perde, elas têm contato com o luto, o que será útil em futuros eventos tristes da vida. Fora que, conforme o pequeno cresce e ganha tarefas condizentes com a sua idade no cuidado com o bicho, aprende também noções de responsabilidade.

Animal não é objeto!

Ok, você se animou e, finalmente, decidiu atender aos pedidos incessantes das crianças por um animal de estimação? A iniciativa é boa, mas vale analisar bem cada detalhe. Apesar de trazer vários benefícios, entre eles, o de ensinar seu filho a ter responsabilidades, os maiores cuidados ficam mesmo a cargo dos pais. A supervisão de tudo e a garantia de que o bichinho será bem cuidado é do adulto. Então, planeje como isso será feito, calcule os gastos, pense em como encaixar as necessidades do pet na rotina da família e pense que, principalmente nos primeiros meses, vocês precisarão se esforçar para educar o filhote. Isso porque o animal pode até ser um presente de Natal, mas, diferente de um brinquedo, que você pode guardar no armário ou doar para outra criança, o cachorro, o gato ou qualquer outro pet não tem volta. “Ao devolver ou abandonar o animal você estará ensinando que as decisões não têm consequência e ainda quebra aquele vínculo que se forma entre o bichinho e a criança”, lembra a psicóloga Andreia Calçada.

Conteúdo  adaptado da Revista Crescer e do site bebê.com.

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Educação fora da escola: 6 maneiras de reforçar o aprendizado do seu filho

Educação fora da escola: 6 maneiras de reforçar o aprendizado do seu filho

Livros, jogos, aplicativos, brinquedos e as atividades do dia a dia são jeitos gostosos de acompanhar em casa a relação das crianças com esse aprendizado.

J  a…bu…ti…ca…a…b… ba! “Jabuticaba!” Você consegue se lembrar qual é a sensação de decodificar uma palavra? E a de acertar uma conta? Lidar com letras e números traz descobertas incríveis. Por isso mesmo, merece ter continuidade também fora da escola.

Na leveza do aprender em casa, a família ganha uma chance de deixar a ansiedade de lado e entrar no tempo da criança. “É uma delícia ver as

 hipóteses equivocadas e seu percurso de pensamento”, diz a pedagoga e especialista em alfabetização Denise Pinhas.  Ou seja, esse assunto é bem mais do que aprender a contar de 1 a 10 ou decorar o alfabeto. Trata-se de um processo de aquisição de cultura, de entendimento da sociedade em que vive e de como se comunicar e compreender questões emocionais e práticas da vida. Veja o que você e o seu filho podem fazer no dia a dia para criar mais intimidade com as palavras e os números. 

NA PRÁTICA

O cotidiano vai dar várias ideias para o seu filho ter mais contato com letras e números: como fazer pequenas somas de itens encontrados em casa, numerar partes do corpo, até chegar ao raciocínio de compras e trocos. “Ler a instrução do brinquedo, escrever junto bilhetes na agenda para a professora, ler o cardápio e escolher o prato no restaurante, ter o convite de um aniversário pregado na geladeira para consultar quando e onde será, tudo isso colabora”, diz a educadora Marina Poladian. São oportunidades de entender os vários contextos do uso da escrita e dos cálculos.

JOGOS E BRINQUEDOS

Há as tradicionais palavras cruzadas, mas também vários kits com alfabetos e números (de madeira, plástico, de ímãs para geladeira). E do que e com o que você brincava? “Busque referências da sua própria infância: de que jogos gostava? Stop? Memória com letras? Lince? Compartilhe com o pequeno. Para os menores: escrever com canetinha, lousas de giz, lousas mágicas, caça ao tesouro com pistas, blocos com letras e números, peças de encaixe. Para os maiores, alguns jogos mais estruturados, como o Detetive, Cara a Cara, Master”, indica Marina. Mais dicas: se o kit de brincar de médico vem com um receituário, pronto, é hora de escrever (com as cobrinhas mesmo!) do que o “paciente” precisa. Se o faz de conta é de restaurante, além de anotar os pedidos, também dá para contar o estoque: quantas laranjas, uvas ou talheres tem na caixa?

Curly-haired boy in striped t-shirt with hands behind head lying on grass smiling and sticking out tongue.

POESIA, ADIVINHAS, CHARADAS

A poesia e as brincadeiras frasais, como adivinhas, trava-línguas ou perguntas “inúteis” como as charadas, quebram essa relação de “verdades e significados” com a palavra. A vida toda brincamos com as palavras, trocamos sentidos, podemos inventar maneiras de dizer o que sentimos. Por isso, o som da palavra e os seus significados podem dar sentido musical aos modos de escrita, do mesmo modo que as cantigas tradicionais.

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LIVROS 1, 2 E 3!

A qualidade dos livros para a infância, com conteúdos de não ficção como ciências ou biografias, aumenta e melhora (ufa!) cada vez mais. Abecedários e obras que ensinam números entram nessa seção. Para todas as idades, abra, divirta-se e apresente à criança o que for mais interessante. Como referência para mostrar o de 1 a 10, Uma Lagarta Muito Comilona (Eric Carle, Ed. Callis) e Dez Patinhos (Graça Lima, Ed. Companhia das Letrinhas).

SIGA OS CLÁSSICOS

Como a oferta de “programas educativos” é grande, tanto na TV quanto em canais no YouTube, a dica é seguir mestres do ramo, como o norte-americano Jim Henson, o criador de Vila Sésamo, que há 50 anos nos mostra que ao lado do “educativo” tem de vir sempre o “criativo”. Pela emoção, pelo humor, pelo estranhamento, seja o que for, os pais devem ser surpreendidos e sensibilizados. Além das dezenas de esquetes de Garibaldo, Elmo e sua turma, há o adorável Alfabita, do Mundo Bita, e o mais recente Frankie e Frank, curtas exibidos no NickJr.

ABC NO DIGITAL

Existe uma porção de jogos para celular e tablet para distrair as crianças. No entanto, Marcelo Jucá, escritor, educador e pesquisador do mundo digital, alerta: “No universo de apps encontramos muita coisa mal feita, sem cuidado, ruim. Mas há os que se destacam por conseguir unir, de formas diferentes, o pedagógico e o lúdico ao mesmo tempo. A escolha das cores, da programação e a forma de transmitir os conteúdos faz muita diferença”, diz Marcelo. Entre as dicas do especialista, para brincar com as letras estão o LetterSchool – Escreva Letras!, o Jardim das Letras e o Icruzadinha. No “superapp” Bini Bambini, já há vários tipos de jogos. Todos disponíveis para Android e iOS.

 

Conteúdo original da Revista Crescer. 

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Por que continuar a pagar a escola do meu filho?

Por que continuar a pagar a escola do meu filho?

“Há mortes evitáveis na pandemia, e a morte da escola é uma delas”
Texto de Alexandre Coimbra Amaral, Psicólogo do programa Encontro com Fátima Bernardes da Rede Globo.

Quando nos dissemos “feliz ano novo” na virada que aconteceu há pouco mais de quatro meses, não imaginaríamos a complexidade que seria construir a sensação de felicidade em 2020. Estamos vivendo o momento mais desafiador de toda a existência, independentemente da idade que tenhamos. Nunca fomos subtraídos de tantas situações e sensações até aqui. Vivemos a privação da liberdade de ir e vir (ainda que ela tenha uma finalidade humanitária e socialmente responsável, a única saída científica que temos até aqui para a convivência na pandemia), temos que usar máscaras para as poucas saídas ao mundo, tememos adoecer ou precisar de qualquer instituição hospitalar, precisamos administrar uma dose extra de assepsia às atividades mais cotidianas, não podemos abraçar quem está fora de casa, temos que guardar distâncias de qualquer humano por ser fonte potencial de transmissão do vírus em seu estado ainda assintomático. E a lista poderia ganhar todo o espaço da coluna, basta que você feche os olhos e enxergue como era a sua vida há três meses, e toda a diferença para o que ela se transformou hoje.

Uma das maiores perdas está sendo vivida pelas crianças. Elas não têm o espaço da escola, que lhes servia de cimento para seus pés correrem, para suas mãos criarem, para seus cérebros pensarem e para seus corações se afetarem com as histórias e brincadeiras dos colegas e professores. A escola, este lugar em que nossos filhos passavam pelo menos um turno de seus dias, e que reunia um tanto de sua identidade, está fechada por tempo indeterminado. Aquilo que era espaço lúdico e de aprendizagem passou a ser uma zona de risco de contágio. Embora as crianças sejam em tese grupo de baixo risco dentro da pandemia, podem ser transmissoras para os familiares que podem ser mais vulneráveis. A escola passou a ser lugar de perigo. Que avesso do avesso do avesso do avesso. Um lugar dos mais sagrados na vida de uma criança, não obstante todas as críticas que possamos ter às suas formas arcaicas de continuar funcionando, agora é um lugar que pode aglomerar – outro verbo que mudou o seu significado para o avesso. Antes era sinônonimo de encontro ou festa, hoje é parte dos medos que nos assombram. A estranheza passou a morar nas escolas fechadas e escuras.

A vida que ali existia tenta ser transmutada para as plataformas virtuais. É o que temos, e é louvável o esforço das instituições de ensino para adaptar as suas necessidades de construção do conhecimento a estes lugares de risco zero para o encontro humano de hoje. Como tudo isto nos pegou de surpresa, é inegável que há dificuldades maiúsculas nesta transposição da escola para o online. Há faixas de idade que simplesmente se mostram quase ou totalmente incompatíveis com este método. 

Há crianças que não se adaptam, que vivem um luto ambivalente daquilo que não têm mais, e não conseguem aderir ao que lhes é possível ter. Há mães e pais exaustos, tendo que compatibilizar suas inúmeras atividades profissionais também virtualizadas com o acompanhamento dos filhos na nova estrada de ensino e aprendizagem. Estrada esburacada essa, com poucas luzes em muitos lares. Mães e pais se sentem vivendo os papéis das professoras, e inclusive aproveitam para honrá-las por seu papel hercúleo de manter a atenção e o interesse de uma sala de aula durante todo o ano, em conteúdos que pouco podem interessar aos estudantes. Crianças se frustram porque querem a sua vida de volta, querem o grupo, querem o abraço da galera, querem a gargalhada durante a aula, querem a delícia de receber um olhar de admiração da professora. Há perdas por todos os lados, há perdas em tudo o que eu vejo.

Depois de dois meses de quarentena, estamos todos com as emoções transbordando, oscilando da esperança ao desespero em questão de horas. A escola passa a ser questionada em sua eficácia. Claro, estamos (ou estávamos) numa vida que cultuava a performance e a excelência como seu valor maior. Quando algo passa a ser ineficaz, merece a vala comum da exclusão. Por que manter algo que não resolve meu problema, que não me apoia no que poderia me apoiar, e que me dá ainda mais trabalho e complexidade para a minha vida? O que fazer com esta mensalidade que poderia ser revertida para outras células da planilha de custos da família?

Uma escola é uma comunidade de aprendizagem, que nasce de um projeto de construir saber. Há gerações e gerações de educadores e funcionários de secretaria, limpeza e segurança fazendo acontecer este projeto no dia-a-dia, dando vida àquelas paredes aparentemente inertes. Uma escola é uma história que se pode contar a partir de muitas vidas, de inúmeras cenas de angústia e resiliência, de desencontro e profundo laço entre pessoas que ali a habitaram ao longo dos anos em que estiveram estudando. Uma escola é uma ponte entre o mundo que já existiu e as vidas que se capacitam para fazer outro mundo acontecer. Uma escola é parte inerente de um país que se quer fazer brotar, sobretudo em momentos como este que vivemos. Uma escola tem professoras e professores que sobrevivem aos salários, tem funcionários que dependem daquela renda para sobreviver. Uma escola tem alma. Tudo isso está em risco também nesta pandemia. Uma das tragédias que podemos viver é o esfarelamento das escolas particulares de nosso país. Com uma diferença: se na pandemia os idosos são o grupo de risco, nas escolas o risco maior de morte está na educação infantil. Já estamos vendo inúmeras escolas infantis fecharem as portas, e mal começamos a travessia do isolamento social imposto pelo senhor coronavírus.

Claro que você que me lê pode ser uma mãe ou pai que tem seu filho em escola pública. Se este for o seu caso, a sua tarefa continuará sendo estar atento para valorizar cada vez mais o direito das crianças brasileiras terem o direito à escola pública de qualidade. Sei que você também pode estar em dificuldades financeiras, por trabalhar num setor da economia afetado pela pandemia, por ter perdido o seu trabalho ou por ter tido redução do salário. Neste caso, se você tem filhos na escola particular, converse com os responsáveis e negocie novos valores possíveis para sua nova realidade familiar. Mas se você tiver condição de manter o pagamento da mensalidade do seu filho, faça isso. Pagar a escola significa esperançar a continuidade daquele projeto pedagógico, apoiar a sustentabilidade das professoras e funcionárias, e poder ser parte da construção de uma comunidade que apoia uma bela causa. Você e seu filho poderão crescer com isso. Juntos, vão participar de um projeto solidário em torno da causa da perpetuação de um lugar de fazer futuros acontecerem. Vocês poderão contar esta história, orgulhosos, da vida que pôde acontecer, cada um fazendo o seu possível, para a escola passar por esta provação e continuar viva.

Muitos dizemos que o futuro de nosso país passa necessariamente pela educação. É hora de fazermos desta fala um ato presente, uma força-tarefa que trazemos como chamamento destes tempos estranhos. Há mortes evitáveis na pandemia, e a morte da escola é uma delas. Junto com uma escola morta, há lutos dolorosíssimos. E junto com a escola que permanece depois da pandemia, há histórias para serem contadas de resiliência comunitária, de um laço inédito que se forma na classe média brasileira que costumava viver nos prédios sem conhecer o vizinho do lado.

Eu prefiro o lado da existência resistente. Já que será inevitável habitar um mundo novo e cheio de desafios, que a escola de nossos filhos possa permanecer viva, e aberta para as transformações que serão igualmente necessárias em sua forma e conteúdo. Eu prefiro o lado do abraço à escola, em família, e faço a você este convite. Organize conversas nos grupos de mães e pais, sobre como a escola dos seus filhos pode ser cuidada. Ela agora é um dos grupos de risco, que não merece ficar esquecida enquanto tenta sobreviver ao desafio inimaginável de ser descartável a muitos de nossos olhos.

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