Há uma tragédia silenciosa em nossas casas

Há uma tragédia silenciosa em nossas casas

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas:

As estatísticas:

  • 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
  • um aumento de 43% no TDAH foi observado;
  • um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
  • um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado? As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como: • pais emocionalmente disponíveis; • limites claramente definidos; • responsabilidades; • nutrição equilibrada e sono adequado; • movimento em geral, mas especialmente ao ar livre; • jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio. Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com: • pais digitalmente distraídos; • pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras; • um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo; • sono inadequado e nutrição desequilibrada; • um estilo de vida sedentário; • estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.

O que fazer?

 Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:

  • Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
  • Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam. • Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
  • Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
  • Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
  • Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
  • Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade (dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.) • Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
  • Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
  • Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
  • Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
  • Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
  • Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.
  • Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
  • Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
  • Estar emocionalmente disponível para se conectar com as crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
  • Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
  • Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
  • Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
  • Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.

 E compartilhe se você percebeu a importância desse texto!

Por: Luis Rojas Marcos ( Médico Psiquiatra)

 Fonte: CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRADA LTDA. Membro das Escolas Associadas da Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Compartilhe essa matéria com seus amigos!

Share on facebook
Share on whatsapp

Sexualidade

Sexualidade

Como falar sobre com seu filho.

Lidar com as curiosidades e os comportamentos das crianças em cada etapa do desenvolvimento – sem recorrer à cegonha nem estimular uma sexualidade precoce não precisa ser um bicho de sete cabeças. Na verdade, é um processo mais natural do que parece. Não sabe por onde começar ? 

Ao longo das gerações, o método universal mais adotado para lidar com as questões da sexualidade na infância pode ser resumido em três passos:

  • Fingir que absolutamente nada está acontecendo
  • Esbravejar algo como “ tira a mão dái ! “
  • Responder ás curiosidades embaraçosas com “ Você não tem idade para essas coisas “

Tudo bem admitir que as vezes é mais fácil  arrancar um dente do que falar sobre o assunto com as crianças. Assim como outros pais, talvez você só esteja esperando o “momento certo” e acabe concluindo que falta muito para o aniversário de 18 anos do seu filho.

Até o dia em que você flaga sua pequena de 3 anos dizendo para o priminho:

“ Quer ver minha pipita ? É diferente da sua!. Ou se vê interrogado pelo seu menino em fase pré-escolar sobre como exatamente a sementinha do papai foi parar na barriga a mamãe… e se convence de que não será possível adiar tanto esse tipo de conversa. Mas quando e por onde começar? A educação sexual não estimularia um desenvolvimento precoce?

Vamos lá: boa parte do tabu está ligado ao que as pessoas entendem quando ouvem “sexualidade”. Se o que vem à cabeça é “o ato em si “ e vivencias eróticas do mundo adulto, é compreensível que achem inapropriado ou mesmo inaceitável abordar o tema na infância. Mas o termo diz respeito à identidade, auto estima, afeto, relacionamentos … Portanto, nascemos e morrermos sexuais, mesmo que nunca pratiquemos sexo na vida . “ a sexualidade não depende da puberdade para florescer “, afirma a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo, presidente do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela evolui naturalmente em todas as crianças desde o útero, a despeito de lhes explicarmos ou não o que está acontecendo.

Nos primeiros anos de vida, principalmente, as crianças aprendem por meio da observação. Ou seja, ensinamos mesmo quando permanecemos em silêncio. Como explica o psicólogo e professor da Universidade Harvard John T. Chirban no livro recém – lançado How to Talk with Your Kids about Sex ( “ Como falar sobre sexo com seus filhos “, em tradução livre, Editora Thomas Nel0osn), ainda que não percebam , os adultos enviam mensagens sobre seus medos e crenças a respeito da sexualidade o tempo todo. Por exemplo, pela maneira como Lidam com a própria nudez ou evitam a palavra vagina. Os pais precisam entender o processo de desenvolvimento sexual de seus filhos para guia-los, afirmou o professor em entrevista.

Na prática, significa estar atento as necessidades  dificuldades deles, criar um vínculo capaz de oferecer suporte honesto e respostas sólidas. “ Isso empodera as crianças, faz com que elas saibam o que querem ou não querem e comuniquem de forma eficiente. Incerteza gera vulnerabilidade “

O preço da falta de Informação

Quando os pais se furtam dessa responsabilidade, permite que outras fontes (talvez menos idôneas )se tornem instrutores de seus filhos. Despreparados, eles correm muito mais riscos – violência sexual, gravidez não planejada e e infecções sexualmente transmissíveis são apenas alguns. Melhor garantir em casa que tenham informação e autoconfiança suficientes para tomar decisões que irão mantê-los saudáveis, seguros e felizes, não? Precisamos superar o mito de que a educação sexual pode erotizar ou incentivar a iniciação sexual precoce” afirma a pedagoga Caroline Arcari, autora do premiado livro Pipo e Fifi: Prevenção de Violência Sexual na Infância. Editora Caqui. Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que programas de qualidade ajudam os jovens a perdr a virgindade mais tarde, reduzir o numero  de parceiros e usar mais camisinha. A ONU, por exemplo, disponibiliza à Unesco e outras instituições uma espécie de cartilha com orientações para a implementação de educação sexual entre 5 a 18 anos.

No Brasil, quase 30% dos alunos de 9º ano do ensino fundamental ( cuja idade média é 14 anos ) já tiveram relação sexuais, segundo uma pesquisa do IBGE divulgada em 2015. Muito antes, parte considerável das crianças e adolescentes já teve experiências como beijo de língua e toque sem roupa;” O conceito que a maioria dos pais tem sobre falar de sexo com os filhos envolve apenas prevenção contra a gravidez  e doenças, afirma a educadora sexual Maria Helena Vilela, cofundadora do Instituto Kaplan – Centro  de Estudos da Sexualidade Humana. Não adianta tocar no assunto uma única vez e já na adolescência. “Uma pesquisa da Universidade Brigham Young (EUA) que avaliou o nível de comunicação sexual entre mais de 500 filhos e pais ao longo de dez anos corrobora a opinião da especialista : uma conversa vaga e genérica sobre sexo não é eficaz. Os jovens com atividade sexual mais segura tiveram comunicação continua sobre sexualidade em casa.

Outro dado curioso foi apresentado no ano passado em um evento da Pediatric Academic Societies: enquanto 90% dos pais de jovens ente 13-17 anos afirmam que falam de sexo com seus filhos, apenas 39% dos adolescentes reportaram o mesmo . “ Às vezes os pais falam o mínimo e têm a percepção de que cumpriram sua missão “ explica o educador sexual Marcos Ribeiro, autor de livros infantis como Sexo Não é Bicho-Papão! Editora Zit. “ As conversas devem acontecer no dia a dia e desde muito cedo. “ A pedagoga Caroline Arcari compara com a educação no trânsito: “Quando as crianças ainda andam no colo  de mãos dadas com os pais, ensinamos que é preciso olhar o semáforo e atravessar na faixa porque queremos protegê-las. Então, por que não orientamos sobre sexualidade, dosando a linguagem e o conteúdo de acordo com a faz do seu desenvolvimento?”.

DESCOBERTAS NATURAIS

Para muitos especialistas, os pais podem começar a educação sexual antes mesmo que os filhos aprendam a falar. Isso significa, por exemplo, incorporar os nomes corretos dos órgãos genitais (pênis e testículos; vulva e vagina ) em contextos cotidianos, como na hora o banho. Tudo bem recorrer a apelidos fofos como “ pepeca “ ou “pipi”, mas é importante que as crianças saibam como se chamam de verdade. Talvez soe estranho para você, mas tente ser espontâneo com se estivesse dizendo “joelho”. Lembre-se que pudor começa nas palavras. Se você não consegue nem referir literalmente a essas partes do corpo, como espera que seu filho se sinta à vontade com elas ?

Com a retirada das fraldas, as crianças passam a ter mais acesso aos genitais, portanto é natural que explorem o novo território da própria anatomia e descubram sensações gostosas.

Com a retirada das fraldas, as crianças passam a ter mais acesso aos genitais, portanto é natural que explorem o novo território da própria anatomia e descubram sensações gostosas.

“É um prazer infantil”, explica a psiquiatra Carmita Abdo, fundadora do Programa de Estudos em Sexualidade (USP).” Elas não têm a capacidade de erotização do adulto”,afirma. Apenas constatam algo como “olha, é diferente quando toco nesta parte do meu corpo!”. E, por não haver malícia nem compreensão das regras sociais, é comum que façam isso num almoço de domingo com a família inteira na sala.

Foi mais o menos que aconteceu na casa de uma operadora de telemarketing, ela flagrou o filho João Lucas, 3 anos mexendo no pênis, enquanto assistia a um desenho. ”Perguntei se ele estava com vontade de fazer xixi, e ele respondeu que achava que sim, porque o “birilo” (apelido que damos em casa ),estava ficando duro”, conta a mãe. Ela lidou normalmente com a situação e o levou ao banheiro.

Episódios de masturbação como esses são típicos da idade, e considerados quase aleatórios e inconscientes. A partir dos 3 anos, você já pode falar sobre privacidade. Jamais castigar o filho ou reagir de forma que ele se envergonhe da atitude.  Aproveite para a introduzir a noção de consentimento, explicando que os genitais são especiais e ninguém deve tocá-los – a não ser os pais, avos ou outros cuidadores durante o banho ou limpeza. E que, caso aconteça, ele deve contar a você não vai ficar bravo. Nessa fase, a criança também começa a reconhecer o gênero ao qual pertence e a reparar nas diferenças anatômicas entre meninos e meninas. Correm peladas, arrancam as roupas das bonecas, espiam os coros dos pais com mais atenção e se envolvem em dinâmicas tipo “ mostra-o-seu-que-eu-mortro-o-meu”. Por mais assustador que seja flagrar os chamados “jogos sexuais infantis”, conhecidos como “ troca-troca”ou “brincadeira de médico”, recorrentes entre os 7 e os 10 anos, interprete o comportamento dob a ótica da criança. “ Essa exploração deve ser encarada  com naturalidade , não há nada de inadequado”, afirma a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo. “ A maldade e o erotismo estão no olhar do adulto.” Da mesma forma, cuidado com a reprodução dos estereótipos de gênero. É importante que as crianças saibam, por exemplo, que meninas pode jogar bola e meninos, brincar de boneca.

Em geral, aos 3 anos, elas já especulam de onde vêm os bebês, mas suas ideias costumam ser tão embrionárias quanto “ eles vêm do hospital”. Eventuais perguntas sobre o amor e sexo não merecem palestras, mas respostas simples, que não antecipem informações desnecessárias ou além do que a criança é capaz de captar. Entre 4 e 5 anos, o interesse pela reprodução aumenta e os pequenos procuram saber como uma mulher engravida e por onde o bebê sai. Quando engravidou da filha Manuela , 1 ano, a fotógrafa precisou explicar para o primogênito, Lorenzo,5anos, que o papai havia colocado uma sementinha em sua barriga. O problema foi que o menino não se contentou e quis saber “como”. Fugi da resposta, porque fui pega de surpresa e não sei como falar do assunto sem que ele perca a inocência “. A dica é fornecer detalhes aos poucos e evitar metáforas demais.

Entre 6 e 8 anos, à medida que são alfabetizados, as duvidas se multiplicam. Você pode buscar ajuda em um livro infantil com ilustrações sobre a mecânica reprodutiva ( o-que-vai-aonde-de-que-forma) e as mudanças corporais que enfrentamos com a puberdade, como  aparecimento de pelos e espinhas. Assim a criança vai encarar com mais naturalidade aspectos do próprio desenvolvimento no futuro (mais próximo do que você gostaria de admitir) –incluindo menstruação e ejaculação, lá pelos 8 ou 9 anos. Nessa idade, provavelmente seu filho está online com ou sem sua supervisão. É importante discutir regras sobre conversar com estranhos nas redes sociais e compartilhar fotos. Para evitar que ele entre em contato com conteúdo pornográfico, talvez valha a pena instalar filtros nos aparelhos digitais. Segundo uma pesquisa da GuardChild realizada em 2018, 70% das crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos afirma ter encontrado pornografia acidentalmente enquanto navegavam na internet por outros motivos. Essas imagens podem criar uma noção incrivelmente distorcida de consentimento, prazer, saúde e segurança.

Educação SEXUAL na Escola

Os capítulos sobre camisinha e métodos contraceptivos devem surgir mais para a frente, por volta dos 11 anos. È mais ou menos nessa fase que a educação sexual surge nas salas de aula. No Brasil, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, ela deve ser discutida  a partir do 8ºano do ensino fundamental II, de forma transversal – ou seja, dentro de todas as disciplinas . Mas não há diretrizes claras e a obrigatoriedade e um currículo elaborado por especialistas. Em geral, a tarefa fica a cargo dos professores de biologia, que acabam tratando apenas do ponto de vista reprodutivo em aulas pontuais. As escolas particulares têm autonomia para tratar a questão, e poderiam ter uma disciplina especifica. No entanto, a maioria também costuma abordar o tema dentro da matéria de Biologia. Durante as ultimas eleições presidenciais, fake News e movimentos conservadores popularizam o termo “ideologia de gênero” para se posicionar contra a educação sexual nas escolas – que tem o apoio de  54 % dos brasileiros, de acordo com uma pesquisa da DataFolha realizada em dezembro passado. Argumentam, por exemplo, que os professores estariam “doutrinando” as crianças, que “menino pode ser menina”.

Para muitos profissionais da área, não há evidencias de que isso esteja acontecendo, muito menos de forma generalizada. Se as escolas mal abordam os aspecto biológicos e reprodutivos da sexualidade entre os adolescentes, estariam discutindo identidade de gênero e orientação sexual com as crianças? E, ainda assim, explicar a existência desses conceitos não torna alguém transexual ou gay – questão de identidade e não de escolha – , mas colabora com o combate à discriminação. De qualquer forma, é preciso melhorar a formação dos professores e o acesso a recursos didáticos de qualidade. Embora caiba à família o papel de educar para a sexualidade; é também no contexto doméstico que acontece quase 70% da violência sexual contra crianças no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 37% dos casos, os agressores convivem com as vitimas – pais e padrastos são os mais denunciados.

Toda criança te direito à informação de qualidade e proteção. “Os pais tem mais condições de avaliar o amadurecimento da criança para dar uma educação mais personalizada”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo. O problema é quem nem todos estão dispostos ou preparados para a tarefa. Quanto antes você abrir esse canal de diálogo sobre sexualidade com seus filhos, mais fácil será lá na frente. Preliminares são fundamentais. Tentar explicar para um pré-adolescentes sobre sexo sem nunca ter tocado no assunto é como ensinar álgebra sem que ele saiba letras e números. Você não saberá por onde começar . E ele terá informações demais para assimilar de uma vez.

Matéria original da Revista Crescer.

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Por que os pais devem acompanhar a rotina escolar do filho?

Por que os pais devem acompanhar a rotina escolar do filho?

Os especialistas garantem que a proximidade entre os pais e a escola aumenta o desempenho e o rendimento do aluno. Saiba como contribuir para o seu filho ser nota 10.
“Saiba o que seu filho está aprendendo, troque informações, elogie as conquistas e aponte, com carinho, as áreas que precisam ser melhoradas”

A maioria dos pais sabe que uma boa formação educacional é importante para garantir um futuro bem-sucedido para os filhos. Porém, quando o assunto é o jeito como a família lida com a educação, alguns deslizes ainda são comuns. O primeiro é dar pouca importância ao aprendizado na infância – no Brasil é exigido por lei que os pais matriculem as crianças na pré-escola aos 4 anos para iniciar a educação básica. “Esse começo é essencial para que o pequeno entenda e valorize a questão do aprendizado”, diz a pedagoga e mestre em educação Doroteia Bartz, de São Paulo.
Outro erro é encarar a rotina de casa e da escola como coisas independentes, sendo apenas o segundo ambiente o responsável pelo sucesso da aprendizagem. Um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)* apontou que priorizar os vínculos entre famílias e escolas é uma das políticas que devem ser adotadas para melhorar o ambiente de aprendizado. A conclusão da pesquisa é que se os pais não acompanham a rotina escolar do filho, o empenho nos estudos fica comprometido e o índice de faltas é maior.

A cumplicidade começa em casa!
O recado é o seguinte: seja qual for a idade e a fase escolar do seu filho, interaja com a rotina de estudos e o processo de aprendizagem dele. E acredite, o melhor lugar para isso é em casa. Para começar, crie um ambiente convidativo ao estudo: selecione um espaço com iluminação e temperatura adequadas, além de deixar os materiais necessários acessíveis. É desejável ainda que você ajude a criança a definir um cronograma de tarefas equilibrado, que contemple o momento da lição e também do descanso e das brincadeiras. A hora do estudo é sagrada e deve ser acompanhada de perto pelos pais, assim é possível se inteirar do conteúdo que está sendo trabalhado em sala de aula, auxiliar nas dúvidas e avaliar como está o desempenho da criança. “Dessa forma, as dificuldades podem ser percebidas logo e comunicadas à escola para que se busquem estratégias que ajudem o aluno a evoluir”, aponta Doroteia. Mais atitudes que capacitam a criança a alçar voos mais altos na vida escolar:

Estimular a leitura
Ler amplia o vocabulário, a criatividade e os conhecimentos gerais. Filhos que veem os pais lendo livros, revistas e jornais se encantam pelo universo da leitura facilmente.
Abordar os temas aprendidos na escola
Conversas em família sobre as matérias que estão sendo vistas no colégio ajudam a despertar e a construir o raciocínio e o senso crítico. Para tornar o papo interessante, ilustre-o com matérias de revistas, filmes e até mesmo com passagens que aconteceram no cotidiano de vocês. “Os jogos de tabuleiro também podem ser ferramentas úteis, pois ajudam a reforçar a convivência familiar ao mesmo tempo que divertem e exercitam noções de estratégia, planejamento, habilidades pessoais, o respeito às regras e o trabalho em equipe, diz a psicóloga Rosana Augone (SP), que acumula 20 anos de experiência na educação infantil.

Família x escola
A continuidade do trabalho da escola em casa é só uma das etapas a ser considerada quando o assunto é o envolvimento dos pais na vida escolar dos filhos. Para garantir o sucesso da criança, é preciso também interagir com as atividades da escola. Você já participa das reuniões nas quais pais e professores se encontram para debater a evolução do aluno? Ok, mas não é só. Eventos, como a feira do livro, são boas oportunidades para avaliar o aproveitamento da criança e o seu desenvolvimento emocional, além de se aprofundar no conhecimento da proposta pedagógica da escola. “Ainda é possível conhecer os pais de outras crianças e os funcionários que interagem com o seu filho. Ao se sentir à vontade com o universo dele, fica fácil ser atuante”, pontua a coordenadora Rosana Nunes***. “A presença dos pais no ambiente de ensino também reflete positivamente na sensação de segurança das crianças, um ponto fundamental para o desenvolvimento, sobretudo das novinhas”, completa Doroteia.

Escola x família
O engajamento dos pais na vida escolar dos filhos só é 100% quando a escola abre as portas, mostra o que espera deles e propicia formas de interação. Na França, por exemplo, existe um projeto chamado Caixa de Ferramentas. Os pais recebem um DVD com informações a respeito do ano letivo e são convidados a participar de reuniões para saber do desempenho dos filhos, como a escola se organiza, como ajudar na lição de casa, além de receber dicas de saúde. Enquanto a moda não pega por aqui, o jeito é dialogar com a escola. Procure coordenadores e professores, pergunte como pode contribuir, reúna-se com outros pais para trocarem informações em grupos de discussão ou até mesmo nas redes sociais, proponha eventos para socialização. A gente bem sabe que a vida é corrida e que, às vezes, parece não haver tempo suficiente para atuar em todas as áreas que nos solicitam, mas, nesse caso, o retorno será gratificante. “É preciso entender de uma vez que a nota é apenas a consequência de um processo maior. De fato, nada ocorre se a criança em questão não tiver empenho e vontade, mas com a família por perto para estimulá-la e dar suporte tudo fica mais agradável”, finaliza Doroteia.

Veja para acompanhar a rotina escolar

1- Mantenha um canal de comunicação constante com a escola do seu filho.

2- Troque ideias com seu filho, fazendo perguntas para ajudá-lo.

3- Incentive a criança a sempre tentar de novo, a ler com atenção e refazer aquele exercício que parece muito difícil.

4- Caso não saiba alguma resposta, oriente o estudante a levar a dúvida para o educador.

5- Não faça os trabalhos pelo seu filho. Estimule a parceria e incentive-o a assumir responsabilidades e a conquistar autonomia.

6- Estabeleça um período fixo para fazer a lição e respeite o tempo de descanso e os intervalos das refeições.

7- Reserve um espaço com pouca movimentação e sem interferências externas para realizar as atividades.

8- Separe um cantinho com apoio plano onde você possa ficar ao lado dele durante alguns momentos da tarefa.

9- Os livros são os principais materiais didáticos no aprendizado. Deixe o computador e o tablet para depois das tarefas.

10- O processo de aprendizagem varia de criança para criança. Reconheça os limites de seu filho e sempre o encoraje a melhorar.

Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp