Hora da lição de casa

Hora da lição de casa

Tem criança que faz numa boa e tem aquela que sofre e inventa mil desculpas para fugir desse momento. Há a mais independente e a que não desenha nem uma bolinha sem ajuda. Como é na sua Família? Conversamos com especialistas que mostram soluções para tornar a ocasião mais proveitosa e prazerosa para todos.

Acorda, põe o uniforme nos filhos, arruma a mochila, monta a lancheira, leva para a escola, vai para o trabalho. Busca, chega em casa e, finalmente, vai descansar.  Será que essa é a rotina mais comum das famílias? Definitivamente, não. Porque, muitas vezes, ainda tem o dever de casa dos pequenos… E, se os pais tivessem apenas que lembrar as crianças de fazer a tarefa, seria moleza. O problema é que muitos vivem um verdadeiro drama quando esse momento do dia chega. É o caso da secretária Patrícia Leandro dos Santos, 32, mãe de Sophia, 7, que passa horas para convencer a filha a fazer a atividade. “Uma simples tarefa de 15 minutos acaba levando uma hora, porque Sophia pede Água, quer ir ao banheiro, interrompe a todo instante para fazer qualquer coisa, menos focar na lição”, conta. Se ela não coloca a filha para fazer a tarefa, acaba tendo problema depois, inclusive com bilhetes na agenda, lembrando que a menina não cumpriu os afazeres. “É muito estressante”, diz Patrícia. 
O dever de casa é uma pratica comum na maioria das escolas do Brasil e do mundo. “Embora não haja muitas evidências científicas sobre a importância da lição de casa no aprendizado, o que sabemos é que quanto mais se pratica, mais se aprende. Isso vale para todos os processos de aprendizado”, afirma a neurologista infantil Rosana Cardoso Alves, coordenadora do grupo de Neurofisiologia Clínica do Fleury Medicina e Saúde e orientadora do programa de pós-graduação do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).  
Segundo a educadora da ONG Amor Exigente Rosângela Grando Ramos (RS), que trabalhou por 35 anos em escolas públicas e privadas, a tarefa tem de existir, mas deve ser mais envolvente e criativa. “Os pequenos amam pesquisar, recortar curiosidades, recontar histórias e adoram desafios lógicos. Quem não acha estranho o coletivo de borboletas [panapaná/panapanã]? Será que há algum país europeu que comece com a letra Y? É preciso criar situações atraentes para capturar a atenção das crianças”, diz.

Mais responsabilidade 
Ainda que a necessidade de haver ou não tarefa seja motivo de discussões entre profissionais e até pais, uma questão é unânime: o dever de casa ajuda a criança a ter mais responsabilidade. “A tarefa tem função de mostrar que, mesmo na infância, ela tem obrigações que são dela, não dos pais”, afirma a neuropsicóloga Deborah Moss (SP). E, por isso, os adultos não devem se envolver tanto com a atividade a ponto de querer resolve-la pelas crianças.  
Para a educadora Cristina Nogueira Barelli, coordenadora do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades (SP), o dever de casa é positivo, na medida em que ajuda a fixar o conteúdo ou, ainda, funciona como um estudo prévio para atividades que serão desenvolvidas em sala de aula. “É algo importante, desde que tenha significados e objetivos claros, e contextualizados com o que estão trabalhando na escola”, diz.  
Para que as crianças valorizem o momento de fazer o dever de casa, precisam se sentir comprometidas com a atividade. Um estudo realizado em 2018 por uma Universidade da Finlândia com 2 mil crianças atestou que, quanto mais ajuda as mães fornecem, maior a dificuldade dos filhos em assumir responsabilidades. “Quando a mãe dá ao filho oportunidade de fazer a lição de casa de forma autônoma, envia a mensagem de que acredita nas habilidades e capacidades dele, que por sua vez, faz a criança confiar em si mesma”, explica a pesquisadora do estudo, Jaana Viljaranta. Por outro lado, quando a ajuda é excessiva, especialmente quando não foi solicitada, os pais podem passar a mensagem de que não botam fé na capacidade do filho. “É claro que sempre devem oferecer auxílio concreto quando o pequeno claramente precisa, isso deve ser algo que deve ser disponibilizado automaticamente em todas as situações”, orienta Jaana.
 

Com ou sem supervisão, o fato é que cada criança tem um jeito próprio de encarar o momento de fazer a tarefa de casa. E diante dos diferentes comportamentos, você pode adotar algumas estratégias para que essa hora seja mais leve e produtiva para toda a família. É importante, apenas, não rotular o pequeno referindo-o como “superinteligente” ou “Preguiçoso”. Porque, no fim, as crianças com uma característica mais marcante, podem apresentar outras também.  
A seguir, conheça como diversos perfis de crianças encaram a lição de casa e a maneira mais tranquila de lidar com elas e ajudá-las. 

The Flash 
Ele mal sentou e, em pouco minutos, está tudo pronto. Se essa cena tema a ver com o seu filho, a principal dica é conferir se ele fe o que foi pedido na lição. “Em caso positivo, não há problema em ele ter sido ágil”, diz a educadora Cristina Nogueira Barelli. Gabriel, 10, é um faz-tudo-rapidinho. Ele acaba os afazeres em classe tão depressa que a escola resolveu abrir uma exceção. “Como Gabriel tem raciocínio rápido, conclui as atividades primeiro. Os professores passaram a permitir que fizesse a tarefa lá, porque ele tumultuava a aula, já que ficava ocioso”, conta a mãe, a advogada Luzia More Borges, 37. 
Se, para Gabriel, terminar a lição logo é apenas uma característica e não atrapalha, para outro pode ser sinônimo de dever malfeito. Nesse caso, o melhor é acompanhar a criança de perto. “Faça perguntas que instiguem o interesse do seu filho no que ele está trabalhando. Pergunte o que ele achou do exercício, o que aprendeu na escola sobre o assunto… e elogie o que ele conseguiu fazer”, orienta Cristina. Já se o seu filho termina as tarefas depressa, mas não dedica a elas atenção suficiente, analise se o momento da lição está adequado. “Uma criança com pressa para brincar não conseguirá conciliar os interesses de maneira produtiva”, diz a pedagoga Camila Lavagnoli, especialista em rotina infantil (ES). O ideal é ela ter tempo para a lição, mas também para outras atividades, inclusive as que lhe dão mais prazer.  

Que tarefa é essa? 
“Ela nunca está atenta à lição”, lamenta a secretária Patrícia, 32, mãe de Sophia, 7. “Nós, pais, recebemos notificações sobre as tarefas por um aplicativo, então, se eu não olhar e falar dos compromissos do dia, ela não está nem aí”, diz. Na casa da fisioterapeuta Juliana Dalcico, 38, mãe de Luiza, 6, não é diferente. “Minha filha até sabe que tem dever, mas tenho de chamá-la para que ela o faça. É superdesgastante para mim e para ela”, conta. 
Para ajudar Sophiae Luiza a lembrarem do dever de casa, a sugestão da educadora Cristina é criar estratégias para que, aos poucos, elas possam ficar mais independentes. “Por exemplo, combinar um horário e, todo dia, colocar um alarme para tocar, sinalizando o compromisso. Ou pedir para a criança escrever um bilhete para ela mesma se lembrar de fazer a lição, e colocá-lo em um lugar de fácil visualização”, orienta. Já a pedagoga Camila explica que o problema do esquecimento pode estar na falta de concentração. “Incentive seu filho a desenvolver essa habilidade. Pesquise por jogos que estimulem a atenção e faça do momento da brincadeira algo prazeroso. Outra dica: na volta da escola, peça para ele contar três tópicos importantes que aprendeu naquele dia. Assim, você também estará ensinando seu filho a se concentrar”, diz Camila.  

Perfeitinho 
Na casa da pedagoga Fernanda Bornich, 39, mãe de Ângelo, 8, a prática da lição de casa funcionou bem. “Ele chega da escola, se troca, almoça e faz a tarefa. Não fico em cima, ele se vira sozinho desde sempre. Tem foco, senta e estuda”, conta. No entanto, o problema tem sido perfeccionismo. “Ele se cobra muito. Não admite falhas na tarefa, tudo tem de estar impecável. Às vezes, chega a sofrer. Meu discurso sempre foi: faça o seu melhor, não importa a nota e, sim, o que aprendeu. Mas não tem jeito, isso é dele”, diz. 
O mesmo acontece com Stefano, 8. “Ele quebra a cabeça para fazer o dever com capricho. Mas mesmo com tanto empenho, de vez em quando, demora mais do que gostaria e se estressa”, conta a mãe, a economista Adriana Pereto Rocha Paes, 43. Segundo a pedagoga Camila Lavagnoli
, o perfeccionismo, muitas vezes, pode levar à frustação, caso as coisas não ocorram como o esperado. Então, como ajudar seu filho? “Quando algo fugir do controle, explique a ele que errar faz parte do ciclo de aprendizado de todas as pessoas. Conte alguma experiência concreta sobre a situação vivida por você. Reconheça e valide os sentimentos dele e ajude-o a ter outros pontos de vida.  

Depois eu faço  
A professora de educação física Camila Braga, 24, mãe da Bianca, 7, sabe bem como é conviver com alguém que vive procrastinando. “Minha filha sempre deixa tudo pra mais tarde. Quando pergunto se tem lição, ela fala que não. Olho a agenda, e ela ‘muda de ideia’. Tenta enganar a avó, afirmando que eu conferi que não havia tarefa. Quando não consegue tapear mais ninguém, enrola para sentar na cadeira, para pegar o lápis, dá vontade de fazer xixi, fome, a picada do mosquito começa a coçar…”, conta. 
A educadora Cristina lembra que, às vezes, é importante dar um tempo para a criança relaxar antes de começar o dever. “Combine um prazo limite e deixe o pequeno brincar ou assistir ao programa favorito. Quando o período acordado vencer, é hora de fazer a tarefa”, sugere. 
Já a pedagoga Camila diz que a falta de rotina pode colaborar com o comportamento de deixar tudo para depois. Definir uma agenda diária de afazeres, deveres e prazeres ajuda o pequeno. “Toda criança precisa disso para se sentir mais segura e ter noção do que vai acontecer naquele espaço de tempo. Juntos você e seu filho podem montar um painel com as atividades da semana, incluindo o momento da lição de casa”, orienta. 

Não, não e não 
Se o seu filho é daqueles que não querem saber de tarefa, primeiro, é interessante entender o porquê da recusa. A saída é conversar. Pergunte: “Por que quer fazer outra coisa, e não a lição? Do que você não gosta?”. “Certamente, o diálogo vai trazer informações importantes para que você consiga ajudá-lo a reverter a visão negativa sobre os estudos”, diz a pedagoga Camila Lavagnolli. Os pais também podem e devem pedir ajuda da escola. “Eu mesma já sugeri, certa vez, que a professora deixasse minha filha fazendo a lição na hora do recreio. Não como castigo, mas para que ela entendesse que suas atitudes têm consequências”, conta a neuropsicóloga Deborah Moss. A especialista explica que fez isso porque, no dia anterior, a menina havia se recusado a fazer o dever. “Depois do episódio da lição na hora do intervalo, minha filha chegou da escola dizendo: ‘Pensando bem, é melhor eu fazer em casa, mesmo’. E ficou resolvido”, conclui.  
É importante deixar claro para a criança que a lição de casa é uma obrigação dela. “Trata-se de um contrato estabelecido entre ela e o professor, e deve ser um momento de responsabilidade e de aprendizagem”, diz a educadora Cristina Barelli. Lembrando que, para alguns acordos na vida, não há negociação.  

 

 

Confira dicas que vão fazer a diferença na hora das tarefas

1.

Crie um espaço convidativo, limpo e iluminado. Cadeira e mesa ajustadas à altura da criança podem ajudá-la a se sentir mais confortável;

2

Afaste aparelhos eletrônicos, brinquedos, alimentos ou qualquer outro objeto que possa causar distração;

3

O mesmo vale para os irmãos ou outras crianças. Seu filho terá dificuldade para se concentrar com pessoas se movimentando e conversando por perto;

4

Defina, com a criança, o melhor horário para a lição, levando em conta a rotina da casa e a personalidade dela.

Conteúdo original retirado da Revista Crescer.

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O Palco e a Vida

O palco e a vida

A Importância do teatro para a formação de crianças e adolescentes

Desde a Antiguidade, o teatro, do latim theatrón (lugar de contemplar), é valorizado por diversos povos, seja para a prática de rituais religiosos como para o lazer e cultura.
O valor cultural do teatro é inegável, por complementar a formação cultural, além de incentivar a busca pelo conhecimento e a reflexão. Tais características fazem do teatro uma ferramenta fundamental para a educação e desenvolvimento de crianças e adolescentes, por trabalhar com a ludicidade, que é tão significativa para este público.
As peças teatrais representadas pelos alunos proporcionam momentos de aprendizado de valor inestimável, por ensinar diferentes temáticas de maneira lúdica e divertida.
Pensando na heterogeneidade presente nas escolas, que refletem a própria sociedade, o teatro consegue atender a todos os públicos, valorizando a diversidade e diversas culturas existentes.
O trabalho em equipe necessário à realização de uma peça teatral favorece o desenvolvimento pessoal e cultural dos alunos, levando-os a entender as próprias emoções e sentimentos, bem como dos outros, melhorando a expressividade (oral e escrita), na diminuição da timidez, estimulando a criatividade e, principalmente, a aceitação e convívio com as diferenças.

O preparo para a vida tem sido o maior objetivo das escolas que buscam uma educação de qualidade e o teatro contribui muito para a concretização deste ideal.
Crianças, adolescentes e jovens da atualidade nasceram sob a influência das novas tecnologias, que são muito atraentes e com recursos interessantes, porém o grande período de tempo que gastam sentados em frente a celulares e computadores tem afetado seu desenvolvimento.
Cada vez mais, os jovens têm se isolado, não participando do convívio social, além das complicações decorrentes da vida sedentária.
Também nestes aspectos o teatro pode ajudar, ao proporcionar momentos de contato pessoal, ampliar o conhecimento de mundo, aprender a falar e a ouvir o outro, compreender e refletir sobre pensamentos e realidades diferentes da sua.
O teatro favorece a atividade física, a partir da consciência e expressão corporal, que são fundamentais para a formação equilibrada do indivíduo. Afinal, o homem é um ser social e dinâmico, o que significa que não pode ficar isolado e sem se movimentar, porque isto faz parte de sua constituição física e emocional.
Por fim, o teatro desperta a criatividade e a liberdade de expressão, sendo uma arte que reflete a vida, ambas se misturando no espetáculo teatral.

Teatro na escola tem uma importância fundamental na educação, podendo colaborar para que a criança tenha oportunidade de atuar efetivamente no mundo, opinando, criticando e sugerindo e, também permite ajudar o aluno a desenvolver alguns aspectos: criatividade, coordenação, memorização,  vocabulário.
A escola que insere o teatro em suas atividades faz com que seus alunos construam um crescimento cultural que vai além da sala de aula, por meio do discurso espontâneo da linguagem teatral, motivando e despertando uma aprendizagem prazerosa, construindo o desejo de se aprender. O teatro, quando devidamente estruturado e acompanhado, ajuda o professor a perceber traços da personalidade do aluno, do seu comportamento individual e em grupo, traços do seu desenvolvimento, permitindo um melhor direcionamento para a aplicação do seu trabalho pedagógico. No entanto é de enorme importância que o professor de teatro tenha formação não só pedagógica mas também artística, pois um mau direcionamento poderá levar a problemas futuros irreversíveis no desenvolvimento da criança. Para que o docente apresente aos educandos um conhecimento real e reflexivo, é essencial que seja levado em conta todo o contexto sócio cultural e econômico, partindo das experiências do mesmo.

O teatro direcionado às crianças deve estar obrigatoriamente relacionado com diversas áreas como a psicologia e a música, e não somente relacionado à disciplina de artes. É importante ainda utilizar o teatro por meio de recursos pedagógicos, pois apenas apresentá-lo de qualquer forma as crianças, sem que ocorra o planejamento, os resultados finais podem se tornar ineficazes, não atingindo o que se pretende desenvolver.
O teatro na escola pode colaborar para que as crianças possam se relacionar melhor com os colegas e o meio onde vive; construam seu conhecimento brincando e descobrindo seus espaços, se tornem mais participativos e responsáveis nas atividades em sala, projetos, e dinâmicas; formando indivíduos críticos e atuantes de sua própria realidade, opinando e sugerindo, formando cidadãos que valorizem as experiências e sabem lidar com as diferenças sociais do seu bairro. Os professores, familiares e a comunidade, devem conhecer a importância do teatro na formação dos alunos, a fim de contribuírem participando junto com os mesmos. Existem várias formas de teatro, porém os mais conhecidos são: onde o próprio homem atua, utilizando tanto máscaras ou fantoches, como também a sua imagem.

O teatro infantil

As modalidades de teatro aplicadas na escola focam uma proposta de ensino diferente da forma tradicional. O teatro infantil é uma apresentação cênica feita para crianças onde os atores utilizam muita criatividade, imaginação, fantasia e emoção. Os temas mais utilizados são os contos de fadas e fábulas.Por que é isso que alegra mais as crianças.Isso dá muita imaginação e criatividades para os pequeninos. Outro temas abordados no teatro infantil, principalmente no teatro destinado às escolas, são os temas transversais.

A pantomima

A pantomima pode ser considerada um jogo teatral que é realizado por cenas de ação dramática que se caracterizam por explicação da ação através do gesto. Podemos exemplificar essa afirmação através dos seguintes exemplos: A primeira atividade proposta foi a de arrumar uma casa: os elementos foram entrando e ordenando os cantos de cada. No final, cada elemento estava a fazer alguma coisa - ou lendo um livro, ou cozinhando, ou escutando música. Ou seja, o manipular simplesmente os diversos objetos estimulou as crianças a utilizá-los de imediato. A atividade do segundo jogo era colocar água num copo e bebê-la. Mas, assim que subiram mais jogadores ao palco iniciou-se a disputa pela mesma. Ou seja, os alunos viram-se obrigados a solucionar a questão entre-eles, recorrendo aos seus ensinamentos de cidadania. No terceiro jogo, a atividade era tocar um instrumento, e os jogadores subiam ao palco tocando cada um seu instrumento, até que um dos participantes regeu a orquestra, que passou a existir em função do estabelecimento de uma ordem mais ampla, fixando uma relação lógica da cena. Algo mais próximo ao jogo da ir do conjunto das ações é um bom roteiro. Foi atingido quando um dos jogadores subiu ao palco e propôs atividades de "tecer". Mas ainda que o grupo elaborou um cenografia, configurando um oficina de tecelagem, na qual eram desenvolvidas as mais diferentes atividades, desde dobrar panos até crochê ou costura à máquina. Somente numa fase posterior, quando voltamos ao jogo da atividade, o grupo manteve o foco solicitado pelo jogo.

Teatro de fantoches

O teatro de bonecos teve sua origem na Antigüidade. Os homens começaram a modelar bonecos no barro, mas sem movimentos e aos poucos foram aprimorando esses bonecos, conseguindo mais tarde a articulação da cabeça e membros para fazer representações com eles.

Os bonecos

Os bonecos utilizados pelos alunos na escola seguindo a orientação de um professor têm um papel importantíssimo na educação, pois eles podem ajudar a desenvolver vários aspectos educacionais principalmente aos que estão relacionados à comunicação e a expressão sensório-motora. O professor deve deixar a criança manipular os bonecos à vontade. Aos poucos, a criança irá sentir uma vontade de criar uma fala, um diálogo para aquele boneco, aliando o movimento dele com a palavra.

Teatro de máscaras

O homem usa máscaras desde a Pré-História nos rituais religiosos. Na África, elas são esculpidas em madeira e pintadas. Já os índios americanos fazem-nas de couro pintado e adornos de penas. Na Oceania, são feitas de conchas e madeira e com madrepérolas incrustadas.
Existe um tipo muito antigo de máscara que é aquela desenhada no próprio rosto com tintas especiais, maquiagens e pinturas. Este tipo é muito utilizado pelos índios e pelos africanos nos seus rituais religiosos, de guerra, festas, etc.
Para a confecção, pode-se usar sacos de papel, cartolinas, tecidos, tintas, pratos de papelão, jornal, material de sucata, etc.
Esta atividade não é difícil de ser executada e será prazerosa para as crianças, pois elas poderão representar uma história com um material que elas mesmo elaboraram, pois estarão criando e recriando à sua própria dialética.
O teatro de máscaras promove a recreação, o jogo, a socialização, melhoria na fala da criança, desinibição dos alunos mais tímidos. Quando o trabalho em aula exigir o uso da palavra, a máscara que deve ser utilizada é aquela que cobre os olhos e o nariz deixando a boca livre, permitindo que a voz saia clara, exibindo a sua expressão verbal.
As crianças, representando com o rosto oculto, se permitem viver o enredo dos próprios personagens e o cotidiano social a que pertence.

Grupos de teatro

É sempre de estimular que em todas as escolas, juntas de freguesia, comunidades locais, etc. se formem grupos de teatro constituídos por crianças e jovens.
Através do teatro as crianças podem estar, quase sem se aperceberem, a focar e imediatamente a solucionar, problemas locais, p.ex., tais como a discriminação racial, o ambiente, as tradições locais, o mau rendimento escolar, etc.
As crianças/jovens podem-se juntar em grupos e partir delas o tema a abordar, e daí desenvolverem o seu próprio texto.
Os grupos de teatro podem absolutamente colaborar na integração de crianças e adolescentes com deficiências de todo tipo, permitindo uma melhoria substancial da sua auto-estima e das próprias doenças que sofrem.
É de imensa importância que as crianças que constituem os grupos de teatro não fiquem com a percepção de que a vida de artista é bastante simplista e de diversão, pelo que as remunerações financeiras são de evitar (podem ser dadas ofertas culturais como bilhetes para outros espectáculos, livros, etc.). Deve-se sim, estimular o gosto da representação criando um futuro público de teatro.

Conheça melhor como funciona o teatro aqui no Colégio Educar:

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Há uma tragédia silenciosa em nossas casas

Há uma tragédia silenciosa em nossas casas

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas:

As estatísticas:

  • 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
  • um aumento de 43% no TDAH foi observado;
  • um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
  • um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado? As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como: • pais emocionalmente disponíveis; • limites claramente definidos; • responsabilidades; • nutrição equilibrada e sono adequado; • movimento em geral, mas especialmente ao ar livre; • jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio. Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com: • pais digitalmente distraídos; • pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras; • um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo; • sono inadequado e nutrição desequilibrada; • um estilo de vida sedentário; • estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.

O que fazer?

 Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:

  • Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
  • Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam. • Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
  • Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
  • Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
  • Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
  • Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade (dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.) • Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
  • Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
  • Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
  • Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
  • Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
  • Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.
  • Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
  • Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
  • Estar emocionalmente disponível para se conectar com as crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
  • Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
  • Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
  • Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
  • Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.

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Por: Luis Rojas Marcos ( Médico Psiquiatra)

 Fonte: CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRADA LTDA. Membro das Escolas Associadas da Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

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Sexualidade

Sexualidade

Como falar sobre com seu filho.

Lidar com as curiosidades e os comportamentos das crianças em cada etapa do desenvolvimento – sem recorrer à cegonha nem estimular uma sexualidade precoce não precisa ser um bicho de sete cabeças. Na verdade, é um processo mais natural do que parece. Não sabe por onde começar ? 

Ao longo das gerações, o método universal mais adotado para lidar com as questões da sexualidade na infância pode ser resumido em três passos:

  • Fingir que absolutamente nada está acontecendo
  • Esbravejar algo como “ tira a mão dái ! “
  • Responder ás curiosidades embaraçosas com “ Você não tem idade para essas coisas “

Tudo bem admitir que as vezes é mais fácil  arrancar um dente do que falar sobre o assunto com as crianças. Assim como outros pais, talvez você só esteja esperando o “momento certo” e acabe concluindo que falta muito para o aniversário de 18 anos do seu filho.

Até o dia em que você flaga sua pequena de 3 anos dizendo para o priminho:

“ Quer ver minha pipita ? É diferente da sua!. Ou se vê interrogado pelo seu menino em fase pré-escolar sobre como exatamente a sementinha do papai foi parar na barriga a mamãe… e se convence de que não será possível adiar tanto esse tipo de conversa. Mas quando e por onde começar? A educação sexual não estimularia um desenvolvimento precoce?

Vamos lá: boa parte do tabu está ligado ao que as pessoas entendem quando ouvem “sexualidade”. Se o que vem à cabeça é “o ato em si “ e vivencias eróticas do mundo adulto, é compreensível que achem inapropriado ou mesmo inaceitável abordar o tema na infância. Mas o termo diz respeito à identidade, auto estima, afeto, relacionamentos … Portanto, nascemos e morrermos sexuais, mesmo que nunca pratiquemos sexo na vida . “ a sexualidade não depende da puberdade para florescer “, afirma a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo, presidente do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela evolui naturalmente em todas as crianças desde o útero, a despeito de lhes explicarmos ou não o que está acontecendo.

Nos primeiros anos de vida, principalmente, as crianças aprendem por meio da observação. Ou seja, ensinamos mesmo quando permanecemos em silêncio. Como explica o psicólogo e professor da Universidade Harvard John T. Chirban no livro recém – lançado How to Talk with Your Kids about Sex ( “ Como falar sobre sexo com seus filhos “, em tradução livre, Editora Thomas Nel0osn), ainda que não percebam , os adultos enviam mensagens sobre seus medos e crenças a respeito da sexualidade o tempo todo. Por exemplo, pela maneira como Lidam com a própria nudez ou evitam a palavra vagina. Os pais precisam entender o processo de desenvolvimento sexual de seus filhos para guia-los, afirmou o professor em entrevista.

Na prática, significa estar atento as necessidades  dificuldades deles, criar um vínculo capaz de oferecer suporte honesto e respostas sólidas. “ Isso empodera as crianças, faz com que elas saibam o que querem ou não querem e comuniquem de forma eficiente. Incerteza gera vulnerabilidade “

O preço da falta de Informação

Quando os pais se furtam dessa responsabilidade, permite que outras fontes (talvez menos idôneas )se tornem instrutores de seus filhos. Despreparados, eles correm muito mais riscos – violência sexual, gravidez não planejada e e infecções sexualmente transmissíveis são apenas alguns. Melhor garantir em casa que tenham informação e autoconfiança suficientes para tomar decisões que irão mantê-los saudáveis, seguros e felizes, não? Precisamos superar o mito de que a educação sexual pode erotizar ou incentivar a iniciação sexual precoce” afirma a pedagoga Caroline Arcari, autora do premiado livro Pipo e Fifi: Prevenção de Violência Sexual na Infância. Editora Caqui. Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que programas de qualidade ajudam os jovens a perdr a virgindade mais tarde, reduzir o numero  de parceiros e usar mais camisinha. A ONU, por exemplo, disponibiliza à Unesco e outras instituições uma espécie de cartilha com orientações para a implementação de educação sexual entre 5 a 18 anos.

No Brasil, quase 30% dos alunos de 9º ano do ensino fundamental ( cuja idade média é 14 anos ) já tiveram relação sexuais, segundo uma pesquisa do IBGE divulgada em 2015. Muito antes, parte considerável das crianças e adolescentes já teve experiências como beijo de língua e toque sem roupa;” O conceito que a maioria dos pais tem sobre falar de sexo com os filhos envolve apenas prevenção contra a gravidez  e doenças, afirma a educadora sexual Maria Helena Vilela, cofundadora do Instituto Kaplan – Centro  de Estudos da Sexualidade Humana. Não adianta tocar no assunto uma única vez e já na adolescência. “Uma pesquisa da Universidade Brigham Young (EUA) que avaliou o nível de comunicação sexual entre mais de 500 filhos e pais ao longo de dez anos corrobora a opinião da especialista : uma conversa vaga e genérica sobre sexo não é eficaz. Os jovens com atividade sexual mais segura tiveram comunicação continua sobre sexualidade em casa.

Outro dado curioso foi apresentado no ano passado em um evento da Pediatric Academic Societies: enquanto 90% dos pais de jovens ente 13-17 anos afirmam que falam de sexo com seus filhos, apenas 39% dos adolescentes reportaram o mesmo . “ Às vezes os pais falam o mínimo e têm a percepção de que cumpriram sua missão “ explica o educador sexual Marcos Ribeiro, autor de livros infantis como Sexo Não é Bicho-Papão! Editora Zit. “ As conversas devem acontecer no dia a dia e desde muito cedo. “ A pedagoga Caroline Arcari compara com a educação no trânsito: “Quando as crianças ainda andam no colo  de mãos dadas com os pais, ensinamos que é preciso olhar o semáforo e atravessar na faixa porque queremos protegê-las. Então, por que não orientamos sobre sexualidade, dosando a linguagem e o conteúdo de acordo com a faz do seu desenvolvimento?”.

DESCOBERTAS NATURAIS

Para muitos especialistas, os pais podem começar a educação sexual antes mesmo que os filhos aprendam a falar. Isso significa, por exemplo, incorporar os nomes corretos dos órgãos genitais (pênis e testículos; vulva e vagina ) em contextos cotidianos, como na hora o banho. Tudo bem recorrer a apelidos fofos como “ pepeca “ ou “pipi”, mas é importante que as crianças saibam como se chamam de verdade. Talvez soe estranho para você, mas tente ser espontâneo com se estivesse dizendo “joelho”. Lembre-se que pudor começa nas palavras. Se você não consegue nem referir literalmente a essas partes do corpo, como espera que seu filho se sinta à vontade com elas ?

Com a retirada das fraldas, as crianças passam a ter mais acesso aos genitais, portanto é natural que explorem o novo território da própria anatomia e descubram sensações gostosas.

Com a retirada das fraldas, as crianças passam a ter mais acesso aos genitais, portanto é natural que explorem o novo território da própria anatomia e descubram sensações gostosas.

“É um prazer infantil”, explica a psiquiatra Carmita Abdo, fundadora do Programa de Estudos em Sexualidade (USP).” Elas não têm a capacidade de erotização do adulto”,afirma. Apenas constatam algo como “olha, é diferente quando toco nesta parte do meu corpo!”. E, por não haver malícia nem compreensão das regras sociais, é comum que façam isso num almoço de domingo com a família inteira na sala.

Foi mais o menos que aconteceu na casa de uma operadora de telemarketing, ela flagrou o filho João Lucas, 3 anos mexendo no pênis, enquanto assistia a um desenho. ”Perguntei se ele estava com vontade de fazer xixi, e ele respondeu que achava que sim, porque o “birilo” (apelido que damos em casa ),estava ficando duro”, conta a mãe. Ela lidou normalmente com a situação e o levou ao banheiro.

Episódios de masturbação como esses são típicos da idade, e considerados quase aleatórios e inconscientes. A partir dos 3 anos, você já pode falar sobre privacidade. Jamais castigar o filho ou reagir de forma que ele se envergonhe da atitude.  Aproveite para a introduzir a noção de consentimento, explicando que os genitais são especiais e ninguém deve tocá-los – a não ser os pais, avos ou outros cuidadores durante o banho ou limpeza. E que, caso aconteça, ele deve contar a você não vai ficar bravo. Nessa fase, a criança também começa a reconhecer o gênero ao qual pertence e a reparar nas diferenças anatômicas entre meninos e meninas. Correm peladas, arrancam as roupas das bonecas, espiam os coros dos pais com mais atenção e se envolvem em dinâmicas tipo “ mostra-o-seu-que-eu-mortro-o-meu”. Por mais assustador que seja flagrar os chamados “jogos sexuais infantis”, conhecidos como “ troca-troca”ou “brincadeira de médico”, recorrentes entre os 7 e os 10 anos, interprete o comportamento dob a ótica da criança. “ Essa exploração deve ser encarada  com naturalidade , não há nada de inadequado”, afirma a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo. “ A maldade e o erotismo estão no olhar do adulto.” Da mesma forma, cuidado com a reprodução dos estereótipos de gênero. É importante que as crianças saibam, por exemplo, que meninas pode jogar bola e meninos, brincar de boneca.

Em geral, aos 3 anos, elas já especulam de onde vêm os bebês, mas suas ideias costumam ser tão embrionárias quanto “ eles vêm do hospital”. Eventuais perguntas sobre o amor e sexo não merecem palestras, mas respostas simples, que não antecipem informações desnecessárias ou além do que a criança é capaz de captar. Entre 4 e 5 anos, o interesse pela reprodução aumenta e os pequenos procuram saber como uma mulher engravida e por onde o bebê sai. Quando engravidou da filha Manuela , 1 ano, a fotógrafa precisou explicar para o primogênito, Lorenzo,5anos, que o papai havia colocado uma sementinha em sua barriga. O problema foi que o menino não se contentou e quis saber “como”. Fugi da resposta, porque fui pega de surpresa e não sei como falar do assunto sem que ele perca a inocência “. A dica é fornecer detalhes aos poucos e evitar metáforas demais.

Entre 6 e 8 anos, à medida que são alfabetizados, as duvidas se multiplicam. Você pode buscar ajuda em um livro infantil com ilustrações sobre a mecânica reprodutiva ( o-que-vai-aonde-de-que-forma) e as mudanças corporais que enfrentamos com a puberdade, como  aparecimento de pelos e espinhas. Assim a criança vai encarar com mais naturalidade aspectos do próprio desenvolvimento no futuro (mais próximo do que você gostaria de admitir) –incluindo menstruação e ejaculação, lá pelos 8 ou 9 anos. Nessa idade, provavelmente seu filho está online com ou sem sua supervisão. É importante discutir regras sobre conversar com estranhos nas redes sociais e compartilhar fotos. Para evitar que ele entre em contato com conteúdo pornográfico, talvez valha a pena instalar filtros nos aparelhos digitais. Segundo uma pesquisa da GuardChild realizada em 2018, 70% das crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos afirma ter encontrado pornografia acidentalmente enquanto navegavam na internet por outros motivos. Essas imagens podem criar uma noção incrivelmente distorcida de consentimento, prazer, saúde e segurança.

Educação SEXUAL na Escola

Os capítulos sobre camisinha e métodos contraceptivos devem surgir mais para a frente, por volta dos 11 anos. È mais ou menos nessa fase que a educação sexual surge nas salas de aula. No Brasil, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, ela deve ser discutida  a partir do 8ºano do ensino fundamental II, de forma transversal – ou seja, dentro de todas as disciplinas . Mas não há diretrizes claras e a obrigatoriedade e um currículo elaborado por especialistas. Em geral, a tarefa fica a cargo dos professores de biologia, que acabam tratando apenas do ponto de vista reprodutivo em aulas pontuais. As escolas particulares têm autonomia para tratar a questão, e poderiam ter uma disciplina especifica. No entanto, a maioria também costuma abordar o tema dentro da matéria de Biologia. Durante as ultimas eleições presidenciais, fake News e movimentos conservadores popularizam o termo “ideologia de gênero” para se posicionar contra a educação sexual nas escolas – que tem o apoio de  54 % dos brasileiros, de acordo com uma pesquisa da DataFolha realizada em dezembro passado. Argumentam, por exemplo, que os professores estariam “doutrinando” as crianças, que “menino pode ser menina”.

Para muitos profissionais da área, não há evidencias de que isso esteja acontecendo, muito menos de forma generalizada. Se as escolas mal abordam os aspecto biológicos e reprodutivos da sexualidade entre os adolescentes, estariam discutindo identidade de gênero e orientação sexual com as crianças? E, ainda assim, explicar a existência desses conceitos não torna alguém transexual ou gay – questão de identidade e não de escolha – , mas colabora com o combate à discriminação. De qualquer forma, é preciso melhorar a formação dos professores e o acesso a recursos didáticos de qualidade. Embora caiba à família o papel de educar para a sexualidade; é também no contexto doméstico que acontece quase 70% da violência sexual contra crianças no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 37% dos casos, os agressores convivem com as vitimas – pais e padrastos são os mais denunciados.

Toda criança te direito à informação de qualidade e proteção. “Os pais tem mais condições de avaliar o amadurecimento da criança para dar uma educação mais personalizada”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo. O problema é quem nem todos estão dispostos ou preparados para a tarefa. Quanto antes você abrir esse canal de diálogo sobre sexualidade com seus filhos, mais fácil será lá na frente. Preliminares são fundamentais. Tentar explicar para um pré-adolescentes sobre sexo sem nunca ter tocado no assunto é como ensinar álgebra sem que ele saiba letras e números. Você não saberá por onde começar . E ele terá informações demais para assimilar de uma vez.

Matéria original da Revista Crescer.

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Por que os pais devem acompanhar a rotina escolar do filho?

Por que os pais devem acompanhar a rotina escolar do filho?

Os especialistas garantem que a proximidade entre os pais e a escola aumenta o desempenho e o rendimento do aluno. Saiba como contribuir para o seu filho ser nota 10.
“Saiba o que seu filho está aprendendo, troque informações, elogie as conquistas e aponte, com carinho, as áreas que precisam ser melhoradas”

A maioria dos pais sabe que uma boa formação educacional é importante para garantir um futuro bem-sucedido para os filhos. Porém, quando o assunto é o jeito como a família lida com a educação, alguns deslizes ainda são comuns. O primeiro é dar pouca importância ao aprendizado na infância – no Brasil é exigido por lei que os pais matriculem as crianças na pré-escola aos 4 anos para iniciar a educação básica. “Esse começo é essencial para que o pequeno entenda e valorize a questão do aprendizado”, diz a pedagoga e mestre em educação Doroteia Bartz, de São Paulo.
Outro erro é encarar a rotina de casa e da escola como coisas independentes, sendo apenas o segundo ambiente o responsável pelo sucesso da aprendizagem. Um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)* apontou que priorizar os vínculos entre famílias e escolas é uma das políticas que devem ser adotadas para melhorar o ambiente de aprendizado. A conclusão da pesquisa é que se os pais não acompanham a rotina escolar do filho, o empenho nos estudos fica comprometido e o índice de faltas é maior.

A cumplicidade começa em casa!
O recado é o seguinte: seja qual for a idade e a fase escolar do seu filho, interaja com a rotina de estudos e o processo de aprendizagem dele. E acredite, o melhor lugar para isso é em casa. Para começar, crie um ambiente convidativo ao estudo: selecione um espaço com iluminação e temperatura adequadas, além de deixar os materiais necessários acessíveis. É desejável ainda que você ajude a criança a definir um cronograma de tarefas equilibrado, que contemple o momento da lição e também do descanso e das brincadeiras. A hora do estudo é sagrada e deve ser acompanhada de perto pelos pais, assim é possível se inteirar do conteúdo que está sendo trabalhado em sala de aula, auxiliar nas dúvidas e avaliar como está o desempenho da criança. “Dessa forma, as dificuldades podem ser percebidas logo e comunicadas à escola para que se busquem estratégias que ajudem o aluno a evoluir”, aponta Doroteia. Mais atitudes que capacitam a criança a alçar voos mais altos na vida escolar:

Estimular a leitura
Ler amplia o vocabulário, a criatividade e os conhecimentos gerais. Filhos que veem os pais lendo livros, revistas e jornais se encantam pelo universo da leitura facilmente.
Abordar os temas aprendidos na escola
Conversas em família sobre as matérias que estão sendo vistas no colégio ajudam a despertar e a construir o raciocínio e o senso crítico. Para tornar o papo interessante, ilustre-o com matérias de revistas, filmes e até mesmo com passagens que aconteceram no cotidiano de vocês. “Os jogos de tabuleiro também podem ser ferramentas úteis, pois ajudam a reforçar a convivência familiar ao mesmo tempo que divertem e exercitam noções de estratégia, planejamento, habilidades pessoais, o respeito às regras e o trabalho em equipe, diz a psicóloga Rosana Augone (SP), que acumula 20 anos de experiência na educação infantil.

Família x escola
A continuidade do trabalho da escola em casa é só uma das etapas a ser considerada quando o assunto é o envolvimento dos pais na vida escolar dos filhos. Para garantir o sucesso da criança, é preciso também interagir com as atividades da escola. Você já participa das reuniões nas quais pais e professores se encontram para debater a evolução do aluno? Ok, mas não é só. Eventos, como a feira do livro, são boas oportunidades para avaliar o aproveitamento da criança e o seu desenvolvimento emocional, além de se aprofundar no conhecimento da proposta pedagógica da escola. “Ainda é possível conhecer os pais de outras crianças e os funcionários que interagem com o seu filho. Ao se sentir à vontade com o universo dele, fica fácil ser atuante”, pontua a coordenadora Rosana Nunes***. “A presença dos pais no ambiente de ensino também reflete positivamente na sensação de segurança das crianças, um ponto fundamental para o desenvolvimento, sobretudo das novinhas”, completa Doroteia.

Escola x família
O engajamento dos pais na vida escolar dos filhos só é 100% quando a escola abre as portas, mostra o que espera deles e propicia formas de interação. Na França, por exemplo, existe um projeto chamado Caixa de Ferramentas. Os pais recebem um DVD com informações a respeito do ano letivo e são convidados a participar de reuniões para saber do desempenho dos filhos, como a escola se organiza, como ajudar na lição de casa, além de receber dicas de saúde. Enquanto a moda não pega por aqui, o jeito é dialogar com a escola. Procure coordenadores e professores, pergunte como pode contribuir, reúna-se com outros pais para trocarem informações em grupos de discussão ou até mesmo nas redes sociais, proponha eventos para socialização. A gente bem sabe que a vida é corrida e que, às vezes, parece não haver tempo suficiente para atuar em todas as áreas que nos solicitam, mas, nesse caso, o retorno será gratificante. “É preciso entender de uma vez que a nota é apenas a consequência de um processo maior. De fato, nada ocorre se a criança em questão não tiver empenho e vontade, mas com a família por perto para estimulá-la e dar suporte tudo fica mais agradável”, finaliza Doroteia.

Veja para acompanhar a rotina escolar

1- Mantenha um canal de comunicação constante com a escola do seu filho.

2- Troque ideias com seu filho, fazendo perguntas para ajudá-lo.

3- Incentive a criança a sempre tentar de novo, a ler com atenção e refazer aquele exercício que parece muito difícil.

4- Caso não saiba alguma resposta, oriente o estudante a levar a dúvida para o educador.

5- Não faça os trabalhos pelo seu filho. Estimule a parceria e incentive-o a assumir responsabilidades e a conquistar autonomia.

6- Estabeleça um período fixo para fazer a lição e respeite o tempo de descanso e os intervalos das refeições.

7- Reserve um espaço com pouca movimentação e sem interferências externas para realizar as atividades.

8- Separe um cantinho com apoio plano onde você possa ficar ao lado dele durante alguns momentos da tarefa.

9- Os livros são os principais materiais didáticos no aprendizado. Deixe o computador e o tablet para depois das tarefas.

10- O processo de aprendizagem varia de criança para criança. Reconheça os limites de seu filho e sempre o encoraje a melhorar.

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Ansiedade infantil

Ansiedade infantil

Nos tempos hoje a criança já nasce acelerada, antes mesmo dos dentes de leite saírem, eles já ganham intimidade com o mundo virtual antes dos 2 anos fazendo com que isso tenham acesso a quantidade de informações sem precedentes, com essa imersão precoce tecnológica modificando a forma como lidam com o tempo e maneira de como processam as informações – Ambos fatores colaboram com o nível de ansiedade.

Uma pesquisa realizada por dois Psicólogos Americanos Jeam Twenge (Universidade de San Diego) e Keith Campbell (Universidade da Geórgia), associou que o uso da tecnologia por pequenos a partir de 2 anos amplia o nível de ansiedade e assim maior ocorrência de diagnostico, e criança a partir de 4 anos apresentam o dobro de chances de perder a paciência a cerca de 46% apresentam a menor probabilidade de acalmar-se em situações de excitação ou estresse .
Para a Educadora e Neuropsicológica Adriana Fóz, o problema por si só será sempre o exagero, se desde cedo for a maior distração das crianças pode ser um problema pois ainda não está preparado para lidar com excesso de informações.

O escritor Richard Louv da Rede Internacional, cofundador da rede internacional Children and Nature Network, constatou a falta de contato com a natureza podendo ser a maior contribuinte para o aumento da ansiedade, “não é por acaso que o aumento da urbanização ou pelo menos pelo com a disseminação da urbanização desnaturada, temos incidências cada vez mais comuns de ansiedade e depressão.
Richard Louv é o autor do livro – A última criança na natureza – resgatando nossas crianças de transtornos de déficit de natureza ‘Editora Aquariana‘
Os estudos sugerem que passar tempo ao meio da natureza ajuda as crianças construir confiança a si mesmas, reduzindo os sintomas do transtorno de Defict Atenção.

Devido ao ritimo que levamos com muita tecnologia e pouca natureza a mil atividades extracurriculares o nível de ansiedade aumente até mesmo o comportamento dos pais podem ser determinantes , pais que cobram de seus filhos melhores performances , exemplo: melhores notas, obediência, serem inteligentes enfim uma criança com máxima eficiência e diante de tanta pressão acabam sendo vítimas de cobranças e de sua própria autocobrança tornando–se ainda mais ansiosos.

É ou não é ansiedade Assim como o medo e o estresse ela faz parte da vida. Exemplo, quando ficamos ansiosos pela chegada de um bebê e não preparamos nada para sua chegada essa ansiedade tende a ser um incomodo, porém essa ansiedade deve ser vivida com uma emoção gostosa de algo esperado.

Tão normal quando seu filho fica agitado pela data tão esperada de sua festa de aniversário ou algum evento na escola, isso não quer dizer que seja ansiosa, exige deles uma predisposição que geralmente se preocupam em excesso e querer ter autocontrole das situações, precisamos saber também que somente 4 % dessas crianças de (0 a 18 anos) tem essa predisposição genética.

Por esse motivo não é o caso de correr atrás de psicólogo ou algum tratamento ou até mesmo rotular seu filho como ansioso, vale a pena se perguntar senão estamos respeitando o tempo dele, geralmente queremos em algumas situações que eles se comportem como adultos, ficarem por um tempo indeterminando sentados em um restaurante sendo que isso é uma atividade para adultos, uma hora isso vai cansa-ló, não que nunca poderemos exigir disciplina até podemos mas chegara uma hora que ele ira cansar e irá querer fazer outra atividade, como se entreter com giz de cera e massinha.
Se relacionar com os filhos não é algo inato, precisa ser aprendido, precisamos nos dispor e entrar no mundo deles mesmo que na correria do dia a dia seja difícil, mas vale lembrar que seu filho tem um tempo diferente do seu, vale ficar em alerta e observar se a ansiedade esta dentro dos níveis normais, se isso pode atrapalhar a vida da criança ou seja na escola ou convivência familiar e com os amigos.

Siga as  dicas para  ajudar seu filho.

  • Menos tempo nos eletrônicos
  • Mais natureza
  • Dose de leveza – Educar sim , sobrecarregar não
  • Tempos juntos – Oportunidades de vinculo entre vocês
  • Mergulho nas letras – Ler um livro juntos
  • Na melodia – ouvir musica ou até mesmo tocar um instrumento
  • Brincadeiras para se mexer – brincadeiras de rodas e outros tipos lúdicas
  • Ritmo de respiração – fazer exercício de respirar com calma
  • Ioga ou mindfulness – técnicas para relaxamento e concentração

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A importância da educação na primeira infância

A importância da educação na primeira infância

A fase que vai do 0 aos 6 anos, mais conhecida como primeira infância, é um período muito rico para o desenvolvimento humano. Cada nova experiência vivida forma frutos no futuro da criança que farão a diferença por toda sua vida.

“Como sabemos pela ciência, a arquitetura do cérebro se forma nos primeiros anos de vida. É por isso que o trabalho educacional é extremamente importante e ajuda a definir o futuro desenvolvimento da criança. Na escola, ela ganha habilidade, conhecimento, sensibilidade, valores, capacidade de percepção e relacionamento”, explica o sociólogo Cesar Callegari, diretor da Faculdade Sesi-SP de educação.

Na escola infantil a criança brinca, ri e se diverte a todo momento, e acredite, isso é ótimo! Mas tem muito mais envolvido nesse processo. Apesar das brincadeiras parecerem despretensiosas, elas são fundamentais e trazem muitas lições para os pequenos. Portanto, não necessariamente o desenvolver se baseia em apostilas, provas e deveres, na verdade, a criança deve brincar e se relacionar. Inclusive, existem diversos estudos que comprovam, como por exemplo, um recente estudo realizado com cerca de 1 milhão de crianças na Carolina do Norte (EUA), os alunos que desfrutaram de uma boa educação infantil, tiveram um desempenho melhor no ensino fundamental e menos necessidade de reforço escolar. Cientistas de Harvard (EUA) também indicaram que, quanto mais as crianças se desenvolvem durante esse período, mais chances terão de ganharem bons salários e chegarem à faculdade.

Emoções e conquistas

Para Pnina Eva Friedlander, coordenadora e sócia da escola Carandá Vivavida (SP), “Quando a criança sai de casa, ela é filha de fulano e da fulana. Ao passar pelo portão da escola, vira aluna, ganha um novo status. Ela precisa dividir, compartilhar, percebe que o brinquedo da escola não pertence a ela e que o colega tem direito de usar também. Assim vai aprendendo sobre negociação e descobre como brincar junto”. Ou seja, a escola aumenta a convivência social, tanto com outras crianças, como com os adultos, isso ajuda na percepção de que existe o “eu” e o “outro”, já que os pequenos não têm a consciência de que o mundo não é só o que eles conhecem ou convivem.

As famílias de hoje estão cada vez menores, isso restringe a familiaridade, logo o ambiente escolar desde cedo possibilita o contato e respeito à diversidade, muitas vezes é a única forma de contato diário com outras crianças. “A partir da interação, ela percebe que o amigo também tem família e sentimentos, o que é uma questão social muito importante”, afirma a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano. Estudos feitos pela Universidade de Illinois (EUA) já comprovam que bons amigos na educação infantil oferecem benefícios a longo prazo. Como melhores níveis de cooperação, sabem compartilhar e alternar tarefas, e também são menos hostis e conflituosas com os colegas.

Mas os benefícios não terminam, dentro da escola, eles aprendem a lidar com a espera, a frustação, a noção de espaço e tempo, o respeito mutuo, a autoridade do professor e tolerância. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Luciana Barros, “essas são

aprendizagens básica para desenvolver a autonomia. Por estar longe dos pais, a criança precisa resolver conflitos e enfrentar situações por conta própria. Assim, ela aprende a criar soluções e a cuidar de si mesma”, diz.

Os pais conseguem notar facilmente os ganhos cognitivos e psicomotores das crianças, entre eles, o desenvolvimento da linguagem e da motricidade fina. Como Darlene Caldas, 35 anos, mãe de Beatriz, 3 anos, que diz “Eu achava um absurdo colocar a criança desde cedo na escola. Mas quando tive minha filha, percebi a necessidade de estimulá-la. Desde que a matriculei, ela se desenvolveu bastante, aumentou o vocabulário, fez amizades, aprendeu a conviver com outras crianças e a compartilhar. Também é nítido o seu desenvolvimento cognitivo e motor”.

Além do brincar

Fuja de escolas com horas de confinamento em sala e atividades repetitivas que estimulam decorar o conteúdo, a ideia é justamente o oposto. Alessandra Sarkis, diretora da Escola de Educação Infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro ressalta, “As Diretrizes Curriculares Nacionais trazem como eixos norteadores do trabalho pedagógico da educação infantil as interações e as brincadeiras que permitem vivenciar momentos de aprendizagem no cotidiano escolar”. Mas lembre-se, a escola não deve ficar brincando livremente o dia todo ou vendo filmes. As brincadeiras devem ser planejadas, ter um propósito e não servir apenas para entretenimento. Edson D’Addio, diretor do colégio Palmares (SP), explica, “Há todo um objetivo pedagógico por trás, para desenvolver diferentes habilidades. O aluno está brincando, mas existe um motivo sólido para isso. Os pais precisam ter noção sobre as atividades do filho”. Uma pintura com os dedos, por exemplo, trabalha texturas, cores e coordenação motora. Um simples carimbo na mão inclui noções de tamanho, numerais e formas. Uma canção pode trazer lições sobre lendas ou a cultura do país, enquanto uma história contada talvez trabalhe sentimentos.

É dessa forma, que mesmo sem se dar conta, a criança está aprendendo e assimilando novos conceitos de forma prática. Isso em diversas atividades, como mexer com tinta, massinha, argila, na dança e música, ou até mesmo em saídas pedagógicas a teatros, exposições e museus. De acordo com a coordenadora Pnina, a escola deve oferecer um conteúdo diversificado e de qualidade, contendo todas as linguagens artísticas, para que pessoas curiosas e críticas sejam formadas. Uma forma das escolas mostrarem todo esse trabalho para os pais são as mostras culturais. Aqui no Educar, ela acontece duas vezes por ano, sendo a Feira do Livro no primeiro semestre e a Feira Cultural no segundo

Processo da alfabetização

Não tenha pressa na alfabetização, a criança precisa de tempo livre justamente por estar aprendendo a todo momento nos mais variados tipos de situações. Ela só está realmente preparada para isso por volta dos 5 anos, não podendo ter esse processo forçado ou antecipado. Mas não pense que os deveres de casa não existirão, eles são necessários, mas devem ser adequados de acordo com a faixa etária. Crianças de 3 anos podem ter tarefas somente uma vez na semana. As de 4 e 5, de duas a três semanais, desde que sejam simples e não tenha um grau de

dificuldade que impossibilite a criança de fazer. Os pais podem estar do lado acompanhando, entretanto, nunca devem fazer as atividades pelos filhos. As tarefas trabalham justamente responsabilidade e autonomia, cumprindo prazos e a criando hábitos de estudo, já preparando para o futuro.

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